Transporte e logística: Indústria química busca reduzir custos e melhorar operação terceirizando serviços integrados de transporte e logística

Aumento da produção, busca pela eficiência nos serviços, foco em seu próprio negócio e, principalmente, redução de custos têm feito com que as indústrias químicas e petroquímicas busquem cada vez mais empresas especializadas em logística para cuidarem de suas fábricas e armazéns. Algumas um pouco mais e outras bem menos, mas, no final, todas apontam para um mesmo caminho: a terceirização.

Química e Derivados: Transporte: Caminhões na Polietilenos União - serviço tercerizado. ©QD Foto - Paulo Igarashi
Caminhões na Polietilenos União – serviço tercerizado.

Na atual fase do setor químico e petroquímico, as indústrias podem terceirizar toda movimentação, armazenagem, recepção, expedição e administração de materiais, ou apenas parte disso. Depende muito da complexidade do produto e da tecnologia empregada na sua fabricação.

A divisão brasileira da Bayer CropScience, por exemplo, que faz fungicidas, herbicidas e inseticidas, assinou, em janeiro último, um acordo com a Ebamag Armazéns Gerais Logísticas para reformular toda sua logística industrial. “O contrato vale por dez anos e supera os R$ 50 milhões”, afirma Rafael Ughini Villarroel, diretor de supply chain da Bayer CropScience no Mercosul. De acordo com o executivo, R$ 17 milhões estão sendo investidos pela Ebamag na construção de um centro de distribuição com 20 mil posições paletes. A obra está localizada no complexo industrial do grupo Bayer, em Belford Roxo-RJ, em uma área de 20 mil metros quadrados.

A compra da Aventis e a projeção de crescimento na produção para os anos seguintes foram decisivas para a Bayer CropScience buscar uma solução de sua logística. Há dois anos, a empresa previa que, em termos de volume, a sua produção sairia das 33 mil toneladas/ano para 55 mil toneladas/ano em 2008. “Isso gerou um estudo. Várias possibilidades foram analisadas, inclusive com apoio de especialistas da Alemanha”, diz Villarroel.

A Ebamag teve sua proposta eleita por causa da sinergia que apresentou com outras empresas. “Esse investimento da Ebamag no nosso condomínio será 75% dedicado à Bayer CropScience e 25% a outras empresas do portfólio deles, com proposta de aumentar ainda mais essa fatia de terceiros”, justifica Villarroel.

O novo armazém deverá ficar pronto no início do próximo ano e, quando isso acontecer, todas as tarefas de movimentação, recepção, abastecimento da linha de produção, armazenagem e expedição, que hoje é feito pela própria Bayer CropScience, será passada para a Ebamag. Na opinião de Villarroel, sem a terceirização da logística, a longo prazo, a situação poderia ficar caótica na empresa. “Estamos evitando problemas no futuro”, diz.

Já na Bayer MaterialScience, outra divisão do grupo alemão no País que está entre os principais fabricantes de polímeros no mundo, a terceirização na logística só acontece na movimentação de materiais embalados. “Só terceirizamos o manuseio de produtos que não têm mais perigo de contaminação”, informa Eduardo Donni, responsável pelo supply chain da Bayer MaterialScience na América Latina. Além disso, a coordenação da operação dos centros de distribuição – dois em São Paulo, um em São Leopoldo-RS e outro em Belford Roxo – é da própria Bayer MaterialScience, apesar dos locais serem terceirizados. “É estratégico para nós termos o controle do serviço por se tratar de produtos tão sensíveis. Mas é claro, também, que terceirizar a movimentação desonera a companhia para ela se dedicar mais ao cliente”, justifica Donni. O executivo reconhece também que a terceirização conseguiu dar um ganho de 15% para empresa. A Bayer MaterialScience trabalha com seis empresas prestadoras de serviço de logística, sem especificar quais, e está há dez anos no processo de aprimoramento da área.

