Plásticos (Resinas, Aditivos, Máquinas e Mercado)

Transformação de resinas revela otimismo para investir

Jose P. Sant Anna
5 de março de 2019
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    Máquinas e equipamentos nacionais – As exportações têm sido uma alternativa interessante para os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico. Há esperança de melhoras no mercado interno em 2019, considerando que o ano passado terminou emitindo sinais de recuperação. Espera-se a continuidade do crescimento da receita total do setor, mas em taxas pouco abaixo das alcançadas em 2018, puxadas pelo mercado doméstico. A sensação de início de um novo ciclo político anima os dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), assim como o ganho significativo de produtividade proporcionado pelas máquinas modernas, despertando o interesse dos clientes. As realizações das feiras Feiplastic e Plástico Brasil são vistas como fatores favoráveis aos negócios setoriais.

    Existem dificuldades a serem enfrentadas. A baixa utilização da capacidade da indústria, na casa dos 70%, não ajuda, desanima os empresários a adquirir máquinas e equipamentos. As dificuldades dos compradores em obter crédito é outra barreira. Hoje, o pequeno e médio empresário nacional tem o Finame, oferecido pelo BNDES, como única opção de obter financiamento de longo prazo para adquirir um equipamento. Os bancos comerciais não oferecem esse tipo de produto com recursos próprios, apenas agenciam o Finame.

    Cálculos da Abimaq estimam que o custo final dos empréstimos do Finame, considerando a taxa base, a variação da inflação e a remuneração da instituição financeira fique entre 14% e 15% ao ano, incompatível com o retorno proporcionado pelo bem adquirido, calculado pela associação, de 3% a 4%. A falta de crédito também prejudica as exportadoras de equipamentos. Ainda de acordo com a Abimaq, o país é o único do mundo que não oferece financiamento com prazos compatíveis com a depreciação das máquinas para os compradores internacionais de nossos produtos.

    Uma polêmica começa a ganhar força e pode se transformar em assunto obrigatório para os fabricantes de bens de capital nos próximos meses. O governo Temer deu início a estudos para reduzir de 14% para 4% a incidência de impostos sobre máquinas e equipamentos importados em um período de quatro anos. O economista Paulo Guedes, que se tornou o czar da economia, durante a campanha eleitoral se mostrou bastante simpático e prometeu levar adiante a ideia, talvez em prazo ainda mais apertado.

    Plástico Moderno, Marchesan: proteção tributária não compensa o Custo Brasil

    Marchesan: proteção tributária não compensa o Custo Brasil

    Desde a posse do novo governo até o momento nenhuma medida concreta foi anunciada nesse sentido, mas a iniciativa é vista com desconfiança pelos fabricantes nacionais. João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq, em editorial publicado no site da associação, lembrou que os custos da produção no Brasil, em relação aos dos principais concorrentes externos, são atualmente trinta pontos percentuais superiores. Ele defende que a tarifa média brasileira deveria ser de 21%, apenas para compensar o fato de que fabricar equipamentos aqui é mais caro do que lá fora. Em resumo, para ele a produção brasileira, com tarifa nominal média ao redor de 14%, não está sendo efetivamente protegida. “As acusações de que as tarifas de importação são altas levam em conta os valores nominais do imposto, quando, na realidade, face ao elevado custo Brasil, elas são um verdadeiro subsídio às importações, fato comprovado pelos enormes déficits na balança comercial dos manufaturados em períodos de crescimento do país”.

    Para Marchesan, por questão de bom senso, a prioridade a ser enfrentada pelo próximo governo dentro de agenda de competitividade é a redução sistemática do custo Brasil. É necessário promover uma reforma tributária capaz de simplificar o sistema e redistribuir impostos entre os diversos setores. Ele também apoia a redução dos juros reais de mercado ao nível dos concorrentes. “Depois disso, pode-se discutir a abertura do mercado, de forma negociada”.

    Resultados – Os ganhos obtidos pelos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos de janeiro a outubro de 2018 apresentaram melhora em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado se deveu muito ao efeito das exportações, que cresceram em quantidade de máquinas vendidas e com a valorização do câmbio. O mercado interno mostrou alguns sinais de recuperação, praticamente deixando de influenciar negativamente na obtenção de receitas. Não existem dados oficiais específicos sobre o mercado de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico.

    A receita líquida total do setor no período foi de R$ 78,1 bilhões, valor 7,0% superior ao do mesmo período do ano anterior. O valor obtido com vendas representou 53% do total, com acréscimo de 0,3% sobre o ano anterior. As exportações chegaram a US$ 9,7 bilhões, com alta superior a 10%. O nível de utilização da capacidade instalada foi de 75,0%, cinco pontos percentuais acima de 2017. Também houve melhora no número de empregos, que atingiu a casa dos 302 mil trabalhadores, com crescimento de quase 10 mil vagas.

    No quesito exportações, algumas ressalvas merecem ser observadas. Quase a metade das vendas de máquinas e equipamentos brasileiros (46%) tiveram como destino os Estados Unidos e a Europa. Das vendas ao exterior, 37,2% foram remetidas para a América Latina e 16,8% para os demais destinos. As exportações para América Latina e Mercosul registraram queda de 8,6% e 18,2%, respectivamente, influenciadas, principalmente, pela redução das compras realizadas pela Argentina, que enfrenta forte crise. As vendas para esse país recuaram 31% no ano passado.

    Houve crescimento das vendas internacionais em quase todos os tipos de máquinas e equipamentos. A única exceção foi para o setor fabricante de Máquinas para a Indústria de Transformação que acumulou no período queda de 7,2%, justamente no qual se enquadram os produtos voltados para a indústria do plástico.



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