Logística, Transporte e Embalagens

Transporte químico: Competitividade setorial exige absorver impactos das mudanças normativas sem afetar qualidade

Marcelo Fairbanks
30 de dezembro de 2013
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    Almeida, da Tquim, confirma a existência de esforços por parte dos embarcadores para reduzir o tempo de espera nas bases de carregamento. “Mas esse tempo perdido ainda é muito elevado, está melhorando, é verdade”, disse. Como a jornada de trabalho dos motoristas ficou mais curta, a preocupação com a demora na carga e descarga se generalizou em toda a cadeia produtiva.

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    Na caso da Rhodia, o modal rodoviário atende a totalidade das operações no mercado interno e também realiza as transferências de produtos das fábricas para os portos. As exportações são feitas pelo modal marítimo, que também serve como alternativa para levar produtos para a Região Nordeste. “Estamos desenvolvendo alguns projetos para cabotagem, mas os fluxos ainda são pequenos”, avaliou Costa.

    A Braskem usa toda a variedade disponível de modais de transporte, mas encontra dificuldades para operá-los em conjunto, dadas as deficiências estruturais da matriz nacional. “O problema da multimodalidade está associado aos entrepostos entre um modal e o outro, considerando a sua localização e acesso”, considerou Hardi Schuck, diretor de cadeia de suprimento da companhia.

    O modal ferroviário é o mais deficiente, porque existe a dificuldade de o fornecedor apresentar veículos em condições adequadas para o transporte de químicos, evitando contaminações. “No caso do modal marítimo, pelo qual escoa a maior parte das nossas exportações, são poucos os portos com acesso ferroviário”, lamentou Schuck.

    Mesmo assim, a companhia possui uma distribuição bem ampla do uso de modais. Considerando gases e líquidos, em volume, os dutos carregam 60% dos fluxos da Braskem no Brasil, ficando 30% com hidrovias, 5% com o rodoviário e outros 5% com o ferroviário. “É difícil quantificar com exatidão, mas a deficiência estrutural logística do país impacta o setor petroquímico brasileiro, pois seus concorrentes internacionais operam com custos bem menores”, comentou.

    Schuck alerta que o problema não se restringe aos custos das operações logísticas, mas tem caráter estrutural. “Nosso frete ferroviário é competitivo, mas nos faltam ferrovias, sem falar no problema da diferença de bitolas, o que nos obriga a realizar transbordos em transportes de longas distâncias ou limitam o uso de alguns tipos de vagões”, destacou. No caso das hidrovias, o problema reside na escassez de terminais, provocando filas de atracação e limitações de tancagem. “Não vemos projetos novos para suprir essa demanda, pois a legislação não oferece garantias suficientes para apoiar os investimentos privados nessa atividade”, apontou.

    O modal ferroviário é considerado pela Rhodia como o pior hoje no Brasil para cargas químicas. “Os operadores ferroviários alegam não ter espaço para transportar químicos e não querem levar produtos perigosos, eles preferem commodities, como minério de ferro e grãos”, disse Costa.

    Para ele, falta um prestador de serviço em ferrovia que se dispusesse a conversar com os embarcadores do setor químico. “Agora estamos encontrando alguma oferta, mas o lead time não é bom, mas pode vir a ser competitivo”, considerou. Quanto maior o tempo de viagem, maior o consumo de capital de giro para a companhia.

    Existem preocupações também quanto à qualidade do serviço ferroviário e com a sua segurança. Esse modal ainda não foi completamente incluído no Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade da Abiquim (Sassmaq) e não conta com plano de contingência em caso de acidente.

    “Somos caminhões dependentes”, afirma Costa, ao comparar a estrutura logística nacional com a de outros países nos quais o grupo empresarial opera. Embora saliente a dificuldade de comparar situações diferentes, o diretor afirma que o custo logístico no Brasil não é competitivo com o do exterior, onde se aproveitam mais os modais ferroviário e marítimo/fluvial. “Dentro do país, somos competitivos com os concorrentes, mas não dá para comparar com o que acontece lá fora”, afirmou.



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