Excesso de normas sobre transporte químico dificulta a intermodalidade

Legislação, regulamentos e normas sobre transporte de produtos químicos acabam funcionando como barreiras contra a intermodalidade.

Além de os operadores terem que investir em uma infraestrutura logística diferenciada, são obrigados também a implantar uma burocracia que traduza as exigências em ações práticas que viabilizem o transporte.

Para produtos perigosos, por exemplo, a regulação depende de mais de 450 documentos legais, como aponta a ABTLP.

São muitas legislações e portarias que devem ser atendidas, além da lei de crimes ambientais.

Transporte químico: Excesso de normas e documentos dificulta a intermodalidade ©QD Foto: iStockPhoto
Glória: rodovias precárias causam perdas elevadas

Nesse caso, invariavelmente, a norma jurídica é aplicada subsidiariamente em caso de transporte irregular pelo descumprimento de quaisquer regulamentações, informa Glória Benazzi, assessora logística da Associquim.

Para o transporte rodoviário, a legislação exige que a transportadora tenha habilitação para atuar com este tipo de carga.

Já o caminhão deve estar equipado com kit de emergência.

Transporte químico: Excesso de normas e documentos dificulta a intermodalidade ©QD Foto: iStockPhoto
Borlenghi: intermodalidade nem sempre vale a pena

Fora esses casos, grande parte das exigências consistem em orientações relacionadas à segurança no transporte, manuseio ou uso do produto químico, diz Heber Borlenghi, diretor do Grupo Cesari, que transporta diversos itens perigosos e não perigosos.

A lista inclui ácido sulfúrico, ácido clorídrico, soda cáustica, nitrato de amônia, ureia e cloreto de potássio.

Esses produtos são acondicionados em embalagens homologadas e/ou diretamente nas carretas tanques, vasos de pressão, isotanques, contêineres e demais implementos rodoviários também certificados pelo Inmetro em todo território nacional.

Em alguns casos, a carga passa por terminais intermodais, onde ocorre o traslado para outro modal que efetua o transporte até o destino final.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Terminal de Sumaré-SP integra os modais ferroviário e rodoviário

Às vezes, segundo ele, a intermodalidade pode afetar negativamente a agilidade da operação como um todo, porém, em outros momentos, existe a compensação no custo.

A Brado diz operar de acordo com as melhores práticas de mercado para o transporte de produtos químicos, ao ajustar sua estratégia de intermodalidade de acordo com o cumprimento da regulação vigente.

Transporte químico: Excesso de normas e documentos dificulta a intermodalidade ©QD Foto: iStockPhoto
Bianca: ferrovia demonstra ser modal eficiente e seguro

Da mesma forma, capacita suas equipes para o manuseio deste tipo de carga, informa a gerente Bianca Neidert Kulakowski.

No total, a companhia transporta mais de 25 tipos de cargas, entre elas fertilizantes, defensivos agrícolas e produtos de higiene e limpeza.

Esses produtos são paletizados, no caso de itens de higiene e limpeza, ou acomodados em big bags (usados principalmente para os fertilizantes ou agroquímicos) nos contêineres, seguindo todas as normas e procedimentos de segurança necessários.

As cargas são identificadas com adesivos, FISPQ (Fichas de Segurança de Produtos Químicos) e transportadas com as respectivas fichas de emergência em caso de carga perigosa, informa a gerente.

A indústria química está subordinada também a uma normatização internacional sobre melhoria contínua do desempenho em saúde, segurança e meio ambiente, cujas ações locais são de responsabilidade da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Transporte químico: Excesso de normas e documentos dificulta a intermodalidade ©QD Foto: iStockPhoto
Shizuo: Abiquim estuda matriz do transporte químico no país

Por conta dessa recomendação, a entidade desenvolveu uma ferramenta que certifica operadores logísticos em conformidade com as exigências de manuseio e movimentação de produtos químicos, segundo Luiz Shizuo, gerente de gestão empresarial da entidade.

Através desse aprendizado ministrado por auditores independentes, os profissionais são treinados em uma série de práticas em melhoria de gestão de suas atividades.

Dentre elas, destacam-se procedimentos sistemáticos sobre como reduzir riscos provenientes das operações de transporte, estocagem e distribuição das cargas, segundo suas especificidades, acrescenta.

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