Tintas e Revestimentos

Dióxido de titânio – TiO2 – Setor aguarda reestruturação

Marcelo Fairbanks
12 de julho de 2016
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    Química e Derivados,

    Marino: demanda nacional pelo pigmento teve queda acentuada

    A Cristal é a única fabricante nacional de dióxido de titânio, com uma unidade em Camçari-BA capaz de produzir 60 mil t/ano, mas dificilmente esse volume é alcançado.

    Marino informa que o mercado nacional por TiO2 era de 180 mil t/ano até 2014.

    “Em 2015, verificamos uma redução de demanda para 150 mil t, e essa quantidade deve cair em 2016 para perto de 140 mil t, caso a situação atual permaneça estável”, salientou.

    A importação do pigmento é necessária para suprir a demanda interna, e a Abrafati capitaneou nos últimos anos pleitos para redução de alíquota do imposto de importação de 20% para 2%, com sucesso até o ano passado.

    O último acordo firmado com o governo federal durou de maio de 2014 a julho de 2015, e não foi renovado por causa da debilidade financeira da União.

    “Esse acordo se limitava a uma cota de 120 mil t/ano, mas acredito que esse volume sequer tenha sido trazido integralmente no último período”, avaliou Marino.

    Ele explicou o fato de a importação acusar mais rapidamente os efeitos da crise econômica do que a produção local pela perda de previsibilidade dos importadores quanto ao comportamento do mercado.

    “Como as operações internacionais são mais demoradas, a incerteza é muito maior do que comprar do fabricante local”, afirmou. O impacto cambial e de disponibilidade é menor do que nas importações.

    Os preços não apresentaram grandes variações, segundo informou, pois a queda nas cotações internacionais chegou a 40% em dólares, mas a desvalorização do real acompanhou esse percentual, anulando-o.

    “Olhando uma série histórica, verificamos uma estabilidade dos preços do TiO2 desde 2011 até agora”, apontou.

    A produção nacional segue seu ritmo usual, segundo Marino, que identifica alguns problemas a médio prazo.

    “Estamos recebendo informações de que a inadimplência na ponta das cadeias de consumo, ou seja, dos clientes dos nossos clientes, está em crescimento e, como reflexo, os bancos começaram a restringir o crédito, piorando a situação”, comentou.

    Ele salientou que a construção civil é fortemente dependente de financiamento.

    Há alguns anos, a Cristal adotou medidas para reduzir seus custos e racionalizar a atividade desenvolvida no Brasil. Uma das medidas foi reduzir o portfólio de produtos para ampliar a produtividade da planta. “Isso nos fez concentrar a produção nos grades de consumo local, mas nos deixou sem itens exportáveis, embora façamos algumas operações com países vizinhos, aproveitando a facilidade de frete”, explicou.

    O grande pesadelo é garantir a competitividade global da planta baiana, obrigada a suportar o famigerado Custo Brasil. “Temos eletricidade e gás natural a preços muito elevados, problemas de infraestrutura em geral, falta de fretes, além de arcar com uma carga tributária excessiva”, lamentou Marino. Em tempos de crise, como despenca a remessa de bens de consumo da região Sudeste para a Nordeste, faltam caminhões para trazer o pigmento de Camaçari para cá, encarecendo o transporte. Pelo menos, o custo da mão de obra caiu, em relação aos demais sítios da companhia.

    “A variação cambial nos colocou de volta ao nível de outros países, porque, com o dólar a R$ 1,50 estávamos com a mão de obra mais cara do mundo”, afirmou.

    Na atual condição de mercado, Marino identifica que o maior problema dos clientes não é o preço, mas o prazo de pagamento. “O custo do capital de giro no Brasil está muito elevado, por isso os prazos se tornaram tão importantes”, comentou.

    “O mercado vai se arrumar, mais cedo ou mais tarde, por enquanto precisamos ter cautela.”



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    Um Comentário


    1. Daniela

      Aos preços do mercado assim o advinhavam ! Era previsível que chegaríamos aqui , tal como em 2011 chegamos . Crises cíclicas que limpam e fazem acertar a poeira .



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