Tintas e Revestimentos

Tintas – Uso de madeira na construção pede mais proteção e acabamento

Antonio C. Santomauro
16 de abril de 2012
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    Água na madeira – Apesar do aparente paradoxo – teoricamente, a água é grande inimiga da madeira –, consolidou-se nos últimos anos, na indústria de proteção e revestimento desse material, um processo de acentuada expansão mercadológica dos produtos elaborados em base aquosa. Por enquanto, esse mercado ainda é menor em relação ao dos produtos com base em hidrocarbonetos, mas cresce rapidamente.

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    Campos: vernizes de base aquosa têm vantagens até na tributação

    A marca Sparlack, com a qual a AkzoNobel disponibiliza vernizes e stains para madeira não destinados a aplicações industriais – utilizados, por exemplo, por marceneiros e no uso doméstico –, há cerca de três anos relaciona a base água em seu portfólio. “Esses produtos têm sido bem-aceitos, até porque conseguimos dotá-los da performance daqueles baseados em solventes”, afirma Tamara Góes, gerente da marca Sparlack. “E produtos com base água têm teor baixíssimo de VOC, baixa emissão de CO2 e de odor”, destaca a gerente da AkzoNobel (empresa que atua com a marca Coral no segmento das tintas para madeira).

    Além disso, ressalta Nelson Junior Pinto de Campos, gerente nacional de vendas da Renner Sayerlack, produtos confeccionados com base água destinados ao varejo receberam alguns benefícios fiscais, e isso favoreceu sua comercialização. A Renner Sayerlack disponibiliza uma linha completa de vernizes e stains com base água, denominada Aquaris. Por enquanto, a base água gera cerca de 10% dos negócios realizados no Brasil pela Renner Sayerlack. Na Itália, porém, essa empresa mantém desde 2004 uma planta exclusivamente dedicada a esses produtos.

    Mas a busca por produtos para madeira ambientalmente mais saudáveis não gera apenas produtos com base água: a AkzoNobel, afirma Fortes, desde o final do ano passado não usa mais nenhum pigmento à base de metais pesados. “E esse mercado usa bastante tais pigmentos, especialmente cromatos de chumbo e molibidatos, que nós substituímos por pigmentos orgânicos”, ele detalha.

    Além disso, prossegue Fortes, sua empresa realiza estudos para a substituição de outros componentes, como estireno e plastificantes derivados de ftalatos. “Os produtos com base água, por sua vez, respondem atualmente por mais de 40% de nosso volume de vendas”, informa.

    A Montana, conta Macedo, ainda este ano lançará linha de produtos destinada ao mercado da construção civil totalmente fundamentada na base água. Ela será produzida em um espaço a ser construído no local onde hoje está a área de expedição da empresa, que em meados do ano será transferida para uma instalação em um terreno anexo à fábrica, na zona sul da cidade de São Paulo.

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    Macedo: setor deve oferecer alternativas de smart coating, com funções específicas

    Renovável e inteligente – Ao lado do maior uso da base água, pode ser percebido o início do aproveitamento de insumos de fonte renovável na indústria dos produtos para proteção e acabamento da madeira. A Montana, revela Macedo, trabalha no desenvolvimento de ácidos graxos dotados de propriedades fungicidas e bactericidas obtidos de óleos vegetais. “Já temos resinas formuladas com ácidos graxos provenientes de óleo de soja e de babaçu. E já se produzem resinas para sistemas poliuretânicos com óleo de mamona”, acrescenta Macedo.

    Na opinião do diretor da Montana, além de atender às demandas próprias da sustentabilidade, esse setor deve trabalhar de maneira mais decidida com o conceito do smart coating (proteção inteligente), destinado a atender, com produtos específicos, demandas também muito específicas, utilizando revestimentos capazes, por exemplo, de responder aos estímulos ambientais de variações de luz, temperatura, umidade e pressão, entre outros. Exemplo de um smart coating “pode ser um revestimento para móveis de cozinha com resistência química a produtos de limpeza, ou a café, vinho, vinagre”, especifica Macedo.

    Mas parece haver também maior demanda por produtos já consagrados em outros países, e ainda pouco utilizados no Brasil; caso dos retardantes de chama, que a AkzoNobel começa a oferecer com maior intensidade no mercado nacional (por enquanto, eles são produzidos em uma planta italiana da empresa). “Temos hoje duas tecnologias de retardantes, ambas para poliuretanos, à base de água e com solvente”, conta Fortes.

    Segundo ele, a demanda por retardantes de chamas cresce no Brasil porque se amplia o uso das portas prontas, um dos maiores segmentos consumidores desse gênero de produtos, e porque a legislação de alguns municípios do país impõe sua aplicação por parte das construtoras.

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    Madeira aparente precisa de proteção contra o sol, fungos, algas e insetos

    Recentemente, prossegue Fortes, a AkzoNobel lançou uma linha de tintas para móveis infantis, entre outras aplicações, com funções bactericidas e fungicidas. No mercado da construção civil, Fortes projeta o crescimento dos negócios relacionados a itens como portas, janelas e vigas. “Não vejo crescimento em pisos, até porque, nesse caso, há a concorrência de materiais que imitam madeira, como pisos cerâmicos, plásticos”, pondera o gerente da AkzoNobel, que prevê para este ano um incremento de 10% nos negócios realizados pela empresa com produtos para madeira utilizados em escala industrial.

     



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