Torres de resfriamento: Fabricantes se preparam para atender nova onda de pedidos

Química e Derivados,Torres de resfriamento: Fabricantes se preparam para atender nova onda de pedidos
Dois anos de vendas abaixo da expectativa inibem projetos de expansão dos fabricantes de torres de resfriamento, mas a perspectiva atual é de retomada dos negócios depois das eleições. Enquanto aguardam nova onda de encomendas, os fabricantes se mantêm atualizados nas tecnologias de estruturas e de enchimentos das torres, aliando novos desenhos dos equipamentos com aumento de eficiência operacional e redução de custos.

Química e Derivados, Torre de resfriamento nova, construída pela HPT que...
Torre de resfriamento nova, construída pela HPT que…

Em 2012, a HPT, empresa paulista que atua no mercado de torres de resfriamento, tinha planos de ampliar a capacidade de produção de sua fábrica em Mauá, na Grande São Paulo. Antes de iniciar as obras, a direção da companhia decidiu contratar uma pesquisa de mercado para dimensionar o potencial do negócio. A pesquisa avaliou o mercado brasileiro de torres novas de resfriamento em R$ 200 milhões ao ano, sem contar as oportunidades geradas em serviços de manutenção e reformas de torres antigas. No início daquele ano, governo e mesmo economistas do mercado financeiro projetavam um crescimento anual do PIB ao ritmo de 4% por um período de cinco anos, o que deveria impulsionar os investimentos industriais e, portanto, as encomendas de novas torres. Com esse diagnóstico em mãos, a companhia se sentiu confiante em iniciar a planejada expansão. Hoje, porém, os investimentos em Mauá estão paralisados, a empresa optou por aguardar uma melhora no mercado para retomar a obra. “Desde 2012 as encomendas de torres novas caíram em 50%, o que não justifica, por ora, o investimento”, diz o diretor-executivo Carlos Augusto Poli.

Química e Derivados, ...também reforma equipamentos, como este, da Sabesp
…também reforma equipamentos, como este, da Sabesp

A HPT foi criada em 2000 tendo como foco inicial a atuação nos segmentos de manutenção e reforma de torres de resfriamento. Com o tempo, passou a dedicar-se também a construção de torres novas, mas com estratégias distintas para cada segmento de mercado. No segmento de torres pequenas, de até 10 m², destinadas principalmente às indústrias de transformação de plásticos, brinquedos e alimentos, as torres HPT já são fabricadas na unidade de Mauá. As torres de grande porte, acima de 100 m², utilizadas por petroquímicas e siderúrgicas, por exemplo, a HPT atua realizando reformas e, no caso de torres novas, elas são erguidas no próprio sítio do cliente. A expansão da fábrica em Mauá, relata Carlos Poli, teria como objetivo incorporar a produção de torres de médio porte, entre 10 m² e 100 m², destinadas, por exemplo, a clientes da indústria química e automobilística. Atualmente a HPT terceiriza a fabricação dessas torres.

Poli relata que o sinal vermelho para a expansão da fábrica foi dado em meados de 2013, com parte da obra já executada. “O crescimento do mercado de torres de resfriamento foi negativo em 2013 e houve quedas também no número de propostas solicitadas; em 2014 há uma retomada na solicitação de propostas, mas as encomendas continuam devagar”, diz o executivo. Na sua visão, o mercado está represado, os industriais estão com medo de investir, mas ele acredita que o clima de negócios mudará após as eleições. “Em 2015 devem prevalecer os serviços de reparação em parques industriais mais maduros, com recapacitações e reformas, em razão do grande represamento de investimentos em expansão industrial que têm ocorrido nos últimos três anos. As encomendas de novos equipamentos ainda devem continuar em baixa”, acredita. Para o médio prazo, as perspectivas são mais animadoras, na avaliação do executivo. “Acho que teremos uma avalanche de encomendas nos próximos anos”, diz.

Alguns dos principais fabricantes de torres de resfriamento do país apresentam números um pouco diferentes dos apresentados pela HPT sobre o mercado brasileiro atual, mas não diferem em relação à percepção de que as encomendas estão aquém do potencial do país. Calimério Garcia Filho e Paulo Wilson Carneiro, respectivamente diretores comercial e técnico da Vettor, avaliam o mercado brasileiro de torres de resfriamento em R$ 250 milhões anuais, envolvendo encomendas de torres novas, reformas e serviços de manutenção. “A Vettor cresceu em 2013, conquistando espaço de concorrentes. Mas o mercado como um todo não cresceu. Em 2014 já podemos afirmar que o mercado não vai ser bom. Copa, eleições e política econômica paralisam os negócios. Para 2015, as perspectivas não são das melhores”, diz Calimério Garcia.

