Alimentos e Bebidas

Transgênicos: Análises detectam alteração em alimentos

Marcio Azevedo
11 de junho de 2002
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    O teste de PCR pode ser preparado para a detecção de qualquer uma das três sequências. Segundo Daniela Gazoto Contri, responsável pelo laboratório de biologia molecular do Tecam, a maioria das plantas geneticamente modificadas utiliza o promotor 35S do vírus do mosaico da couve-flor (presente em 22 das 28 espécies geneticamente modificadas conhecidas) ou a seqüência terminal NOS, derivada da Agrobacterium tumefaciens, presente em 16 das 28 plantas transformadas. Direcionando-se o teste de PCR para a detecção dessas seqüências, é possível a detecção de grande parte dos OGMs existentes atualmente.

    Química e Derivados: Transgênicos: Daniela - teste de PCR é desenvolvido em três etapas básicas.

    Daniela – teste de PCR é desenvolvido em três etapas básicas.

    O teste de PCR propriamente dito consiste de três etapas. A primeira envolve o preparo da amostra e a extração do DNA. A extração depende da natureza e do tipo da amostra, porém ainda não há um método consensual para a extração. Desse modo, protocolos diferentes de extração são utilizados em função das características do material de partida. Daniela afirma que a extração do DNA de alimentos processados representa uma dificuldade adicional, “pois não há protocolos estabelecidos nesses casos”.

    Na segunda etapa do teste realiza-se a montagem da reação de PCR. É nessa fase do processo que se tenta encontrar o gene modificado, que pode estar presente no DNA extraído da amostra na etapa anterior. Uma seqüência de nucleotídeos conhecida é fornecida ao meio onde ocorre a reação, e caso haja uma seqüência homóloga à seqüência conhecida ocorre o emparelhamento das seqüências de nucleotídeos.

    Como a seqüência, porém, é muito pequena, é necessário multiplicá-la para que seja possível a sua visualização. Esse é o objetivo da terceira etapa do teste.

    A multiplicação da sequência de nucleotídeos ocorre segundo uma progressão exponencial. O primeiro ciclo de ampliação fornece duas cópias (21 cópias); o segundo, quatro cópias (22); o terceiro, oito (23). Assim, ao final de 35 ciclos de multiplicação, que são realizados em um aparelho denominado termociclador, obtêm-se 34 bilhões de cópias (235 = 34 bilhões), quantidade que torna possível a identificação da seqüência de nucleotídeos.

    As seqüências então são coradas com brometo de etídio e inseridas em uma placa de gel de agarose, onde sofrerão processo de eletroforese. A eletroforese faz com que as partículas migrem no gel, e o padrão de migração obtido pode ser vizualisado sob radiação ulravioleta, pois o brometo de etídio fluoresce em presença dessa luz. A análise desse padrão determina a presença (ou não) do DNA modificado.

    A iniciativa do Tecam deve ser bem recebida entre produtores e órgãos governamentais. Presentes à festa de inauguração da nova sede da empresa, alguns representantes desses setores reforçaram a importância da qualificação de um laboratório nacional para oferecer o teste. Germano José Frenzel Ottmann, superintendente industrial da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), a maior do País, ressaltou a importância de se ter um laboratório nacional capacitado para a detecção de OGMs: “Podemos confrontar os resultados dos testes feitos aqui com os resultados que são fornecidos pelos laboratórios europeus”, disse.

    O gerente geral de Avaliação e Controle do Ibama Fernando Carvalho atentou para o fato de o Tecam ser um laboratório credenciado pelo Inmetro, e possuir um sistema de qualidade que garante resultados confiáveis para seus testes. O laboratório possui credenciameno junto ao Inmetro de acordo com o programa de “Boas Práticas de Laboratório” nas áreas de toxicologia, ecotoxicologia e mutagenicidade para agroquímicos. O Ibama só aceita laudos técnicos de laboratórios credenciados no Inmetro de acordo com as normas de boas práticas, e segundo Carvalho, a atuação do Tecam pode contribuir para a realização de avaliações ambientais mais confiáveis no País.



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