Transformação – Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme

Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos

Plástico Moderno - Transformação: Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos - Perspectivas 2021 ©QD Foto: Divulgação
Mendes: vendas do começo deste ano já garantem bons resultados

Conforme o campo de atuação, o desempenho das vendas de máquinas e equipamentos também foi positivo para os importadores. “Meus colegas, dependendo do setor com o qual trabalham, venderam bastante”, informa Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), que conta em torno de 70 associados.

Para exemplificar ele fala sobre o caso de sua empresa, a importadora de máquinas e equipamentos Brásia, com amplo portfólio de produtos. “O ano começou bem incerto, as vendas sofreram muito no segundo trimestre. Depois começou a aparecer muitos pedidos para determinados tipos de máquinas que comercializamos, como as extrusoras para filmes de embalagens ou as máquinas usadas para a confecções de máscaras de proteção contra a Covid-19, por exemplo”. A despeito do problema de falta de matérias-primas enfrentado pelos clientes a partir do segundo semestre, os pedidos para vários equipamentos se aqueceram. “O ano de 2021 começou a mil, no primeiro semestre já garantimos bons resultados e acho que os negócios irão bem até o final do ano”.

Existem alguns percalços no caminho dos importadores. A queda do poder aquisitivo da população atrapalha a venda de bens duráveis. O avanço incerto da vacinação e o tumulto causado pela política não ajudam. Tem havido grande oscilação da moeda. O dólar começou 2020 com cotação de R$ 3,80 e terminou superior a R$ 5,00. “Mais do que a valorização da moeda, o problema se encontra em sua instabilidade. A falta de previsibilidade dificulta o planejamento dos nossos clientes”.



No embalo – O desempenho de setores apontados como grandes clientes da indústria de transformação do plástico ajuda a dar ideia das perspectivas de negócios do ano que se inicia. Um dos mais importantes é o de embalagens, entre os grandes usuários um dos que menos sofreu com a Covid-19. Não foram fechados os números que resumem o desempenho das fábricas do ramo em 2020. Por isso, Rogério Mani, presidente Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), prefere não se manifestar por enquanto sobre as perspectivas para esse ano.

Um estudo feito ao final do terceiro trimestre pela W4Chem com exclusividade para a Abief, no entanto, mostram como andam as coisas pelo setor. Pela pesquisa, a indústria de embalagens flexíveis apresentou desempenho superior ao da indústria como um todo. No segundo trimestre, que para muitos segmentos foi muito difícil, as vendas de embalagens flexíveis foram impulsionadas por produtos essenciais, como alimentos, higiene e limpeza.

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Mani: oferta curta de resinas impediu crescimento maior

No terceiro, a recuperação foi mais generalizada e os consumidores, impulsionados pelo auxílio emergencial, voltaram a comprar outros itens. Especialmente o setor de alimentos manteve desempenho bastante positivo, praticamente inalterado ao de antes da chegada da Covid-19. “Houve momentos, inclusive, em que itens de indulgência, como doces e snacks, foram largamente consumidos”. De julho a setembro, o setor de flexíveis registrou produção de 562 mil toneladas, com alta de 8,8% em comparação ao trimestre anterior. No acumulado de janeiro a setembro, a produção chegou a 1,588 milhão de toneladas.

O desempenho só não foi superior porque no terceiro trimestre houve redução drástica da oferta de resinas e insumos como aditivos e pigmentos, e também de embalagens de outros tipos (caixas de papelão). “As indústrias do setor atuaram com estoques reduzidos o que comprometeu a produção”, pontua Rogério Mani.

O estudo da consultoria W4Chem estimou que as vendas internas de poliolefinas aumentaram cerca de 23% no terceiro trimestre em comparação ao trimestre anterior e 1% na comparação com o terceiro trimestre de 2019. “A indústria petroquímica nacional foi favorecida pelo desabastecimento mundial de resinas termoplásticas, por isso o recorde de vendas em agosto e setembro. Mas lembramos que a oferta restrita de resinas no mercado interno resultou em momentos difíceis para algumas empresas produtoras de embalagens, que necessitaram buscar matérias-primas alternativas”.