Química e Derivados, Torre da Vettor alia resistência mecânica à eficiência térmica
Torre da Vettor alia resistência mecânica à eficiência térmica

A Vettor é uma empresa com 15 anos de mercado e um parque instalado de três mil torres novas, com presença forte no segmento de torres para a indústria de açúcar e álcool. “As usinas não estão investindo e estamos nos dedicando a fortalecer nossa presença em outros setores”, diz o diretor comercial. Também as exportações estão mais fracas, devido à valorização do real frente ao dólar. A Vettor atua no mercado internacional indiretamente, fornecendo torres de resfriamento para empresas brasileiras que fornecem usinas completas de açúcar e álcool para clientes na América Latina e Caribe, mas agora planeja estabelecer uma rede própria de representantes para realizar vendas diretamente aos clientes finais. A primeira representação foi estabelecida na Colômbia e já resultou em dois contratos. A meta agora é repetir a estratégia nos países do Cone Sul.

Curiosamente, a Körper Equipamentos aponta os negócios nos mercados de açúcar e álcool e geração de energia como os de melhor desempenho em 2013 e 2014. Hamilton Narlin Lista, diretor técnico e comercial da companhia criada em 1986 e detentora de uma das mais extensas linhas de produtos do setor no país, diz que as encomendas de torres de resfriamento pela indústria de transformação apresentaram uma retração bastante significativa no ano passado. “Fazendo uma avaliação dos nossos resultados de 2013, podemos dizer que não houve crescimento em relação ao ano anterior. Notamos que a retração da indústria de transformação acabou sendo absorvida pelos mercados do agronegócio, principalmente no segmento de açúcar e álcool, além do mercado de geração de energia; esses são os mercados que têm se mostrado mais promissores em meio à estagnação dos demais. Para 2014, levando-se em consideração a sua atipicidade por conta dos eventos nacionais, as expectativas são de, minimamente, manter os mesmos resultados”, diz o executivo.

Segundo Lista, numa situação normal de mercado, o negócio de manutenção e reforma de equipamentos pode chegar a 10% do valor mensal de vendas da Körper. “Porém, diante da atual situação de mercado, com restrições e aumento significativo dos juros para obtenção de novos financiamentos, é notável o aumento na busca dos serviços de manutenção e reformas de equipamentos”, afirma. Calimério Garcia, da Vettor, também relata uma expansão dos trabalhos voltados para reformas. “Normalmente isso representa 20% dos nossos negócios, mas desde 2013 tem gerado 25% a 30% do faturamento”, afirma.

Na Alpina Equipamentos Industriais, as torres novas representam hoje 70% do faturamento, enquanto na HPT é o inverso. Antonio Chiachia, gerente comercial da Alpina, estima o mercado atual de torres novas em R$ 120 milhões, mas faz uma ressalva. Uma encomenda de torre de grande porte gera receita entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. Portanto, bastam poucas vendas desse porte para alterar rapidamente o cenário. Chiachia relata um bom desempenho da Alpina em 2013, com um crescimento de 4,7% no faturamento. Número que a companhia planeja repetir esse ano, caso se confirmem as consultas de projetos já realizadas no primeiro semestre. “Nosso crescimento tem sido puxado pelos negócios em torres de pequeno e médio porte, principalmente por encomendas de shopping centers e edifícios comerciais ou obras de infraestrutura ligadas à Copa do Mundo”, diz o executivo. No caso dos empreendimentos comerciais, a principal aplicação das torres reside no resfriamento de estruturas de ar condicionado.

A Alpina é uma empresa sexagenária, mas que manteve por 35 anos um acordo de cooperação técnica com a alemã Balcke Dürr. O acordo foi descontinuado em 2007 e, no ano seguinte, a empresa, como todo o mercado, sofreu os efeitos da crise financeira global de 2008. Chiachia diz que esses dois fatores levaram a companhia a promover uma reestruturação em suas atividades, que ainda está em curso. “Estamos fazendo fortes investimentos para o desenvolvimento de tecnologia própria, inovando processos de fabricação e criando equipamentos com desenhos mais adequados ao mercado atual”, diz o executivo.

Segundo Chiachia, hoje os clientes estão muito preocupados com os preços dos equipamentos, o que vem exigindo, por exemplo, buscar soluções de peças terceirizadas e repensar o design para gerar economias. “Nossa estratégia é desenvolver soluções competitivas, mas que mantenham a qualidade e a robustez dos equipamentos”, diz. Do ponto de vista comercial, a estratégia também abrange apresentar um leque amplo de equipamentos para a atuação em diversos segmentos de mercado e também reforçar a presença internacional por meio de representantes comercias na América Latina e África e de vendas para empresas brasileiras responsáveis pela implementação de projetos de usinas de açúcar e álcool no exterior.

