Química

Tio2: Suprimento apertado eleva preço

Marcelo Fairbanks
5 de outubro de 2004
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    “Um bom extender também custa caro”, mencionou. Além disso, as tintas econômicas já incorporam tantas cargas minerais que acabam funcionando como extenders, não havendo mais como substituir a pequena quantidade restante do pigmento.

    Marino aponta a distribuição de mercado atual de TiO2 no Brasil em 71% para tintas, 25% para plásticos e os 4% restantes espalhados em aplicações diversas. Antes de 2001, as tintas ficavam com 75%, e os plásticos com 21%. Nos EUA, as tintas consomem 55% do pigmento, os plásticos 21% e papel (com outros), 21%. “Os tipos de papel feitos no Brasil usam mais o caulim nacional, que é alvo, do que o titânio, mais indicado para papéis tipo bíblia e laminados, mais exigentes”, explicou. A tendência apontada é a redução relativa do consumo na área de tintas, com aumento do uso em plásticos.

    Avanços – No Brasil, a Millennium mantém operação integrada de mineração e industrialização do TiO2 . Embora não tenha aumentado a capacidade produtiva, a empresa investiu na modernização do sistema de obtenção de ilmenita, usando dragagem mais produtiva e menos agressiva ao meio ambiente. “Conseguimos melhorar nossos indicadores ambientais e também a confiabilidade da fábrica, que passou a operar em campanhas mais longas”, informou Marino.

    A conversão da calcinação de óleo pesado para gás natural abateu emissão de poluentes e, de quebra, melhorou a qualidade do pigmento, pela eliminação da contaminação com cinzas, além de ser mais econômico. Quanto ao principal resíduo, o óxido ferroso, ele está sendo aproveitado pela Kemwater para a produção de óxido férrico, de largo emprego no tratamento de águas.

    Atualmente, a Millennium estuda a fusão de negócios com a Lyondell, operação já aprovada pelo FTC (Federal Trade Comission, órgão de defesa da concorrência nos EUA) e SEC (Securities Exchange Comission, que cuida das transações com valores mobiliários naquele país), porém falta a aprovação final pelas assembléias de acionistas, que serão realizadas em dezembro. Aparentemente, tende-se a usar o nome Lyondell para todos os negócios mundiais. Marino explica que, no caso brasileiro, existe a possibilidade de se abrir uma exceção, pois a subsidiária local conta com 28% de participação no capital em poder de terceiros, negociados em bolsas de valores.

    “Temos um pipeline de desenvolvimento que nos permite estar sempre inovando”, comentou Barboza, da Du Pont. Ele mencionou o fato de a companhia buscar a troca de informações com clientes para identificar necessidades e convertê-las em oportunidades de negócios. Nas últimas décadas, o TiO2 evoluiu muito em termos de capacidade de dispersão, inicialmente obtida com variações de granulometria. Atualmente, os esforços são direcionados para os tratamentos químicos da superfície das partículas, de modo a oferecer diferentes atributos. “É difícil, porém não impossível, aprimorar a linha”, considerou, salientando que alguns grades de TiO2 estão no mercado há mais de 30 anos e ainda são requisitados pelos clientes.

    Tratamento superficial é o forte da Kronos. “A granulometria já chegou a um padrão de partículas entre 250 e 260 nanômetros, mas com o tratamento superficial com zircônio, por exemplo, é possível melhorar a dispersabilidade, reduzir a abrasão e ampliar a resistência ao intemperismo”, explicou Ahlemeyer. Os tratamentos melhoram os fatores de processo do pigmento, mas pouco influem no poder de cobertura, ou seja, não reduzem o volume do material na formulação.

    A reprodutibilidade dos efeitos apresentados pelo material é essencial, por exemplo, no caso dos sistemas tintométricos (as chamdas mix machines). “Essas formulações não podem ser alteradas durante anos”, afirmou Ana Paula. Qualquer mudança na tinta de base, ou nos concentrados coloridos, pode provocar resultados desastrosos. A especificação rigidamente controlada é requisito importante de negócios. No caso da Kronos, o portfólio inclui brancos especiais para plásticos, linhas de abrasividade reduzida para tintas gráficas e máquinas de papel, e até TiO2 com aprovação food grade, para uso em alimentos ou cremes dentifrícios.



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