Química e Derivados: Transporte: carlos antonio. ©QD Foto - Paulo IgarashiOutra empresa que há uma década busca melhorias em sua logística é a Polietilenos União, de Santo André-SP. “Terceirizamos para empresas que têm expertise no setor”, diz Carlos Antonio Alves de Souza, responsável pela logística da Polietilenos União. A Petrolog Soluções em Logística é a atual empresa terceirizada pela Polietilenos União. No mês passado, o contrato entre as duas companhias foi renovado por mais três anos e, com isso, a Petrolog é a responsável pelo ensaque, armazenamento e carregamento de todos os produtos da Polietilenos União.

“Ganhamos em tempo e qualidade do serviço”, afirma Alves de Souza. Segundo ele, atualmente não há mais avaria do produto na hora do ensaque e o tempo de transporte por caminhão foi otimizado em 10%. A redução de custo com a terceirização também é muito significativa. “Conseguimos diminuir nossos custos com logística em torno de 20%”, completa o executivo.

Na Henkel, fabricante de adesivos de consumo, cosmética capilar e tecnologias em adesivos industriais, selantes e tratamento de superfícies, toda a parte de armazenagem, expedição, transporte e faturamento de produtos acabados são terceirizados. O grupo Bueno é a empresa contratada pela Henkel para a administração de sua logística.

O centro de distribuição de Diadema-SP fica a sete quilômetros de distância de uma das três fábricas da Henkel – as outras ficam em Jacareí e Itapevi, ambas no interior paulista – e é onde se concentra toda expedição e distribuição dos produtos feitos pela unidade de Jacareí e os de revenda. Por esse armazém, inaugurado em agosto de 2004, serão expedidos cerca de 24 mil toneladas/ano de adesivos e selantes. A produção da fábrica de Diadema, voltada para o setor automotivo, é expedida pelo grupo Bueno direto para as montadoras de veículos, e a de Itapevi, que são adesivos de consumo, saem da unidade direto para os clientes. “Em Itapevi apenas o transporte é terceirizado, por se tratar de um mercado muito grande e fracionado, com os produtos embalados em caixas muito pequenas. Acreditamos que a apresentação do produto é muito importante e por isso não enxergo a terceirização nessa parte”, afirma Roberto Rodrigues Júnior, coordenador de logística e exportação da Henkel.

Química e Derivados: Transporte: Villaroel - contrato na bayer supera R$ 50 milhões. ©QD Foto - Divulgação
Villaroel – contrato na bayer supera R$ 50 milhões.

A terceirização, aliás, tem como objetivo reduzir em 10% os custos logísticos da Henkel. “Por enquanto estamos amortizando o investimento inicial, mas em agosto, quando completarmos um ano de operação com terceiros, vamos atingir nosso objetivo de custo”, diz Rodrigues Júnior. A Henkel conta ainda com um centro de distribuição em Recife, operado pela TA Logística, e outro em Novo Hamburgo-RS, que está sob responsabilidade da UPS. “Tomamos essa decisão por entender que devemos concentrar nossos esforços em nosso core business e entregar a logística a empresas especializadas nesta atividade”, completa o executivo da Henkel.

Definição na tecnologia – Na Ipiranga Petroquímica, assim como em toda a indústria, a logística dentro da fábrica está interligada à tecnologia da produção. Tudo começa nos reatores que fazem a conversão de monômeros para polímeros e termina nos pellets que ficam nos silos à espera de ensaques para daí, então, serem encaminhados para os caminhões ou vagões a granel.

Já a terceirização da logística na fábrica em Triunfo-RS, segundo o diretor da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina, começa no ensaque do produto que vai para os armazéns e neste caso o braço logístico da Companhia Vale do Rio Doce, a Docenave, é quem toma as rédeas da operação. “Essa parceria começou em outubro do ano passado e os principais objetivos são o ganho de escala, de competência e redução de custos ao longo do tempo”, diz Tergolina.

Química e Derivados: Transporte: Tergolina - ganhos de escala na Ipiranga. ©QD Foto - Paulo Igarashi
Tergolina – ganhos de escala na Ipiranga.

