Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos

Redução de custos logísticos e impactos ao meio ambiente

Um percentual significativo de ganhos que poderia engordar os lucros do setor químico brasileiro vem sendo anualmente desperdiçado por conta de ineficiências logísticas.

As perdas decorrem tanto do elevado custo do modal rodoviário, que lidera o transporte de cargas químicas, como da redução de competitividade que poderia ser evitada com o melhor aproveitamento das operações intermodais, ainda incipientes no Brasil.

Entre as vantagens da intermodalidade, destacam-se a redução dos custos, maior agilidade, segurança e otimização dos indicadores de sustentabilidade.

Esses ganhos, em particular, viriam ao encontro dos princípios estabelecidos pela agenda ESG, que reúne as políticas de meio-ambiente, responsabilidade social e governança corporativa das empresas, comtemplando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Estimativas do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) mostram que o custo do transporte via cabotagem, por exemplo, é 60% mais baixo que o realizado por caminhões, em média, e 40% menos do que pelo sistema ferroviário.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Sukadolnic: cadeia logística trabalha para reduzir custos

Para se ter uma ideia do que esses números representariam, no dia a dia das empresas do setor químico, basta levar em conta que em torno de 80% a 90% das 200 milhões de toneladas movimentadas anualmente (incluindo fertilizantes e seus intermediários) trafegam pelo modal rodoviário.

O transporte ferroviário fica com 4%; a cabotagem e o dutoviário, 2,5% cada um, e o modal hidroviário, menos de 1%, como apontam os dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Para Luiz Shizuo, gerente de gestão empresarial da entidade, o Brasil possui dimensões continentais.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Maria dos Anjos: caminhão é imbatível nos trajetos curtos ©QD Foto: Divulgação

E uma diversidade de produtos químicos transportados por modais que deveriam ser totalmente integrados.

Com isso, acrescenta ele, seria aumentada a eficiência logística e, consequentemente, a competitividade do setor químico.

O impacto da matriz de transporte brasileira no setor vem sendo estudado ao longo dos anos pela Abiquim, por meio da Agenda Estratégica de Logística da Indústria Química, informou Shizuo.

No momento, o foco das discussões está voltado para as questões ligadas à Lei 14.301/2022 instituiu o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem, conhecido como “BR do Mar”, e para o novo marco regulatório do setor ferroviário no Brasil (Lei 14.273/2021).

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Shizuo: Abiquim estuda matriz do transporte químico no país ©QD Foto: Divulgação

“Ambos estão em total sintonia com os anseios da indústria química”, diz Shizuo.

De modo geral, a cadeia de logística trabalha com a expectativa de diminuir o peso dos transportes nos custos operacionais das empresas, observa Sergio Sukadolnick, membro da Comissão de Parceiros do Atuação Responsável da Abiquim e vice-presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP).

Afinal, eles podem variar entre 4% e 25% do faturamento bruto das companhias e, em muitos casos, superam o lucro operacional, segundo dados da Consultoria Ilos, especializada em logística e supply chain.

Além da redução de custos, a integração também permite aproveitar e utilizar as melhores características que cada modal pode oferecer, acrescenta Maria dos Anjos, assessora técnica da ABTLP. Ela cita como exemplo a melhor eficiência energética e a redução do tráfego rodoviário.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Glória: rodovias precárias causam perdas elevadas ©QD Foto: Divulgação

É preciso considerar também a sintonia da intermodalidade com certas características de cada mercado, diz Glória Benazzi.

É o caso de demandas logísticas específicas de cada produtor e região do País, por exemplo, os situados próximos a faixas costeiras ou beneficiados por hidrovias, lembra assessora em logística, transporte e meio ambiente e coordenadora do Processo Distribuição Responsável (Prodir), da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associqum).

“Dentro do princípio básico da oferta e da procura, se houver opções, terá mais oferta”, afirma Benazzi.

De fato, identificar oportunidades que gerem valor através do transporte, por meio da intermodalidade, é papel típico das empresas que prestam serviços logísticos.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Borlenghi: intermodalidade nem sempre vale a pena ©QD Foto: Divulgação

“Em síntese, é oferecer uma solução mais competitiva que a atualmente praticada”, acrescenta Heber Borlenghi, diretor do Grupo Cesari.

Há um consenso entre os entrevistados de que a eficácia da intermodalidade e da própria logística depende não só da superação de barreiras legais, sanitárias e ambientais, mas, sobretudo de investimentos na expansão da infraestrutura.

Até 2015, segundo dados oficiais, havia no Brasil 1,76 milhão de km de rodovias, mas somente 212 mil km estavam pavimentados.

Por sua vez, o sistema ferroviário dispunha de 29 mil km de vias, dos quais só 10% eram efetivamente utilizadas.

Os produtos que lideram o transporte por mais de um modal são commodities, como minério de ferro, grãos e cimento.

As cargas com maior valor ficam em segundo plano, dada à precariedade dos fatores que poderiam expandir a intermodalidade no Brasil.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.