Transporte químico: Logística leva clientes ao transporte Intermodal

Química e Derivados: Transporte: transporte03.A sinergia rodoferroviária foi aproveitada para conquistar contas importantes. É o caso de serviço realizado para as empresas de segunda geração do pólo petroquímico de Triunfo-RS: Innova, Braskem, Ipiranga e Triunfo. Em um trecho ferroviário de 800 km, a ALL-Delara embarca para essas empresas cerca de 5 mil t/mês de resinas termoplásticas, que seguem para uma central de distribuição (CD) de sua propriedade, em Araucária-PR. Dali, as cargas são expedidas via caminhões siders para clientes principalmente em São Paulo. “Esse terminal funciona como um estoque avançado das empresas”, explicou o coordenador de petroquímica da ALL-Delara, Rodrigo Soares de Carvalho. A CD tem capacidade para estoque de 8 mil toneladas, sendo a maioria ocupada por polietilenos da Ipiranga Petroquímica.

Essa nova opção reduziu o custo logístico em uma média de 10%. Mas o maior ganho, e de difícil contabilidade, de acordo com Soares, foi a extinção dos casos de roubo de carga. “Nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, por onde o trem passa, o índice de assaltos caiu a zero”, diz. Esse fato tem suma importância, tendo em vista a predileção das quadrilhas por essas cargas. O único problema continua sendo os trechos finais de caminhão em São Paulo, sujeitos a emboscadas. Poderia haver a solução de utilizar a rede de outras concessionárias ferroviárias no Estado paulista, mediante pagamento pelo uso ou pelo transbordo (caso a bitola seja diferente), mas segundo Soares não foi possível acordo com os “concorrentes”.

Química e Derivados: Transporte: transporte04.Outro caso de intermodalidade da ALL-Delara ocorre com a produtora de gases industriais White Martins. Desde o ano passado, o grupo carrega na fábrica de gás carbônico da WM em Araucária-PR, em terminal ferroviário vizinho, cinco vagões-tanque de 40 t, que seguem para terminal da ALL em Canoas-RS. Desse ponto, caminhões da empresa de logística se abastecem para distribuir o gás (cerca de 1.100 t/mês) a diversos clientes da White Martins pelo Rio Grande do Sul. Segundo o gerente nacional da ALL-Delara, Henrique Peterlongo, com o uso do trem, em substituição à antiga operação totalmente rodoviária, a White Martins economizou cerca de 40% com transporte. “Isso sem falar que em um ano não houve sequer um acidente no percurso”, diz. Bom acrescentar ainda que a ALL-Delara faz a operação logística para a White Martins do Espírito Santo ao Sul do País, fazendo 7 mil entregas por mês, via caminhão, de gás carbônico, argônio, nitrogênio e oxigênio.

Química e Derivados: Transporte: Os caminhões movimentam 60% das cargas no País.
Os caminhões movimentam 60% das cargas no País.

A ALL cobre uma malha ferroviária de 15.628 quilômetros, sendo 7,2 mil km no Brasil e o restante na Argentina (em agosto de 1999 o grupo adquiriu as ferrovias argentinas Meso e BAP). Para aumentar a produtividade dessa extensa rede, que opera com frota de 550 locomotivas e 17 mil vagões, o coordenador Rodrigo Soares chama a atenção para os últimos investimentos no chamado transit time, ou seja, no tempo das viagens do trem. No trecho Triunfo-Araucária, por exemplo, foi reduzida a viagem de 54 horas, da época estatal, para 36 horas. Essa visão, aliás, é dividida com as demais concessionárias, todas elas preocupadas em pelo menos se aproximar da velocidade média dos trens norte-americanos, de 80 km. No Brasil, a média, onde não houve investimento, é de 23 km/hora.

Mas a lentidão dos trens não é o único gargalo operacional. Um outro reiterado por todos os envolvidos na questão é a falta de integração entre os ramais. O problema aí já começa pela própria engenharia dos trilhos, com bitolas diferentes nas variadas estradas de ferro (as antigas usavam bitola métrica e as mais novas, as largas de 1,60 m). Essa heterogeneidade exige transbordos custosos e sua uniformização, altos investimentos.

O outro problema prejudicial à unificação da rede é a falta de uma política de compensação entre as concessionárias. Ainda não há regulamentação, nem acordo, para organizar o uso comum, pelas concessionárias, de todas as diversas ferrovias. Ou seja: o caminho é longo para o Brasil se aproximar da matriz de transporte de cargas dos países desenvolvidos, onde cerca de 80% do movimentado é por trens .

Química e Derivados: Transporte: Mirtes - Sassmaq (no destaque) vai pôr ordem no transporte químico rodoviário.
Mirtes – Sassmaq (no destaque) vai pôr ordem no transporte químico rodoviário.

 

Química e Derivados: Transporte: livro.Melhora nos caminhões – Ao corrigir seus problemas, as ferrovias podem pelo menos fazer um pouco de frente ao modal rodoviário, o líder disparado no transporte para o setor de transformação industrial. Embora em cargas gerais, incluindo bens primários, os caminhões respondam por 60% da matriz de transporte, nos bens industrializados esse percentual sobe para 91%. Já os trens movimentam 20% das cargas totais e apenas 7% das processadas.

Diminuir esse gap será positivo não só para os planos das concessionárias ferroviárias como para a produção industrial brasileira. Segundo uma estimativa da ANTF, em razão do alto preço do frete rodoviário, da falta de capacidade de movimentação, e também em virtude da precariedade e sobrecarregamento das rodovias, anualmente gera-se um prejuízo de US$ 150 milhões com os caminhões. Isso sem falar do alto custo dos pedágios em estados como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Enquanto esse perfil não se reverte, o que deve ocorrer ao se considerar a vantagem das ferrovias sobretudo nas longas distâncias e o crescimento de produção ferroviária de 68% desde 1996, o transporte rodoviário também se mexe para melhorar sua competência. Uma iniciativa prática recentemente organizada pela indústria química, por meio de sua associação, a Abiquim, promete fazer uma seleção natural das transportadoras, ou seja, criar condições de a indústria ter critério técnico na escolha desses prestadores de serviços.

Trata-se do Sassmaq, o sistema de avaliação de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade para transporte rodoviário, lançado em maio de 2001.

Página anterior 1 2 3 4 5Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios