Tintas: Setor de embalagens aproveita o boom imobiliário

Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo

Nos últimos anos, as duas grandes preocupações dos fabricantes de embalagens para tintas se dividiram entre o enquadramento de sua produção aos parâmetros atuais de sustentabilidade e a adequação à regulamentação do transporte de produtos perigosos, que aumentou o rigor das exigências de segurança. Isso ocorre no exato momento em que as empresas de toda a cadeia produtiva preparam as máquinas para responder ao aumento da demanda por tintas, induzido pelo boom da construção civil e da indústria automotiva.

O diretor de inovação e tecnologia da Metalúrgica Prada, Valdeir Giorgini, vai direto ao ponto: “Quanto mais carro, mais tinta e embalagem se precisam. É uma cadeia lógica de crescimento de demanda, à qual estamos observando cuidadosamente e reservando investimentos.” No último elo da cadeia produtiva das tintas, os fabricantes de embalagens plásticas são os primeiros a anunciar que o setor está pronto para duplicar o número de turnos para responder à ampliação de mercado que se anuncia à altura e conforme as novas exigências de qualidade ambiental com mais segurança em seus produtos.

Com a Resolução nº 420 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e modificações posteriores, além da criação de normas específicas para inspeção e certificação de embalagens para produtos perigosos, foram cobertas todas as formas de acondicionamento de produtos considerados críticos, desde as pequenas latinhas de amostras até os contenedores do tipo IBC. Os solventes orgânicos e as tintas que os usam foram atingidos pelas normas e buscaram adaptação.

Independentemente dos rigores normativos, os empresários do setor de embalagem já haviam se adiantado ao conjunto de precauções, até porque na avaliação dos riscos de transporte é um dever a concentração das atenções na resistência da embalagem às trepidações sofridas pelos fundos das latas ou recipientes de plástico, sujeitos à fadiga e consequente ruptura durante a distribuição da mercadoria, detalhe que não foi considerado pela nova legislação, como salientou Antônio Carlos Teixeira Álvares, da Brasilata. O trabalho de distribuição obriga o transporte por longas distâncias no território nacional e atravessando as fronteiras secas na exportação para os países vizinhos. As precauções para prevenir e impedir rupturas do fundo de tambores podem ser tomadas por meio de simulação em laboratório em uma mesa vibratória, como consta da norma NBR-9461 para avaliação do desempenho em vibração vertical de embalagens.

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Software ajudou a desenvolver lata que não abre na queda

Durante 2009 o mercado nacional de tintas e vernizes sentiu um período de leve retração, após crescer consecutivamente nos últimos dez anos: a redução foi de 0,9% em relação a 2008 (de 1,243 bilhão de litros para 1,232 bilhão de litros), segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). As tintas para a indústria em geral apresentaram recuo mais acentuado de 6,5% e as da indústria automotiva fecharam 2009 com queda superior a 4%, enquanto o segmento de repintura automotiva também registrou redução de aproximadamente 4%. Em meio a esse cenário de crise, o setor da construção civil foi o único que sinalizou para o início de uma tendência de aquecimento, registrando crescimento de 0,7%.

“O setor imobiliário deverá implementar o mercado, embora ainda não seja possível avaliar o tamanho desse crescimento”, analisou Eduardo Brasil, diretor da Litografia Valença, empresa fluminense especializada em embalagens metálicas. “Os contatos com todos os grandes fabricantes de tintas avaliam essa possibilidade de crescimento do consumo no setor imobiliário e essa constatação me leva a crer que mais para o final do ano teremos que ampliar nossa capacidade produtiva para podermos corresponder à demanda”, previu Eduardo Brasil.

