Química

Tio2: Suprimento apertado eleva preço

Marcelo Fairbanks
5 de outubro de 2004
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    “Em geral, quando o mercado está com suprimento apertado, os clientes apelam para fornecedores de origens não usuais, como a Ucrânia, de onde vêm produtos com forte resíduo de ferro”, comentou Ana Paula Rezende, chefe de produto da área de cargas avançadas e pigmentos da Degussa Brasil. Esses pigmentos podem ser usados normalmente nas aplicações não-brancas e nas brancas de baixa exigência por parte dos clientes.

    Química e Derivados: Tio2: Ahlemeyer - imposto de importação agrava a situação dos consumidores. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ahlemeyer – imposto de importação agrava a situação dos consumidores.

    Concentrando seus negócios com linhas especiais da Kronos, a Degusssa tem focado clientes mais exigentes, como fabricantes de tintas gráficas para máquinas impressoras de alta produção, nas quais a abrasividade da tinta é claramente percebida por meio da avaliação do desgaste dos cilindros. Também nas máquinas mais modernas de papel essa característica é valorizada. “Nessas aplicações somos imbatíveis, o cliente percebe a diferença no bolso”, informou.

    Ahlemeyer critica o sistema de proteção aduaneira vigente quanto ao dióxido de titânio, uma vez que a produção local, da antiga Tibrás, hoje controlada pela Millennium, não atende a mais de 50% da demanda nacional. Um produto importado é taxado com 12% de imposto de importação. A Du Pont opera uma unidade de acabamento de pigmento em Uberaba-MG, abastecida com importação de clínquer, taxado a 4%, que representa 60% de suas vendas no País. O restante é importado na forma de produto pronto, taxado com 12%, exceto quando provém do México. Por força de tratado entre os dois países, produtos mexicanos gozam de redução pela metade da alíquota do imposto de importação. “Como a produção local é insuficiente, quem acaba pagando a diferença é o consumidor de tintas, de automóveis, de geladeiras, de papel e outros produtos finais”, criticou.

    Barboza concorda com a crítica, embora se beneficie das alíquotas. “A Du Pont prefere trabalhar em mercados abertos”, afirmou. Para ele, a operação da companhia no Brasil não seria prejudicada com a queda das alíquotas protetivas, por ter sido avaliada e projetada com base nos preços internacionais, sendo bastante competitiva. “Apoiamos a redução de alíquotas, embora ainda não tenhamos identificado nenhum movimento concreto nesse sentido”, disse.

    Química e Derivados: Tio2: Ana Paula - previsão acertada permitiu aumentar vendas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ana Paula – previsão acertada permitiu aumentar vendas.

    Quanto à entrada de produtos de origens variadas, Barboza concorda que elas aumentem em períodos de escassez. “No entanto, essa oferta é pequena e também tende a acabar em curto prazo, pois a falta de produto é generalizada em todo o mundo. A Du Pont analisa planos de investimento em novas capacidades, tanto por ampliação de unidades existentes, quanto pela construção de outras inteiramente novas. A própria fábrica de Uberaba ainda não atingiu a sua capacidade máxima de produção, de 40 mil t/ano de TiO2. “Dependemos da disponibilidade do intermediário, o clínquer, que exigiria ampliar antes as fábricas do México e dos EUA”, informou.

    Consumo local estável – O aumento de quase 20% na demanda nacional de dióxido de titânio de 2004 sobre 2003 pode dar a falsa impressão de crescimento do mercado. “O consumo nacional estagnou há nove anos”, afirmou Ahlemeyer. Ciro Marino concorda e apresenta números: “Em 1999, o mercado nacional era de 121 mil t; para 2004 projetamos o consumo de 125 mil t”, registrou. Barboza, da Du Pont, calcula a demanda para este ano em 120 mil t, com forte concentração no segundo semestre.

    Marino atribui o bom desempenho à recuperação econômica, além do forte crescimento das exportações de concentrados de cor e aditivos para plásticos (masterbatch). “Também ocorre a formação de estoques preventivos em poder dos clientes, temerosos quanto ao aumento dos preços ou quanto ao abastecimento”, considerou, salientando ser este um comportamento normal em qualquer país. Barboza não acredita na formação de estoques significativos. “Levantamos a situação dos clientes e eles não estão estocados”, afirmou. É preciso considerar que manter suprimento para atravessar a fase mais crítica do mercado equivale a uma aposta de alto risco, tanto pela redução de liquidez, quanto pelo custo financeiro, mas também pela possibilidade de os preços recuarem antes do esperado.

    Usualmente, a Millennium atende a quase 50% do mercado brasileiro de dióxido de titânio. Da capacidade instalada de 60 mil t/ano, em Camaçari-BA, são produzidas 55 mil t/ano do TiO2, dos quais apenas 5 mil t/ano são exportadas. Segundo Marino, a empresa importa para o País, em média, de 2 mil a 3 mil t/ano de produtos complementares, geralmente obtidos pela via cloreto e indicados para tintas de acabamento de alta qualidade. “Essa aplicação é restrita no Brasil, pois os preços locais são baixos, inferiores aos praticados no exterior”, comentou. Esses importados não gozam de benefício tributário. Para 2004, a expectativa da Millennium é perder participação relativa de mercado, porque não consegue trazer pigmentos de outras fábricas do grupo para cá. “A Ásia paga melhor”, informou.

    Em 1999, a empresa chegou a estudar a ampliação da fábrica baiana, tendo aprimorado e ampliado a oferta de ilmenita, obtida em mineração própria, na Paraíba. Durante a expansão, a fábrica ficaria paralisada, sendo o mercado local abastecido pela unidade do grupo instalada na França. “Sofremos um ataque da concorrência com preços muito baixos, inclusive com a entrada em cena de outros players, motivos que provocaram o adiamento do projeto”, comentou Marino. Com isso, a unidade francesa precisou cortar 33% de sua produção.



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