Produzidas sob demanda – As torres de resfriamento são equipamentos críticos para indústrias que possuem uma fase quente em seu processo produtivo, como as indústrias químicas, petroquímicas, refinarias de petróleo, siderúrgicas, metalúrgicas, fábricas de alimentos, vidros, papel e celulose, transformadores plásticos e usinas de açúcar e álcool. A função do equipamento, como o próprio nome diz, é dissipar rapidamente o calor gerado no processo produtivo. O método de resfriamento mais convencional utiliza água fria como fluido de troca de calor. Essa água, por sua vez, precisa ser resfriada para retornar ao processo. Para isso, a água percorre um circuito onde entra em contato com o ar; a ventilação pode ser natural ou, mais provável, gerada de forma mecânica por ventiladores, que aceleram o processo.

Há duas soluções distintas para o encaminhamento do ar e da água pela torre de resfriamento. O sistema de corrente cruzada, no qual a água cai verticalmente através do enchimento enquanto o ar o atravessa horizontalmente. No sistema contracorrente, enquanto a água cai, o ar sobe pela vertical. É o sistema atualmente predominante, por ser mais eficiente na troca de calor.

A encomenda de uma torre de resfriamento é um processo técnico que leva em consideração vários fatores, além do aspecto financeiro, como a vazão e a temperatura da água, bem como a sua qualidade, uma vez que a presença de microorganismos pode gerar incrustações e contaminações; a qualidade do ar, que pode conter partículas suspensas; o perfil do terreno onde será instalado o equipamento; a disponibilidade e o custo da energia elétrica, insumo necessário para o acionamento de ventiladores e de bombas de água.

Uma decisão importante a tomar está relacionada ao material que será utilizado na estrutura construtiva. As torres de grande porte pioneiras eram construídas de madeira e muitas delas ainda operam. Essa opção é cada vez menos frequente, devido à baixa disponibilidade do material obtido de acordo com a legislação ambiental e também por restrições técnicas, como o favorecimento à proliferação de micro-organismos que se alimentam da celulose. Com o tempo, a madeira foi substituída nas torres de resfriamento por dois outros materiais. Um deles é aço carbono, cujo inconveniente, mesmo quando galvanizado ou coberto com tinta epóxi, é sua pouca resistência à corrosão, fato que pode ser muito problemático, dependendo da qualidade da água utilizada. O outro material de estrutura é o concreto armado, que demanda tempo maior de instalação e apresenta custos mais elevados em relação ao aço. As estruturas de concreto também são vulneráveis a ataques corrosivos, principalmente nas ferragens.

O avanço da fibra de vidro – Uma tendência que ganha corpo no mercado é o uso da fibra de vidro pultrudada na estrutura construtiva. A pultrusão é um processo de fabricação em modo contínuo de perfis de fibras e resinas termoendurecidas, no qual o material é puxado por meio de um molde. O aquecimento do molde provoca a polimerização, ou seja, a cura, da resina durante a passagem no seu interior. O material resultante apresenta alta resistência física e química, além de flexibilidade. Paulo Carneiro, da Vettor, diz que as fibras pultrudadas começaram a ser utilizadas nas estruturas de torres de refrigeração há uns sete anos nos Estados Unidos e na Europa, e há uns cinco anos no Brasil, sendo cada vez mais requisitado.

“É um material com características semelhantes ao aço, porém mais resistente à corrosão, dispensa tratamento como a galvanização e ainda é mais leve, o que facilita a montagem”, diz. No entanto, informa Carneiro, as estruturas feitas de fibra de vidro pultrudada apresentam um custo inicial duas vezes superior ao do aço galvanizado. Porém, com uma vida útil maior. “Expostos às mesmas condições, uma torre bem cuidada que tem vida útil de até 15 anos quando construída com estrutura de aço galvanizado, chega fácil a 30 ou 40 anos com a fibra de vidro”, compara. No Brasil, diz Carneiro, o custo inicial é fator decisivo na aquisição de equipamentos, retardando a maior participação da fibra de vidro em torres novas. Mas o material já é bastante utilizado na reforma de estruturas, substituindo partes originais de aço, madeira e concreto.

