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Química

Tio2: Suprimento apertado eleva preço

Marcelo Fairbanks
5 de outubro de 2004
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    O diretor da Millennium considera que ainda há excesso de capacidade produtiva do material ao redor do mundo, mantendo baixos os preços reais (descontada a inflação americana). O problema é a sua má distribuição geográfica e o fato de não acompanhar o deslocamento da indústria para os países em desenvolvimento. “De todos os continentes, o único com excedentes exportáveis é a Europa, onde os problemas ambientais limitam operações e a moeda, superfortalecida (o euro) encarece as exportações”, avaliou. A América do Norte pode ser considerada como equilibrada em termos de oferta e demanda. Já a América Latina (exceto México) precisa importar de 80 mil a 90 mil t/ano, enquanto a Ásia importa muito mais de 120 mil t/ano.

    Com isso, a pressão de mercado recaiu sobre as linhas usuárias da via sulfato. “Nós só temos três fábricas nessa via, a brasileira e as que compramos da Rhodia”, disse. Cerca de 40% da capacidade produtiva mundial de TiO2 está baseada na via sulfato, percentual que poderá ser reduzido.

    Embora o mercado possa ser classificado como “apertado”, os fornecedores ainda não falam em instituir mecanismos de alocação, como o regime de quotas. Apesar disso, todos são bastante claros: pedidos muito maiores que as médias programadas dificilmente serão atendidos.

    Por trabalhar exclusivamente com importação de tipos acabados, a Degussa recomenda aos clientes programar bem as compras. “Os pedidos já estão sendo antecipados, o que nos dá melhores condições de garantir o suprimento”, explicou Ana Paula Rezende. Neste ano, os negócios com TiO2 cresceram 30% até setembro, em relação a 2003. Em boa parte, esse resultado se deve à precaução da chefe de produto, que formou estoque maior do que o habitual no começo do ano ao notar sinais de recuperação de demanda mundial. “No caso brasileiro, é preciso considerar também que o porto de Santos teve momentos difíceis neste ano, que provocaram o atraso na entrega de produtos importados por outros fornecedores, abrindo para nós a possibilidade de venda de contratipos”, informou. Mesmo a previdência de Ana Paula não foi capaz de impedir casos de dificuldade de suprimento de alguns tipos específicos, que tiveram crescimento de demanda anormal.

    Pela Du Pont, Barboza acredita ser possível evitar a imposição de quotas de produtos por meio de medidas de ajustes negociados no regime de entrega. “Muitas vezes se consegue ajustar a demanda à oferta por meio de parcelamento dos pedidos”, exemplificou. Mas fica claro que os clientes fiéis serão considerados prioritários.

    Cadeia racional – Sem ampliação significativa das capacidades de produção, toda a cadeia de consumo precisa buscar formas de aumentar a eficiência no aproveitamento do material. Do lado das fábricas, medidas como a redução no números de tipos produzidos, com a especialização de unidades, ajuda a ganhar algum fôlego. Em Uberaba, por exemplo, a Du Pont só produz um tipo, o R-902. “Temos em estoque cerca de 280 itens diferentes”, disse Marino, da Millennium, salientando que o número está sendo reduzido.

    Do ponto de vista dos usuários, muito já foi feito. O uso de extenders, materiais capazes de reduzir o uso do TiO2 sem prejuízo do resultado final, já é explorado ao máximo. “A indústria nacional de tintas já sofreu muito com as variações cambiais, adaptou seu mix de produtos e formulações para as condições de mercado e não deve mexer mais”, comentou Marino. Ele estima que tintas imobiliárias do tipo premium incluam de 20% a 22% de TiO2, enquanto as tintas de qualidade média fiquem próximas de 14%, e as populares, com 7% a 8%.

    Esses percentuais são semelhantes aos mencionados pelos demais fornecedores, que ressaltam o impacto da chamada “segunda linha” no mercado local. “A participação das tintas de baixa qualidade no País é bem maior do observado em outros lugares, mesmo na América Latina”, afirmou Barboza, da Du Pont. A tendência do uso dessas linhas “econômicas” teria encontrado um limite, apontando para uma reversão, apoiadas pela recente exigências de padrões mínimos de cobertura.

    “Quando o titânio fica mais caro, o uso dos extenders aumenta, mas eles só conseguem substituir, no máximo, 30% do TiO2 sem prejudicar a qualidade final das tintas”, afirmou Ana Paula Rezende, da Degussa. As resinas apresentam índice de refração da luz muito próximo ao da água, ou seja, são originalmente transparentes. Óxidos metálicos são adicionados para torná-las opacas, bloqueando a passagem da luz. “De todos os óxidos, o do titânio é o que mais impede a passagem da luz, ou seja, cobre melhor”, explicou Ahlemeyer.

    Os extenders são materiais de partículas pequenas, capazes de se ligar às partículas do TiO2, afastando-as entre si. “Imagine uma caixa cheia de bolas de tênis à qual se adicionassem bolas de gude”, sugeriu, por analogia, o gerente de negócios. Além de um certo limite, as partículas do pigmento ficam distantes demais para bloquear totalmente a luz, daí a impossibilidade de substituição maior.

    Conhecidos há mais de cinqüenta anos, os extenders como caulim, carbonato de cálcio precipitado, fosfatos de alumínio e silicoaluminato de sódio (este, inclusive, fornecido pela Degussa) podem apresentar alguma redução de custo com o TiO2, mas representam inconvenientes para os formuladores. Ahlemeyer cita, como exemplos, a piora na lavabilidade da película seca, contaminação microbiológica (principalmente se usado extender natural) e a perda de brilho superficial.



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