“Trombada”

O surgimento da pandemia provocou na indústria automobilística estragos similares a uma “trombada” em alta velocidade. O setor, que no ano passado tinha perspectiva de crescimento de 10%, apresentou produção 31,6% inferior à de 2019, resultado que fez o desempenho voltar aos números similares aos obtidos há 16 anos no Brasil. O dado é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Há esperança de dias melhores, a associação projeta que em 2021 ocorra recuperação na casa dos 25%. Ajudam nessa perspectiva os bons resultados colhidos em dezembro, o melhor do ano. O crescimento é visto como moderado, insuficiente para o setor recuperar os patamares de 2019. “Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia”, explica Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

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Ioschpe: parada das montadoras afetou a produção de autopeças

O dirigente lembra que infelizmente, observa-se que uma segunda onda de Covid-19 chegou ao Brasil. “Sabemos que a imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo a retomada mais rápida da economia”. Some-se a isso a pressão de custos das matérias-primas, as necessidades urgentes de reformas e surpresas desagradáveis como o aumento do ICMS paulista. “Temos diante de nós um quadro que ainda inspira muita cautela nas nossas previsões”, resume.

O cenário impacta diretamente os produtores de autopeças. “O setor foi bastante afetado no ano passado, com paralisia relevante ao longo do segundo trimestre. Nos meses seguintes houve recuperação”, revela Dan Ioschpe, presidente do Sindicado Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automores (Sindipeças). “Em determinados segmentos, essa demanda tem sido impulsionada pelo desejo dos consumidores de ter uma opção de transporte próprio, o que não era a tendência predominante até então”.

Estimativas indicam que setor fechou 2020 com faturamento líquido nominal de 26,2% inferior ao registrado em 2019. “Espera-se que haja recuperação relevante em 2021. Mas a expectativa é que apenas em 2022 a atividade volte aos níveis de 2019”. Os representantes da Anfavea e do Sindipeças preferem não tecer maiores comentários sobre a decisão tomada pela Ford de fechar suas plantas industriais no Brasil. Para os dirigentes das entidades, a empresa é soberana para tomar as suas decisões.

Alicerces preservados

O setor da construção civil, outro importante comprador de itens plásticos, sobreviveu ao ano de 2020 com dificuldades menos acentuadas. “O PIB da construção brasileira deverá fechar o ano de 2020 com variação negativa de 2,5% em comparação a 2019”, revela Odair Senra, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP). O resultado apresenta uma particularidade. Impulsionado pelo auxílio emergencial, o volume de vendas de materiais de construção no varejo acumulou alta aproximada de 7,8% no ano. Por sua vez, a produção desses materiais teve queda estimada de 4,7%.

O dirigente prevê recuperação da atividade neste ano. “Em 2021, a construção deverá crescer 3,8%”. Existem alguns obstáculos para a retomada. Segundo o presidente, uma grande preocupação do setor é a falta e/ou aumento elevado dos preços dos insumos, o que se reflete nos custos das obras e produtos oferecidos. “A expectativa é que esse impacto avance pelo primeiro trimestre de 2021, podendo prejudicar a retomada do setor”.

O insumo plástico mais importante para a construção é o PVC, com o qual são fabricados tubos e conexões, entre outros produtos. “A escassez de PVC não tem sido um problema tão grave, mas essa matéria prima é derivada do petróleo e tem preço internacional baseado em dólar. Seu custo subiu 40% nos últimos meses”, queixa-se o dirigente. Ele ressalta que não há muito o que fazer para contornar o problema. “A oferta é concentrada na mão de poucos produtores. Não importa o preço, somos obrigados a consumir”.



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