Gás de efeito estufa reduz competitividade do caminhão

Transporte químico

A busca do equilíbrio entre sustentabilidade e competividade se destaca como um dos itens de maior peso na pauta logística de empresas e entidades representativas do setor químico.

A preocupação se baseia no fato de que a geração de Gases de Efeito Estufa (GEE) é um dos principais gargalos do modal rodoviário, dominante na matriz de transportes do setor.

De acordo com a estratégia em discussão na Abiquim, o transporte de produtos químicos pode se ajustar tanto aos conceitos da ESG, como da descarbonização da economia.

Acredita-se, por exemplo, que se forem implementados os pleitos estruturados no âmbito da Agenda Estratégica de Logística da Indústria Química, será possível reduzir as emissões de CO2 em aproximadamente 2 milhões de toneladas e economizar 800 mil m3 de combustível anualmente.

Não há dados disponíveis por categorias de carga transportada no Brasil, segundo Sergio Sukadolnick, vice-presidente da ABTLP e parceiro da Abiquim.

Contudo, calcula-se que o transporte rodoviário de cargas representa algo em torno de 60% do volume transportado no Brasil.

O transporte de produtos perigosos, principalmente combustíveis, representa cerca de 70% da carga.

Diante deste cenário, o aumento da intermodalidade teria um impacto positivo direto na logística do segmento, ao reduzir a poluição, conforme o raciocínio de Maria dos Anjos, assessora técnica da ABTLP.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Shizuo: Abiquim estuda matriz do transporte químico no país ©QD Foto: Divulgação

O modal marítimo é o que menos polui e tem o menor custo, avalia Luiz Shizuo, gerente de gestão empresarial da Abiquim.

Não é à toa, diz ele, que o governo tem tentado fomentar este tipo de transporte com o programa “BR do Mar”.

O transporte ferroviário prioriza cargas de grande volume, como grãos e fertilizantes, acrescenta o representante da Abiquim.

Mas, atualmente os operadores passaram a usar um recurso que flexibiliza essa opção.

É o double stack, ou seja, dois contêineres empilhados em cada vagão, que também contribui para reduzir os custos, diz Shizuo.

Os operadores ferroviários têm se preocupado também com questões ambientais, conforme o exemplo da Brado, cujos clientes deixaram de emitir mais de 254 mil t de CO2, em 2021, ao optar pelo transporte ferroviário.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Bianca: ferrovia demonstra ser modal eficiente e seguro

“É um aumento de 11%, em comparação com 2020, e corresponde à emissão anual de quase 55 mil veículos. Além disso, demandaria mais de 1,8 milhão de árvores para ser integralmente absorvido”, explica Bianca Neidert Kulakowski, gerente de contas do setor de agroquímicos da Brado, operador logístico multimodal.

Desde 2019, a empresa disponibiliza um portal aos clientes, cujo acesso facilita calcular os volumes mensais e totais de gás carbônico que deixaram de ser lançados na atmosfera.

Os dados permitem desenvolver inclusive um indicador de emissão ferroviária, que expressa os gramas de CO2 não lançados ao ambiente para cada unidade de peso transportada e distância percorrida.

Os números podem ser comparados com o volume de emissões automotivas, bem como a quantidade de árvores que seria necessário para compensar o impacto da poluição.

Por outro lado, os terminais de transbordo da Brado foram construídos com foco na sustentabilidade e são equipados com bacias de contenção.

O objetivo, segundo a empresa, é evitar possíveis riscos de contaminação ambiental.

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