O executivo informa que o período de transição com perda de eficiência já estagnou. “Em outubro deste ano, quando completarmos um ano de terceirização com a Docenave, esperamos ter um ganho econômico e de serviço entre 5% e 10%”, afirma.

O contrato com a Docenave é de três anos com revisões anuais. Antes de terceirizar a entrega, 95% das cargas chegavam ao cliente pontualmente, mas custava caro. De acordo com Tergolina, o gasto anual com logística era de aproximadamente R$ 90 milhões (no período de julho de 2003 a julho de 2004).

“Levamos entre dois e três anos para escolher a empresa que iríamos terceirizar. Foi levado em conta o tamanho do país, a precariedade das estradas e os gargalos nos portos e avaliado quem poderia nos auxiliar na movimentação de 620 mil toneladas/ano de produtos que saem de nossas cinco fábricas”, conclui Tergolina.

A movimentação de 540 mil toneladas de polietileno também foi uma das preocupações da Rio Polímeros – Riopol na busca pela melhor opção logística. Com investimento de US$ 1,08 bilhão a Riopol entra em produção em maio ou junho próximos e a empresa escolhida para fazer a movimentação, ensaque, estoque e expedição de seus produtos foi a Katoen Natie. “Aqui nós chamamos de ‘parceirização’, pois é uma parceria e não uma simples terceirização de alguns serviços”, diz Eduardo Berkovitz, diretor comercial da Riopol.

Química e Derivados: Transporte: Berkovitz - Ripol quer parceirização. ©QD Foto - Divulgação
Berkovitz – Ripol quer parceirização.

A Riopol, segundo informou, aposta na prestação de serviços e tecnologia para marcar sua posição no mercado. A fábrica está instalada em um terreno de 800 mil metros quadrados, sendo 50% dele de área construída, no distrito de Campos Elíseos, em Duque de Caxias-RJ, e contará com dois armazéns, de 50 mil metros quadrados, no total, onde ficará estocado o polietileno produzido.

Lição de casa – Há tambem quem faça o caminho inverso da terceirização. A Degussa, fabricante de especialidades químicas voltada para as indústrias e papel e celulose, açúcar, mineração, refinaria de petróleo, tratamento de água, borracha, entre outros, faz a sua própria logística. “A empresa é quem conhece seu produto e sabe como expedi-lo e armazená-lo. Os produtos químicos são corrosivos e inflamáveis e requerem muito cuidado no manuseio”, analisa Álvaro Lopes, gerente de logística da Degussa.

Com fábricas em Americana-SP, Barra do Riacho-ES, Cosmópolis-SP e Paulínia-SP, a Degussa tem ainda um centro de distribuição em Guarulhos, onde se concentram os produtos importados da Europa, Estados Unidos e Ásia. Os produtos químicos para tratamento de água, catalisadores, negro de fumo e peróxido de hidrogênio que saem das fábricas são gerenciados cada qual em sua unidade e de lá são despachados direto para os clientes.

No centro de distribuição de Guarulhos ficam apenas os produtos importados dispostos em 130 contêineres de 20 pés cada. É nesse armazém que fica estocado os aditivos usados na ração animal, os produtos farmacêuticos, cosméticos e neutros, distribuídos em 16 mil metros quadrados em três ambientes distintos.

“Para facilitar nosso trabalho, todo produto que entra no centro de distribuição já vem com uma ficha de segurança”, afirma Lopes. A garantia de que os produtos estão armazenados em perfeitas condições é feita pelo monitoramento de uma engenheira química. “A única coisa que terceirizamos é o transporte. A TSG dedica dez caminhões de sua frota para o transporte de nossos produtos”, justifica o executivo da Degussa.

Química e Derivados: Transporte: A unidade da bayer em Belford Roxo - operadora faz centro de distribuição. ©QD Foto - Divulgação
A unidade da bayer em Belford Roxo – operadora faz centro de distribuição.