Plástico x lata – O diretor-comercial e de desenvolvimento da Fibrasa, Marino Escudero, concorda com esse cenário positivo no setor de construção civil, mas condiciona seu aproveitamento priorizando o tipo de matéria-prima utilizado, o plástico. Segundo o gerente regional de vendas, Paulo Bernardes Silva, é inegável que no mercado nacional de embalagens a maior parcela dos fabricantes de tintas tradicionalmente usa as metálicas. “Mas esta situação está se revertendo ano a ano, com uma participação cada vez maior do balde plástico, seguindo uma tendência mundial”, disse. Com base nessa migração para o plástico, Escudero sustenta a expectativa de ampliação do mercado se avizinhando. “Em parte devido ao aquecimento do mercado, em parte devido a uma preferência do consumidor em algumas regiões como o Norte e Nordeste do Brasil; e em parte por causa de alguns clientes que já adotaram esse tipo de embalagem”, explicou o diretor-comercial e de desenvolvimento da Fibrasa – acrescentando a essa relação o aumento das exportações de tintas. “Para esse mercado temos baldes de 3,6 litros; 17 litros e 18 litros, todos com tampa autolacrável e alça, com a possibilidade de impressão em até seis cores em offset ou decoração in mold label com qualidade fotográfica”, explicou Bernardes Silva, acrescentando que todas as embalagens produzidas pela empresa seguem a norma ABNT NBR 14952 nos quesitos de resistência física e a vazamento, empilhamento, fechamento e transporte.

De olho nos critérios internacionais de segurança e qualidade, a Fibrasa procura se manter sintonizada com todas as tendências no setor de tintas, com um portfólio que abarca todos os segmentos: automotivo, industrial e imobiliário. Segundo Escudero, as exportações também impulsionam o uso de baldes plásticos, por causa da sua clássica qualidade de ser praticamente indeformável e ser imune à corrosão no transporte marítimo. Atualmente já é uma realidade na Europa e Estados Unidos e em vários países da América do Sul, como a Argentina, Bolívia e Chile. Caso o setor de tintas nacional opte por seguir essa tendência, no médio e longo prazo “o balde plástico deverá dominar o mercado de embalagens para as tintas à base de água”, acredita Escudero. Ele aponta outros benefícios das embalagens plásticas: ergonômicas, porque são leves e possuem alça para transporte e manuseio; conservação e durabilidade, por sua imunidade à oxidação; e, finalmente, o diretor da Fibrasa destaca o valor ecoeficiente de seus produtos. “A indústria de transformação da embalagem é uma das que mais avançaram em sustentabilidade”, afirmou o diretor da Fibrasa – explicando que sua produção não emite CO2 e não há descarte de resíduos. “Como trabalhamos com injeção de polipropileno, toda e qualquer apara vai para a central de resíduos que são encaminhados para reciclagem”, explicou. O prestígio internacional do plástico, segundo o diretor da Fibrasa, adveio das conhecidas facilidades que esse material proporciona para a criação de diferentes formas de design, diversidade de cores, bom rendimento de impressão e custo competitivo.

Química e Derivados, Antônio Carlos Teixeira Álvares, Presidente da Brasilata, Tintas - Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo
Teixeira: mais resistência com economia de aço

Diante dos benefícios, qualidades e vantagens defendidos pelos fabricantes de embalagens plásticas, o diretor de tecnologia e inovação da Companhia Metalúrgica Prada, Valdeir Giorgini, compara os materiais e resume a embalagem metálica como naturalmente proprietária de qualidades mais coerentes com o atendimento aos apelos de sustentabilidade. “O aço só perde alguma coisa para o plástico na translucidez, porque o que é “envazável” na lata tem vida mais longa, resistência, durabilidade”, explicou.

