Química

TIO2 – Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

Marcelo Fairbanks
15 de março de 2010
    -(reset)+

    A Huntsman lançou em setembro o TR-88, um tipo de TiO2 obtido no processo cloro que pode ser usado em sistemas solventes ou aquosos, para formular tintas industriais ou decorativas. “Como esse tipo pode ser usado em vários sistemas, o cliente pode reduzir seu inventário, ou seja, cortar custos”, explicou.

    Nas tintas de impressão, a companhia oferece grades de baixa abrasão, um para alto brilho e outro de alta opacidade. O tipo de alta opacidade pode ser usado em embalagens alimentícias, nas quais é recoberto por um filme plástico que confere o brilho final e impede o contato com o produto embalado. “Estamos estudando um tipo de alto brilho para contato direto com alimentos, que permitirá eliminar o filme de recobrimento”, comentou.

    O mercado brasileiro de tipos especiais de TiO2 não se comportou muito diferente das commodities. “O começo de 2009 foi muito fraco, começou a melhorar no terceiro trimestre, mas não foi possível repetir o excelente desempenho de 2008”, comentou Camila Pecerini, chefe de produto para a América Latina da área de Inorganic Materials da Evonik. A empresa distribui produtos fabricados pela europeia Kronos, com foco nas especialidades para plásticos e tintas (impressão e decorativas). A Evonik mantém estoques locais desses produtos e também atua com negócios Indent com clientes de maior porte. Para a companhia, o TiO2 é estratégico pelo fato de complementar a linha de produtos com a qual atende seus clientes.

    Como explicou, a venda dos tipos especiais é pouco influenciada pelas variações cambiais ou pelo imposto de importação, porque os preços são mais elevados em comparação com as commodities. Eles têm aplicações específicas, dependem de avaliação e aprovação, sendo muitas vezes determinados por normas técnicas. “A venda dos especiais só depende da atividade dos clientes e estamos prevendo que os resultados de 2010 conseguirão igualar os de 2008”, afirmou. Camila avalia o mercado mundial de TiO2 como bem abastecido, sem a possibilidade de escassez, principalmente no caso dos tipos especiais, mesmo com a sensível elevação da demanda global.

    A Evonik lançou no Brasil três tipos criados pela Kronos em 2009. O Kronos 2360 foi desenvolvido para proporcionar elevada resistência a agentes externos e ao intemperismo para superfícies pintadas nas linhas automotiva (original e repintura) e coil coating. O Kronos 2315, indicado para os mesmos segmentos de mercado e também para tintas em pó, tem como diferencial a grande facilidade de dispersão, superior à do tipo 2310 (mais conhecido), propriedade obtida por meio de tratamento superficial. O Kronos 2305 entra nos sistemas de base solvente ou aquosa para tintas eletrostáticas, apresentando menor quantidade de íons solúveis que os insumos tradicionais. “Esses três novos tipos já foram tecnicamente aprovados pelos clientes, mas ainda estão em fase de tratativas comerciais”, disse Camila. Os preços das novidades são similares aos do tipo 2310.

    Química e Derivados, Camila Pecerini, chefe de produto para a América Latina da área de Inorganic Materials da Evonik, TIO2 - Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

    Camila: inovações recentes já foram aprovadas pelos clientes

    Imposto suspenso – O Diário Oficial da União publicou na edição de 12 de fevereiro a Resolução nº 13 da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que reduziu a Tarifa Externa Comum do Mercosul aplicável ao dióxido de titânio tipo rutilo (NCM 3206.11.19) de 12% para zero. A medida entrou em vigor na data da publicação, mas está limitada à importação total de 95 mil t/ano, quantidade praticamente igual à que foi trazida ao Brasil em 2009. A decisão atendeu a um pleito da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati), motivada pelo fato de o único produtor nacional não ter capacidade física para produzir mais de 60 mil t/ano, quantidade insuficiente para atender à demanda nacional estimada em 150 mil t/ano.

    Embora tenha sido comemorada, é possível que os efeitos práticos da redução tributária sejam nulos. “Ficamos um pouco mais competitivos sem os 12%, mas isso não é tão importante a ponto de mudarmos nossa estratégia”, avaliou Antunes. Ele recomenda aguardar a regulamentação dessa medida para verificar como vai ser controlado o ingresso do produto no país antes de qualquer providência. Ele admite a possibilidade de importadores afoitos esgotarem a quota antes do fim do ano, criando problemas para os importadores que mantêm um fluxo mensal constante.

    Além disso, Antunes informou que a existência da alíquota obrigava a Huntsman a praticar um preço de tabela mais baixo para o Brasil, compensando o imposto. “Pode ser que adotemos os mesmos valores adotados para a América Latina e possamos reforçar nosso atendimento e serviços aos clientes”, comentou.

    A Cristal-MIC foi surpreendida pela decisão da Camex. “Tínhamos sido consultados pela Abrafati sobre o pleito, contra o qual manifestamos, ao lado da Abiquim, nosso repúdio”, disse Ciro Marino. “A Camex nunca havia tomado uma iniciativa dessas sem consultar diretamente o fabricante local; isso abre um precedente grave.”

    Marino explicou que 15% das vendas de TiO2 da Cristal no Brasil são supridas com material produzido pela companhia em outros países. A fábrica de Camaçari responde por 85% das vendas nacionais, operando praticamente só para o mercado interno. “Já não tínhamos nenhum estímulo para a produção local e, agora, ficou pior”, lamentou. A parcela importada será beneficiada pela medida, possibilitando homogeneizar os preços de venda em toda a região. “O consumidor não terá nenhuma vantagem”, alertou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *