Transformação – Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme

Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos

Queda e ascensão

No início de 2020, a expectativa da indústria de transformação era de crescimento do PIB em torno de 2%. A estimativa despencou a partir de março. Empresas fabricantes de produtos essenciais como embalagens e utensílios de uso médico-hospitalar mantiveram suas operações. Entretanto, aqueles que produzem para o setor automotivo, de eletrodomésticos e demais bens duráveis foram impactados pela crise. Em abril, o setor chegou a cair mais de 15% em sua produção mensal.

Seguiu-se um movimento de recuperação. A estimativa é de queda anual de 1% do setor em relação aos resultados de 2019. Confirmada essa expectativa, a produção física deve ter fechado o ano em torno de 7 milhões de toneladas em 2020. O desempenho entre as empresas foi desigual. De acordo com a Abiplast, no caso das embalagens plásticas, houve crescimento de 6% entre janeiro e novembro, em relação ao mesmo período do ano anterior. Os tubos e acessórios plásticos para construção civil também registraram resultados positivos no período, com crescimento de 3,7%. Por outro lado, o setor automotivo apresentou retração de 31,5%.

As exportações de transformados plásticos alcançaram 280 mil toneladas em 2020, desempenho 1,3% menor frente a 2019. Em valor, esse montante correspondeu a mais de US$ 1,1 bilhão, 2% acima do valor de 2019. Foram importadas 796 mil toneladas de produtos plásticos no ano passado, com crescimento de 3,2% frente a 2019. Em valor, o montante correspondeu a US$ 3,9 bilhões, número quase 10% superior em relação ao ano anterior.

O resultado manteve o déficit histórico do setor no comércio internacional, com elevação de 5,9% em peso e 13,2% em valor. Mais de 34% das importações vieram da China e cerca de 40% das exportações se dividem entre Argentina e Estados Unidos. Os produtos plásticos normalmente não possuem representatividade expressiva nesse comércio. “Mais de 90% do setor é formado por micro, pequenas e médias empresas, que enfrentam dificuldades de logística”.



No final do ano, uma notícia bombástica afetou o universo das montadoras. Depois de mais de cem anos atuando no Brasil, a Ford encerrou suas atividades no país. “Muitas empresas transformadoras de peças plásticas para o setor automotivo já têm como estratégia diversificar sempre que possível seus clientes. No caso da saída da Ford, os impactos no faturamento dessas empresas foram diferentes, mas, de forma geral, não houve grandes prejuízos”, explica o dirigente.

Roriz Coelho cita que existem casos de empresas que tiveram queda de 2% a 5% de seu faturamento e casos com impacto entre 20% e 35%. “As companhias mais afetadas estão revendo seus planejamentos, cancelando pedidos de insumos e pesquisando novos projetos. Existe a expectativa de que o mercado vai se ajustar com a melhora na demanda por parte de outras montadoras, que mantêm o ritmo de produção, estão lançando novas linhas e poderão ampliar seu share de mercado”.

Resta a todos os envolvidos com a indústria de transformação do plástico torcerem para que as coisas caminhem da melhor maneira. Quem quiser respostas mais imediatas contrate os adivinhos de sua preferência.

Máquinas ligadas

“Os fabricantes de máquinas para transformação de plástico estão muito felizes com os resultados obtidos no ano passado. Eles conseguiram crescimento na casa dos dois dígitos”, informa José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para ele, uma boa explicação para os bons resultados se encontra na necessidade de muitas empresas investirem na modernização tecnológica. As máquinas novas são mais produtivas e econômicas e quem não contar com meios de produção mais eficientes corre o perigo de perder competitividade e até sair do mercado.

Plástico Moderno - Transformação: Empresas atualizam máquinas e projetam demanda firme, mas resultados de 2020 foram fracos - Perspectivas 2021 ©QD Foto: Divulgação
Mainard: clientes precisam de máquinas eficientes e modernas

O mesmo motivo vale para explicar o bom desempenho do setor de máquinas e equipamentos como um todo. A Abimaq não divulga resultados específicos para o segmento de máquinas e equipamentos para plástico. No ano, houve acréscimo de receitas de 5,1% no ano passado em comparação com 2019, com receita líquida na casa dos R$ 144,5 bilhões. O mercado interno foi o grande propulsor do crescimento, com elevação da receita na casa dos 11%. As importações caíram 5,7% e as exportações despencaram 23,7%. “Vale ressaltar que as exportações começaram a se recuperar de forma expressiva no final do ano. Em dezembro elas cresceram 30,7% em relação a novembro”, ressalta Velloso.

Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para Indústria do Plástico da Abimaq se mostra confiante em relação às perspectivas para 2021. “Nossa estimativa é de que em 2020 houve crescimento entre 12% e 15% e no ano que agora se inicia existe a possibilidade desse ritmo ser mantido. As carteiras das empresas estão em alta”. Ele lembra que os interessados em adquirir máquinas como extrusoras ou injetoras, por exemplo, estão enfrentando fila.

Para Mainard, existem bons motivos para explicar esse momento. Havia demanda reprimida resultante da queda das vendas a partir de 2015 e a necessidade de contar com equipamentos mais produtivos e econômicos ajuda muito a efetivação dos negócios. “Essa é uma tendência que não volta mais”. A instabilidade da cotação do dólar ajudou os fabricantes nacionais. “Ela inibe a importação e favorece a recuperação das exportações”. Há também a perspectiva de reforma tributária. “Caso ela seja aprovada no Congresso, injetará otimismo entre os empresários, vai impulsionar os investimentos internos”.

Página anterior 1 2 3Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios