Logística, Transporte e Embalagens

Transporte químico: Competitividade setorial exige absorver impactos das mudanças normativas sem afetar qualidade

Marcelo Fairbanks
30 de dezembro de 2013
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    Do ponto de vista da violência que assola o país, os entrevistados responderam que as cargas químicas não são muito visadas pelos criminosos, talvez pela dificuldade de manipular os produtos e comercializá-los. “É mais comum ser roubado o cavalo do que a carreta carregada, pois os veículos são geralmente novos e em ótimo estado”, disse Costa. No caso da Rhodia, os produtos mais visados são os têxteis e as resinas plásticas. A acetona ainda requer atenção, mas são raros os casos de roubo registrados recentemente. Tal como relatado por Schuck, da Braskem, a Rhodia não vê a necessidade de contratar escolta armada para suas cargas.

    Antes de ingressar nas bases de ambas as companhias, tanto para carregar quanto para descarregar produtos, cada caminhão passa por inspeção das condições do veículo e do motorista, sob pena de impedir sua entrada. Ambas exigem rastreamento dos veículos.

    Eles não percebem entre as transportadoras nenhum tipo de desinteresse pelas cargas químicas. Ao contrário, sempre há novas ofertas. “O transporte químico não apresenta sazonalidade, tem frete durante o ano todo, e as exigências impostas pelo setor agregam valor ao negócio”, explicou Leila.

    A questão da violência nas estradas impõe a instalação de equipamentos de rastreamento e o monitoramento constante desses dados. “O custo mensal do sistema é elevado, porém necessário”, comentou Walter Lopes de Almeida, da Tquim. A transportadora mantém toda a sua frota de 150 equipamentos de tração com dois rastreadores, um por satélite, outro pelas antenas da telefonia móvel, eliminando áreas de sombra na cobertura. “Montamos estrutura e equipe própria para monitorar a frota 24 horas por dia”, comentou.

    Carga e descarga – A atribuição de responsabilidades para os transportadores é vista com reservas por todos os lados envolvidos. Pela legislação anterior, os motoristas não eram incumbidos de conectar seus veículos aos tanques dos clientes por meio de mangotes para carregar ou descarregar produtos. As normas mudaram e permitiram que os condutores fizessem essas operações. “Sugerimos que a responsabilidade pelo dano causado pelo trabalho fosse assumida pelo contratante, mas a ANTT vetou”, comentou Paulo de Tarso Martins Gomes, da ABTLP.

    Química e Derivados, Schuck: falta de entrepostos dificulta combinação de modais

    Schuck: falta de entrepostos dificulta combinação de modais

    O Ministério do Trabalho proibiu os motoristas de realizar qualquer operação com produtos químicos, mas adotou uma atenuante: permite que eles façam carga, descarga e transbordo, desde que adequadamente treinados, como prevê a NBR 16.173. “Mesmo com treinamento, é muita responsabilidade delegar essa função para o motorista. Se eu fosse responsável por uma base não deixaria ninguém além dos meus funcionários fazer carga e descarga nos tanques, o risco de erro é muito alto, nem sempre as bicas são bem identificadas”, disse Gomes.

    Walter Lopes de Almeida, da Tquim, concorda com Gomes quanto ao alto risco dessas operações, especialmente na descarga de produtos. “Alguns clientes treinam os motoristas e eles recebem mais pelo fato de serem habilitados para isso, mas nas descargas sou totalmente contra”, ressaltou. Ele defende que as empresas de transporte assumam mais tarefas e capacitações para atender melhor os clientes. Isso implica suportar mais riscos. “É um fator de diferenciação, mas há limites”, considerou.

    Na Braskem, as operações de carga e descarga são sempre feitas pelo pessoal próprio, qualificado e treinado para tanto. “Optamos por fazer nós mesmos essas tarefas por questões de segurança e manutenção das nossas estruturas”, explicou Hardi Schuck.

    “Alguns produtos são relativamente simples de manipular e os motoristas adequadamente treinados podem fazer essas operações sem riscos, até porque eles conhecem melhor seus equipamentos, mangotes incluídos, do que o pessoal da base”, considerou Nelson Costa, da Rhodia. Produtos como a amônia anidra, no entanto, só podem ser carregados e descarregados pelos operadores de planta.



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