Resistência x segurança – Outra equivalência entre os dois materiais, segundo o diretor da Prada: o aço alcançou possibilidades ilimitadas de formas como o plástico, pode-se desenhar embalagens ovais ou triangulares e, assim, com simples recursos de ferramentaria se consegue satisfazer às exigências dos consumidores intermediários e finais. “Obviamente, mais resistentes”, frisou Giorgini. Foi esse nível de exigência de um design diferenciado que levou os fabricantes de embalagens de aço, equipamentos e beneficiamento de matérias-primas a romper com as barreiras de limitações impostas nos esforços mecânicos de conformação. A orientação de investimentos em novas tecnologias para aumentar a velocidade nos processos de produção, reduzir custos e produzir embalagens mais resistentes com chapas de aço menos espessas valoriza a segurança, somada à competitividade dos produtos. Giorgini informa que a Companhia Metalúrgica Prada atualmente tem condições de transformar 50 mil toneladas de aço em embalagem por ano, com uma linha diversificada de produtos para o setor químico que abrange desde embalagens para tintas, solventes, lubrificantes, graxas e até latas de aerossol. A Prada é fornecedora de embalagens metálicas para tintas, vernizes e solventes dos maiores fabricantes nacionais de tintas.

Química e Derivados, Paulo Bernardes Silva, Gerente regional de vendas, Tintas - Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo
Bernardes Silva: plástico permite ganho ambiental

Há sessenta anos no mercado, a Prada lançou mais de cem modalidades de embalagens para o parque industrial químico de tintas e vernizes, alimentos e óleo vegetal, fabricadas em sua área industrial de 65 mil metros quadrados em Santo Amaro. Recentemente a Prada lançou a lata de 18 litros com frisos verticais para tintas que passou pelo processo de homologação, exigido pelas normas do transporte de produtos perigosos. As embalagens homologadas são mais convenientes porque são mais seguras e permitem obter vantagem econômica na redução dos prêmios de seguros. A nova lata de 18 litros da Prada com frisos verticais para tintas e outros produtos foi definida como fácil de transportar, empilhar e ainda manter as particularidades gráficas do rótulo – detalhe capital para influenciar na decisão do consumidor final, no ponto de venda. Os frisos verticais aumentaram a resistência mecânica da embalagem, eliminando a tendência de “embarrigamento” das embalagens para produtos mais densos, como massas e texturas.

“Nos últimos anos, o foco da pesquisa se voltou para o desenvolvimento tecnológico da liga do aço com equipamentos de múltipla função. Os limites foram superados de tal maneira que as embalagens de aço hoje podem ser personalizadas e rejuvenescidas, valorizando a marca e o produto envasado”, afirmou Giorgini, esclarecendo ainda que os insumos comprometedores da embalagem de aço em relação aos aspectos ambientais já foram extintos da linha de produção. “Tudo o que as latas tinham de possíveis contaminantes foi eliminado”, acentuou Giorgini.

Os impactos ambientais começaram a ser reduzidos com as linhas de produção na própria fábrica, dotadas de incineradores que eliminam 99,96% da emissão de poluentes. Vernizes com alto teor de sólidos reduziram ao mínimo o uso de solventes orgânicos. As soldas de chumbo com estanho também foram aposentadas. Esse antigo processo de soldagem foi substituído pela solda eletrônica, usando apenas um tênue fio de cobre como condutor da corrente. Os pigmentos contendo metais pesados nas tintas e esmaltes para o revestimento externo das latas também foram suprimidos, atendendo às determinações dos organismos de controle sanitário. Os procedimentos de secagem por reação química com naftenatos de chumbo-cobalto também foram substituídos no processo de produção: a aplicação de tinta UV no acabamento tornou todo o processo mais limpo, oferecendo uma economia de combustível derivado do petróleo.

“Esse conjunto de avanços tecnológicos transformou a embalagem metálica em um bem ambientalmente aceitável, trazendo inerentemente uma redução de custos na cadeia de produção da Prada”, explicou. “Inovação e modernização são os parâmetros para estabelecer o melhor relacionamento com o consumidor final e, ao mesmo tempo, alcançar maiores valores para os produtos envasados”, recomendou o diretor de tecnologia da Metalúrgica Prada.

