Logística, Transporte e Embalagens

Transporte químico: Competitividade setorial exige absorver impactos das mudanças normativas sem afetar qualidade

Marcelo Fairbanks
30 de dezembro de 2013
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    Além disso, há um grupo de estudos da ABNT, abrigado no prédio da Setcesp, para elaborar normas oficiais sobre a atividade de transportes. “A norma oficial precisa ser bem especificada, com rigor técnico, para que o sistema todo funcione adequadamente”, enfatizou.

    Embora entenda a lógica por trás do arcabouço legislativo, Gomes aponta algumas incoerências e dubiedades que se revelam como estorvos cotidianos para o setor. “A lei complementar 140, por exemplo, instituiu o controle federal sobre transportes de produtos perigosos; e o Ibama, na instrução normativa 5/2012, criou as autorizações ambientais provisórias, com 90 dias de validade, até o estabelecimento do Sistema Nacional de Transporte de Produtos Perigosos”, disse Gomes. Essas autorizações exigem uma série de comunicados, na forma de guias padronizadas, que estão sendo revistas. “Acho que as guias vão exigir mais informações que o sistema anterior, que era deficiente, mas estamos discutindo para evitar exigências descabidas”, comentou.

    Segundo a ABTLP, no Brasil são realizadas 500 mil viagens diárias com produtos considerados perigosos, entre combustíveis, químicos e embalados. Gomes entende que a percepção de complexidade do sistema pode ser inadequada. “As fichas de emergência, por exemplo, são de extrema utilidade para orientar os trabalhos em caso de acidentes e incêndios no transporte”, salientou. Com informações padronizadas e claras, essas fichas são uma forma de comunicação clara e direta. A sua ausência é punida com multa e apreensão do veículo.

    “Realmente, a regulamentação é complexa, mas precisamos negociar; o problema é que ninguém mais tem tempo e pessoal para se dedicar a isso”, comentou. Esse é um dos papéis desempenhados pela ABTLP, que também oferece programas de treinamento, como o de requisitos básicos de transporte, que já preparou mais de 2 mil profissionais. “Derramamento de produtos no ambiente pode render multa de R$ 50 milhões, como prevê a Lei de Crimes Ambientais, e ninguém quer correr esse risco, por isso é preciso investir em qualidade”, comentou.

    Mudanças em dezembro – A partir de 1º de dezembro, as Autorizações de Carregamento e Transporte (ACT) serão extintas e substituídas pelo Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e pelo Documento Auxiliar de Transporte Eletrônico (DACT-e). Esses documentos precisam ser emitidos nas bases de carregamento, com dados da nota fiscal eletrônica emitida pelo embarcador. Sem esses documentos, o veículo não pode transitar.

    Química e Derivados, Costa: novo sistema reduzirá o tempo de espera na base

    Costa: novo sistema reduzirá o tempo de espera na base

    “Esse sistema está funcionando desde agosto, nós nos adaptamos, mas fomos obrigados a manter pessoal administrativo na sede durante 24 horas por dia, porque somos nós que enviamos os dados para a emissão do conhecimento eletrônico e ainda precisamos ter uma impressora disponível no terminal do embarcador”, comentou Walter Lopes de Almeida, presidente da Tquim, transportadora especializada em cargas químicas líquidas e embaladas. “Na verdade, o conhecimento é desnecessário, pois todas as informações já constam na nota fiscal eletrônica e no seu documento auxiliar, o Danf, é só mais um item no custo Brasil.”

    “Não discuto se a lei é boa ou ruim, mas ela entra em vigor com muitos problemas operacionais e isso acaba se transformando em custos adicionais e transtornos”, criticou Nelson Costa Jr., diretor de compras e cadeias de suprimentos da Rhodia, empresa do grupo Solvay. Ele informou que foi colocada uma impressora à disposição dos transportadores na base de Paulínia-SP. O tempo para transmissão de dados e impressão do documento é de 2,6 minutos. “É um problema, porque fazemos muitos embarques diários e grande parte dos nossos clientes precisa receber o produto no mesmo dia, e ainda existem as restrições de tráfego, tudo isso exige um esforço enorme de planejamento.”

    Segundo Leila Zuccari, gerente de negociação logística e embalagem da Rhodia, o site de Paulínia promove 300 carregamentos diários. “Qualquer atraso cria problemas na programação. Fico imaginando o que acontecerá se o sistema da Secretaria da Fazenda tiver uma pane”, disse.

    Filas lentas nas bases da indústria química são uma reclamação frequente de motoristas. A Rhodia se esforça para reduzir esse desconforto. “Estamos melhorando nossos procedimentos e, a partir de 2014, teremos um novo sistema que otimizará a entrada e a saída de caminhões, reduzindo ao mínimo o tempo de espera”, disse Costa. Ele explicou que, embora as operações da Solvay e da Rhodia estejam praticamente consolidadas no país, em transportes as operações da Solvay (Peróxidos e Indupa) são joint ventures que envolvem outras partes e, portanto, são administradas de forma independente.



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