Plásticos (Resinas, Aditivos, Máquinas e Mercado)

Plásticos: Transformação de plásticos abre mercados para compensar retração dos clientes usuais – Perspectivas 2016

Jose P. Sant Anna
6 de abril de 2016
    -(reset)+

    Dólar em alta – A forte desvalorização do real influencia de forma ambígua a indústria da transformação do plástico. Há contras e prós. O lado negativo não é desprezível. A cotação em alta da moeda norte americana provoca reflexo indesejável. “Os preços das matérias-primas estão atrelados ao dólar, o câmbio impacta os custos do nosso setor de forma negativa”.

    O lado positivo aparece nos números do comércio exterior. Crescem as oportunidades dos transformadores nacionais realizarem exportações e as vendas de outros países para o mercado nacional são inibidas. Os primeiros resultados desses fenômenos deram o ar da graça no ano passado. “A alta do dólar melhorou as exportações de transformados plásticos, que cresceu 9,2% em 2015. Por outro lado, as importações recuaram 13,8%”, informa.

    Para Roriz Coelho, no entanto, a evolução favorável não permite comemorações entusiasmadas. Ele aponta que o déficit comercial vinha em forte crescimento nos últimos anos. A tendência para 2016 é de nova redução do déficit, mas é difícil calcular em qual escala. “Do total produzido pelo setor, apenas 6% é exportado, um indicador baixo, quando comparado com o potencial médio de exportação do setor, que é de 5% a 20%”.

    O dirigente chama a atenção para outro dado. Em peso, o Coeficiente de Importação, que mede a presença de produtos importados no mercado interno, permaneceu praticamente inalterado, saindo de 10,7 para 10,4. “Isto reflete que o recuo das importações deveu-se muito mais à redução da demanda brasileira por produtos transformados plásticos do que à substituição das importações”.

    Algumas medidas vêm sendo tomadas para incentivar as vendas para outros países. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lançou o “Plano Nacional de Exportações 2015-2018”, com objetivo de estimular a retomada do crescimento econômico. “Concordamos com o conceito da iniciativa. Será preciso, entretanto, enfrentar problemas estruturais que impactam nossa competitividade no mercado internacional”, ressalta o presidente da Abiplast.

    Entre os problemas, por exemplo, o dirigente aponta a cobrança de tarifas antidumping sobre importações em drawback, regime aduaneiro que concede aos seus beneficiários vantagens tributárias para matérias primas adquiridas para a produção de bens de maior valor agregado destinados à exportação. Outra medida defendida é a da instituição correta do programa Reintegra, cujo objetivo é retirar o acúmulo de imposto sobre produtos exportados.

    “Também é preciso ser mais agressivo na participação em acordos internacionais e abertura de novos mercados. Além disso, temos uma lógica de proteção tarifária equivocada. Os setores produtores de matérias-primas contam com proteção muito maior do que produtos de maior valor adicionado, instrumentos de defesa comercial são aplicados em grande parte para os fornecedores de matérias-primas, monopólios e oligopólios”, queixa-se.

    Outro esforço para incentivar as vendas externas fica por conta do Programa de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa pioneira da Braskem e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Lançado em 2013, ele apresenta propostas para a melhoria continuada nas exportações e na qualificação e inovação do setor (leia box).

    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Plásticos: Transformação de plásticos abre mercados para compensar retração dos clientes usuais ©QD Foto: Shutterstock

    Adeus ano velho – O ano de 2015 não vai deixar nenhuma saudade. As indústrias ligadas ao setor passaram por momentos difíceis. “Os níveis de produção de 2015 se aproximam aos de 2008. A demanda brasileira caiu 9,6%”, informa Roriz Coelho. A produção física ficou na casa das 5,70 milhões de toneladas, com recuo de 8,5% em relação as 6,24 milhões fabricadas em 2014. Por conta da queda de produção, foram fechados mais de 23 mil postos de trabalho. “Em 2015, o investimento da indústria de transformados plásticos caiu 32%”.

    A balança comercial brasileira ficou com déficit de US$ 1,9 bilhão. Em volume, 405 mil toneladas de transformados plásticos. O resultado quebra uma sequência de elevação do déficit da balança comercial iniciada desde os primeiros anos do século. Em 2014, ele havia ficado na casa das 540 mil toneladas, e em 2013, 486 mil. Em 2007, esse número estava na casa das 78 mil toneladas.

    As exportações cresceram 9,2% em 2015, chegando a um total de 258 mil toneladas, contra 238 mil toneladas vendidas em 2014. A título de comparação, em 2007, as vendas para o exterior ficaram na casa das 333 mil toneladas. Em 2013, foram 246 mil toneladas. As importações no ano passado somaram 663 mil toneladas, com recuo de 13,8% frente a 2014, quando entraram no Brasil 778 mil toneladas. Em 2007 foram importadas 411 mil toneladas e, em 2013, 731 mil toneladas.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *