Logística, Transporte e Embalagens

Transporte químico: Competitividade setorial exige absorver impactos das mudanças normativas sem afetar qualidade

Marcelo Fairbanks
30 de dezembro de 2013
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    Em busca de rentabilidade – O transporte químico tem se mantido atraente do ponto de vista financeiro, porém as exigências legais sobre a atividade constituem um fardo pesado para as operadoras. “Para trafegar pela cidade de São Paulo, por exemplo, cada caminhão precisa ser licenciado nos 170 códigos listados pela ONU e cada produto químico também precisa ter licença de transporte, isso é insano”, criticou Almeida. Cada licença de produto ou de veículo pode demorar de seis a sete meses. E cada produto transportado precisa ter um plano de atendimento específico para emergências. “Pleiteamos que isso fosse feito por classe de produtos, mas foi negado, ou seja, para fazer uma entrega em São Paulo, o planejamento deve começar bem antes”, salientou. A multa por um produto não licenciado é de R$ 5.700,00.

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    Nos trajetos mais longos, a expectativa é de melhoria, com a prometida criação de um sistema unificado de autorização por parte do Ibama para operações interestaduais, acabando com requisitos específicos de cada estado. “Essa licença já está sendo admitida no mês seguinte ao transporte, como já vinha sendo feito pelas polícias Federal e Civil”, comentou.

    “O transporte químico é cada vez mais profissional, dadas essas exigências todas, além das restrições de passagem e limites de jornada dos motoristas”, comentou. Aliás, a contratação desses profissionais é cada vez mais difícil. Segundo Almeida, são raros os qualificados disponíveis para contratação. “Ter o Mope (curso para cargas perigosas) é o mínimo, mas não o suficiente”, disse. A Tquim exige uma longa série de requisitos para verificar as condições físicas, psicológicas e sociais dos candidatos, buscando formar um quadro de pessoal socialmente responsável. Os que passam por essa peneira, recebem uma semana de treinamento intensivo na própria empresa, para depois iniciar o trabalho durante três semanas sob acompanhamento permanente de um instrutor. Só depois disso é que o motorista pode começar a atuar sozinho.

    O Sassmaq exige que a idade máxima dos veículos de carga seja inferior a dez anos para as cargas líquidas e, para as cargas embaladas, 15 anos. “Nós começamos a renovar a frota a partir de seis anos e nossa idade média é de três anos, entendemos que esse é o ponto ótimo para a troca”, explicou. Os equipamentos de tração (cavalos) são vendidos para os agregados da transportadora, quadro formado por seus ex-motoristas.

    A Tquim está investindo na compra de mais cavalos e equipamentos como siders e semirreboques, no total de R$ 10 milhões, com financiamento do Bndes. Isso exigirá contratar mais 40 motoristas, além dos 35 integrados entre janeiro e março deste ano. “Estamos crescendo com a demanda química, somos especializados nisso e oferecemos serviços, como estação de limpeza própria, avaliada pelo Sassmaq, e boxes segregados para cargas alimentícias e farmacêuticas”, informou.

    A Tquim nasceu em 1995 como divisão de transportes da distribuidora Cosmoquímica, da qual se separou em 2005, quando Almeida, que era seu diretor financeiro, iniciou o processo de aquisição, em fase de conclusão. O foco inicial dos trabalhos eram os granéis líquidos e Almeida concentrou sua clientela em contratos de longo prazo bem definidos, ficando fora dos negócios spot. São clientes que vendem CIF (com seguro e frete inclusos), como as grandes indústrias químicas. “Prefiro ter volumes constantes e preços mais ou menos fixos”, disse. Ele tem conseguido manter a rentabilidade e ainda expandir os volumes transportados a cada ano, ampliando sua atuação das cargas líquidas para embalados, tendo sido premiado pela Abiquim (prêmio Mirtes Suda) nas duas categorias.

    Os embalados já representam 50% do faturamento da empresa e há espaço para crescer. Para o diretor, as cargas líquidas dependem de investimentos na produção química para aumentar os volumes, e isso pode demorar a acontecer. Nos embalados, também há oportunidades, especialmente nos distribuidores, que ainda realizam grande parte das suas entregas, tendo de arcar com os custos e as dificuldades com as licenças e certificações. “Nosso próximo passo será entrar em armazenagem, com calma, porque os custos fixos são muito altos”, avaliou.

    De alguns anos para cá, Almeida tem percebido o deslocamento das rotas de transporte para os portos, movimento compatível com o crescimento das importações químicas. “Não perdemos os fretes, mas estamos indo buscar mais produtos nos portos”, disse.

    “Para o futuro, estou confiante, mas nunca confortável, pois fujo da acomodação, precisamos de melhoria constante, principalmente de pessoal”, afirmou.



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