Química

TIO2 – Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

Marcelo Fairbanks
15 de março de 2010
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    Marino adverte que a “estação” mundial de compras de TiO2 começa em abril e os estoques estão baixos em todo o mundo. “Não é caso para pânico, nem acredito que venha a faltar produto neste ano, até porque não se prevê grande evolução de vendas”, tranquilizou. Ele acredita que, por consequência, o ano terminará com estoques igualmente baixos, situação a se repetir em 2011. “Leva cerca de dois a três anos para que a indústria consiga recompor seus estoques e equilibrar a situação na cadeia produtiva”, calculou. Enquanto isso, pode haver alguma pressão para altas localizadas de preços. Pelos seus dados, os preços do início de 2010 são praticamente os mesmos do final de 2008. “Não adianta comparar com 2009, que foi um ano de ajustes e muita gente ‘queimou’ produto para fazer caixa”, explicou.

    Antunes avalia que os consumos de TiO2 nos EUA e na Europa ainda se mostram débeis, colocando em ritmo frouxo a produção mundial do pigmento. “Em 2009, por exemplo, os EUA apresentaram um consumo abaixo do nível mínimo histórico, e ainda há excedentes no mercado”, comentou. Pelo menos a Ásia atua como importadora líquida do produto. Todos os segmentos compradores relataram queda de atividade, tendência que começou a ser revertida em julho de 2009. Segundo informou, uma fábrica de TiO2 leva cerca de três meses para ser colocada em marcha dentro dos padrões de qualidade. Por isso, houve alguma falta localizada de produtos, puxando os preços para cima.

    Química e Derivados, Ciro Marino, diretor de negócios para a América Latina da Cristal-Millennium Inorganic Chemicals, TIO2 - Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

    Marino: alíquota zero não vai beneficiar os consumidores

    A Huntsman, como a Cristal, opera fábricas nas vias sulfato e cloreto em várias localidades. Segundo Antunes, as mais eficientes, em geral, são as plantas da linha cloreto instaladas na América do Norte, embora as de sulfato da companhia também tenham boa performance. Curiosamente, as fábricas de cloreto sofreram mais com a crise. “As plantas são bem maiores e suprem grandes transformadores de plásticos e fabricantes de tintas, enquanto as linhas sulfato servem para tintas de impressão e para contato com alimentos, que sentiram menos os efeitos da crise”, avaliou.

    Antunes também aponta um corte de capacidade produtiva mundial entre 4,5% e 5% no TiO2. Isso implica que, se houver uma retomada dramática da economia mundial em 2010, certamente haverá alguns contratempos para suprir os clientes. “Daí a importância dos relacionamentos de longo prazo com os fornecedores”, disse. No Brasil, a Huntsman atende por meio de distribuidores e por vendas Indent para grandes clientes.

    Durante 2009, Antunes verificou a atuação no país de novos concorrentes, fato que acirrou a disputa por negócios. Ao mesmo tempo, ele viu desaparecer as ofertas oportunistas em caráter spot. “Sinal de que não há produto sobrando no mundo, porque a Ásia segue crescendo e enxugando excedentes”, analisou. O primeiro trimestre de 2010, na sua avaliação, manteve as vendas saudáveis, com volumes estáveis e preços satisfatórios.

    No Brasil, as vendas de tintas são puxadas pela construção civil e pela indústria automobilística. Porém, o crescimento das tintas econômicas, que levam menos dióxido de titânio em sua formulação, permite aumentar a produção sem elevar a demanda do insumo. Ele recomenda aos clientes que programem seus pedidos de forma realista, evitando a busca por suprimentos adicionais não planejados. “Não estamos operando com folga e uma importação leva de dois a três meses para chegar”, salientou.

    O mercado brasileiro, estimado em 150 mil t/ano, opera mais com contratos firmes do que nas compras spot. “Os países andinos, por exemplo, operam quase que exclusivamente no spot e vão sentir mais dificuldades para ter TiO2 neste ano”, afirmou. A África e o Oriente Médio, considerados consumidores não-tradicionais do produto, precisam pagar preços US$ 150/t mais altos do que os clientes brasileiros.

    Química e Derivados, Fernando Antunes, gerente de vendas da área de pigmentos de dióxido de titânio para a América do Sul da Huntsman, TIO2 - Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

    Antunes: Ásia enxuga qualquer excedente do mercado global

    Tecnologia avança pouco – Em tempos de crise, a preocupação do mercado se concentra no preço dos insumos, deixando em segundo plano a introdução de novas tecnologias. Marino considera o mercado brasileiro como predominantemente ligado aos tipos considerados commodities, com uma fatia de aproximadamente 25% reservada para os tipos especiais, com variações de granulometria, acabamento e tratamento superficial. “Concentramos esforços em serviços e logística”, explicou.

    “Por conta da crise, os investimentos no desenvolvimento de produtos foram reduzidos em 2009”, justificou Antunes. Atuando por meio de importações, a empresa foca mais nas especialidades, especialmente para tintas de impressão. Os produtos mais recentes do seu portfólio incluem nanomateriais que geram diferenciais importantes. Há pesquisas em andamento sobre o uso de dióxido de titânio nanométrico em acabamentos capazes de evitar o aquecimento de ambientes internos dos automóveis e dos prédios.

    Os materiais do tipo free flow, lançados em 2008, ainda são consumidos em baixa escala. “São produtos indicados para reduzir gargalos no processo dos usuários, ampliando sua capacidade produtiva, mas isso perde a importância numa época em que os clientes se queixam de ociosidade”, lamentou. Esses tipos apresentam melhor escoamento nos equipamentos e sistemas de distribuição e evitam a formação de pó, característica que mantém as fábricas mais limpas e protegem a saúde dos usuários.



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