Química e Derivados, Valdeir Giorgini, Diretor de tecnologia e inovação da Companhia Metalúrgica Prada, Tintas - Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo
Giorgini: fábrica recebeu investimentos para acelerar produção de embalagens modernas

Inovação x prestígio internacional – Em julho de 2009, enquanto a fiscalização do transporte das tintas à base de solvente estava sendo reforçada no Brasil, o presidente da Brasilata, Antônio Carlos Teixeira Álvares, es­tava no Japão, considerado o mais importante e exigente mercado de latas quadradas de 18 litros para tintas. Teixeira Álvares deixou a plateia de empresários perplexa ao demonstrar a inovação que a Brasilata apresentava: uma embalagem padrão de 18 litros capaz de resistir às pressões internas elevadas e choques externos consideráveis. Um feito que incluiu o aumento da resistência da embalagem reduzindo 10% no peso do aço (de 0,34 mm do corpo para 0,30 mm; e fundos, de 0,34 mm para 0,32 mm), proporcionando ao mesmo tempo uma economia de aproximadamente 10% da matéria-prima básica. A tecnologia dessa nova lata de 18 litros, patenteada pela Brasilata, foi pesquisada e desenvolvida pela indústria em colaboração com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), exatamente sob a premissa básica de encontrar uma solução inovadora capaz de agregar valor e conferir maior margem de segurança às embalagens de tintas.

“Dos estudos e ensaios em colaboração com a UFRGS, conseguimos chegar a uma lata que após o impacto de quina a 1,2 m de altura se deforma, mas não permite o vazamento de seu conteúdo”, explicou o diretor-presidente da Brasilata. Ele está negociando o licenciamento de sua inovação no exterior, pois ela atende às normas da Organização das Nações Unidas (ONU) que exigem uma série de testes de resistência, entre eles a queda de uma altura de 1,20 m sem derramar o conteúdo.

Na parceria que a Brasilata firmou com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul para o desenvolvimento da inovação, um software de simulação com base em elementos finitos não-lineares foi usado para analisar a disparidade das alternativas em caso de queda, de modo particular sob condição mais crítica, quando a lata cai de quina e vaza.

Fundamentado no prin­cípio de absorção de choques, o corpo técnico da Brasilata optou por alternativas inovadoras, arriscando-se por caminhos contrários à solução convencional de aumentar a espessura da folha de aço para reforçar o corpo da lata. Em vez disso, decidiu-se pela aplicação de frisos deformados para melhor absorver a energia da queda. Os pontos fracos da lata – as recravações, enganchamentos do corpo com o fundo e o anel – ficaram protegidos.

Nos ensaios, definiu-se a localização, a quantidade e o perfil ótimo para os frisos em formato de dente de serra, de tal forma que possibilitassem a deformação da embalagem sem ruptura e vazamento ao cair da altura de 1,20 m. Antônio Carlos Teixeira Álvares avalia que a solução pioneira encontrada pela Brasilata é condizente com as medidas de contenção econômica nos tempos de crise, pois a lata de 18 litros padrão UN (United Nations) além de ser resistente descarta a tripla recravação que pede equipamentos especiais. Esse juízo sobre o resultado da experiência Brasilata com a lata 18 litros UN para produtos perigosos foi ratificado internacionalmente, como atesta o prêmio Cans of the Year, recebido em 2009 pela Brasilata no emirado árabe de Dubai.

Em síntese, segundo a análise geral de Teixeira Álvares, todos os elos da corrente do mercado de tintas devem se conscientizar de todos os detalhes ao distribuir, transportar e manusear os produtos adequadamente para evitar acidentes. No caso dos fabricantes de tintas, que estão acostumados a receber produtos perigosos como solventes, agora a prioridade deverá ser o tratamento de seu produto final com o mesmo grau de cuidados.

O Instituto de Pesquisas Tec­no­lógicas (IPT) oferece a colaboração com os empresários com esclarecimentos sobre a legislação – desde a classificação dos produtos, insumos utilizados nas embalagens, ensaios de desempenho até o projeto de transporte da embalagem de produtos perigosos. Esse serviço tem um custo que varia conforme o conjunto de ensaios que são necessários em cada caso. O fabricante poderá enviar a sua consulta para o e-mail: [email protected].

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