Foco na distribuição – A Ipiranga Química, distribuidora de produtos químicos do grupo Ipiranga, traçou como meta, em 2001, dobrar de tamanho até 2006. Para que isso acontecesse, expansão dos negócios existentes e a busca por produtos de maior valor agregado eram seus principais desafios. A empresa queria passar dos R$ 305 milhões faturados em 2001 para R$ 610 milhões em 2006, o que já será possível neste ano. “Mas sem uma infra-estrutura adequada, nada disso seria possível”, informa André Luiz Maynart de Lemos, gerente de suprimentos e logística da Ipiranga Química.

Foi aí que entrou um novo centro de distribuição, que levou um ano para ser planejado e 14 meses para construção. Esse novo centro foi inaugurado em junho do ano passado em Guarulhos e absorveu R$ 42 milhões em investimentos. “No projeto, visamos a segurança operacional em meio ambiente, produção, qualidade de vida e redução de custo”, afirma Lemos. “Fizemos tudo isso para uso próprio e também para passar a oferecer serviços para clientes. Nós é quem somos os terceiros”, diz o executivo.

Hoje, a empresa conta com quatro clientes – Basf, Lyondell, Ineos e Agripec – para quais oferece pacotes de serviços como embalagem, transporte, armazenagem, separação ou mistura de matéria-prima e entrega na linha de produção. “Trabalhamos com todos os modais de transporte – 80% de terrestre, 18% de marítimo e 2% de aéreo e cabotagem – terceirizados”, explica Lemos. Para o executivo da Ipiranga Química, a indústria química está preocupada nos processos “chaves”. “O ponto crucial é onde está o limite”, diz.

Química e Derivados: Transporte: andre_ luis . ©QDO novo centro de distribuição de Guarulhos, no processo de armazenagem de embalados, quando completar um ano de operação, em julho, terá gerado uma redução de 13% de custo unitário em reais por toneladas. Com a oferta desse serviço para outros clientes, a redução chegará a 70% com o ganho de escala. “A tendência é que a distribuidora se especialize cada vez mais e, para isso, prevemos para este ano um aporte de R$ 21 milhões na ampliação do centro de distribuição e em tecnologia da informação”, justifica Lemos, da Ipiranga Química.

Especialização e experiência – Com 54 anos de existência e destes, 40 dedicados ao transporte de produtos químicos, o grupo Gafor é hoje um operador logístico que tem mais de 50% de seu faturamento – em 2004 foram R$ 250 milhões – proveniente da indústria química. “A Gafor desenha soluções logísticas para cada cliente, com desenvolvimento específico de equipamentos. Gerenciamos o estoque, armazenagem e a entrega dos produtos de nossos clientes”, diz Silvio Fagundes, sócio-diretor da Gafor Distribuidora.

A Gafor, inclusive, se prepara para fazer a movimentação interna da fábrica de um cliente. Sem mencionar seu nome, Fagundes afirma apenas que se trata de um projeto onde a Gafor ficará responsável pela embalagem em tambor do material que sai da linha de produção

Química e Derivados: Transporte: Fagundes - gafor se especializou na máquina. ©QD Foto - Paulo Igarashi
Fagundes – gafor se especializou na máquina.

Com a especialização na área química, o grupo Gafor acabou desenvolvendo algumas particularidades para essa indústria. Dos mil veículos próprios que compõem sua frota, a empresa tem 65% dela dedicada a atender a indústria química e ainda um terminal ferroviário em Guaratinguetá-SP. A renovação de frota para a indústria química acontece a cada três anos.

“Do ponto de vista econômico, três anos é o ideal para a troca de veículo por causa de seu desgaste. Muitos dos produtos transportados para a indústria química são perigosos e os veículos têm que estar em perfeita condições de uso”, informa o executivo da Gafor Distribuidora. Fagundes diz ainda que a empresa participa do desenvolvimento da carreta de seus caminhões. A empresa tem 20 filiais espalhadas pelo Brasil, sendo que as unidades de Cubatão, Paulínia, Mogi Guaçu, São José dos Campos e Guaratinguetá – todas no Estado de São Paulo – são dedicadas a produtos químicos e petroquímicos.

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