São dois os tipos predominantes de enchimento das torres de resfriamento. O mais tradicional é o tipo respingamento, composto por barras normalmente fabricadas com PVC extrudado, na forma de tubos de perfil triangular ou retangular ou de barras chatas perfuradas, com grande espaçamento vertical e horizontal entre elas. A eficiência do resfriamento não é boa, mas esse enchimento apresenta uma boa tolerância à água contaminada e com alta concentração de sólidos. Há 20 anos, porém, ganha força no mercado o uso do enchimento tipo filme, composto por blocos formados por folhas de PVC termoformadas, de canais cruzados, offset ou verticais, ou grandes canais cruzados de polipropileno (PP) injetados. Os enchimentos tipo filme são considerados mais eficientes na troca de calor por apresentar uma superfície maior de contato entre ar e água. Por outro lado, são mais vulneráveis a resíduos sólidos, exigindo, portanto, dependendo da qualidade da água do processo, maior preocupação com a manutenção do sistema. Essa característica faz com que ainda hoje as torres de respingamento prevaleçam nas torres de resfriamento dedicadas ao setor de açúcar e álcool e divida espaço com os enchimentos tipo filme nos mercados de refino de petróleo e petroquímica.

Inovação – Os avanços tecnológicos nas estruturas construtivas e nos enchimentos das torres de resfriamento são globais e incorporados por praticamente todos fabricantes. Mas cada fornecedor do equipamento busca gerar inovações próprias, para se diferenciar. Paulo Wilson Carneiro relata que um dos principais desenvolvimentos realizados pela Vettor nos últimos anos foi a torre com deck piramidal com até 210 m² por célula.  Segundo o diretor técnico da companhia, em uma torre tradicional com deck plano, ou seja, transitável, os custos são maiores por causa da forma construtiva que consome mais material tanto no fechamento lateral, que é mais alto que na torre de deck cônico ou piramidal, quanto em todo o assoalhado do deck. Além disso, há necessidade de um chassi integral para suportar o motor elétrico e um redutor de velocidades, além de um eixo de transmissão (cardan), pois o motor fica do lado externo do difusor do ventilador. O modelo, porém, apresenta a vantagem de facilitar o acesso ao motor e a possibilidade de circulação por toda a área superior da torre.

Por sua vez, a torre com deck piramidal não possui um deck transitável. O acesso ao interior é feito em um nível abaixo do topo para se atingir o equipamento mecânico. Nesse caso, o equipamento tem acoplamento direto motor-redutor, eliminando-se o eixo de transmissão e o chassi integral. “Em função da forma construtiva e do tipo de equipamento mecânico, o custo é muito menor que o de uma torre com deck plano, inclusive os custos de montagem e transporte dos materiais até a obra”, diz Carneiro. Segundo o executivo, existem no mercado torres cônicas com até 120 m², que também geram economia em relação às com deck plano, mas as torres piramidais da Vettor são as únicas que chegam a 210 m² por célula.

Química e Derivados, Torre de grande porte em construção para siderúrgica, da HTP
Torre de grande porte em construção para siderúrgica, da HTP

Hamilton Lista, da Körper, diz que a companhia busca constantemente desenvolver equipamentos mais modernos e com maior eficiência energética. Um exemplo é a utilização em quase todos os projetos de inversores de freqüência nos sistemas de ventiladores e bombas, que geram resultados significativos, sendo que a economia de energia pode chegar a 50% ou 60%. Além disso, a empresa está atenta a inovações, tanto no mercado local quanto no externo, em componentes que gerem mais economia ao processo. Outra característica da empresa, segundo o executivo, é a versatilidade na busca de soluções que melhor atendam a demanda dos clientes. “Avaliamos diversos aspectos, como tipo de aplicação, temperatura de água desejada, local da instalação, disponibilidade de recursos hídricos, energéticos e financeiros na busca do melhor custo benefício para o cliente”, diz.

As soluções apresentadas pela companhia aos clientes podem envolver desde torres de resfriamento tradicionais, ou ainda alternativas como os resfriadores de circuito fechado, onde o processo de resfriamento acontece dentro de um trocador de calor interno, formado por tubos de aço inoxidável, aço galvanizado ou cobre. O sistema apresenta menor consumo de água e é indicado principalmente para industrias que necessitam impedir a contaminação da água resfriada. A Körper também trabalha com torres de resfriamento secas, os chamados dry coolers, que utilizam o resfriamento a ar, no qual o objetivo principal é reduzir o consumo de água e manter preservadas as características do fluido resfriado. Outra linha de soluções oferecidas pela companhia é a unidade de água gelada e chillers, que é indicada para processos que requerem temperaturas abaixo de 25ºC.

Já Carlos Poli, da HPT, diz que a principal característica da companhia é sua estratégia comercial transparente, que permite a participação do cliente no desenvolvimento do projeto, e a busca de soluções específicas para cada caso. Nos empenhamos em selecionar com exatidão as necessidades dos clientes e não hesitamos em aplicar componentes importados de alta capacidade para assegurar o desempenho do projeto”, afirma.

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