Tintas e Revestimentos

Tintas e Revestimentos – TiO2: Mercado instável abre espaço para consolidação de negócios em TiO2

Marcelo Fairbanks
25 de setembro de 2013
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    Do lado das vendas, o mercado mundial de TiO2 registrou crescimento de 10% a 12% no primeiro semestre de 2013 sobre igual período de 2012. No Brasil, segundo Marino, esse incremento foi de 10%. Em parte, esse desempenho de mercado pode ser atribuído a um novo round de formação de estoques nos clientes, como forma de prevenção contra o reajuste de preços.

    No Brasil, a produção de tintas absorve entre 60% e 65% das vendas do insumo, em grande parte consumida no segmento decorativo imobiliário, que apresenta sinais de estagnação desde o ano anterior. “As vendas de tintas sempre crescem no país, podem crescer menos ou mais, dependendo do ano”, considerou Marino. O setor de resinas plásticas absorve outros 25% a 30% do dióxido de titânio vendido no Brasil. O restante (5% a 10%) é dividido em um grande número de aplicações, das mais diversas, até mesmo na produção de alimentos e dentifrícios.

    Marino considera que a indústria de TiO2 não está sendo muito criativa, pois ela oferece poucas inovações. Ele atribui esse conservadorismo à baixa rentabilidade global. Assim, o grosso dos investimentos acaba sendo direcionado para melhorias de eficiência nos processos industriais, em vez de apoiar inovações.

    Mesmo assim, há novidades. É o caso de alguns tipos especiais desenvolvidos em escala nanotecnológica. Quando aplicados às tintas para paredes, eles criam uma camada superficial que funciona como um catalisador para acelerar a decomposição de compostos orgânicos voláteis e agressivos à saúde humana. “A Cristal converteu uma fábrica na França para a produção de tipos especiais, como este, que precisam ser feitos com base em insumos obtidos pela via sulfato”, comentou.

    Ao mesmo tempo, ele afirma que o setor de tintas no Brasil também é conservador. “Esse mercado é mais orientado pelo preço de venda; temos em nosso portfólio os titânios superduráveis, capazes de conferir vida útil de 20 anos ao filme seco, mas o interesse é muito pequeno por eles”, afirmou. A Cristal brasileira não depende muito de importações, reservadas apenas para produtos especiais.

    Química e Derivados, Camila: preços devem registrar uma lenta e segura recuperação

    Camila: preços devem registrar uma lenta e segura recuperação

    Situação de mercado – A Evonik distribui e representa no Brasil a linha de dióxido de titânio da Kronos Worldwide Inc. Segundo Camila Pecerini, chefe de produto da área de inorganic materials da Evonik, “a demanda global permanece estável e melhorou muito em relação a 2012. O nível de utilização das plantas está se movendo lentamente em direção à capacidade nominal e os estoques continuam a diminuir, tanto nos fabricantes como nos clientes. Além disso, nenhuma nova capacidade para fabricação de grades da linha cloreto foi adicionada (ou anunciada) durante os últimos anos. A maioria dos produtores de TiO2 acabou de enfrentar o período mais duro das últimas décadas e, em 2012, a indústria foi fortemente impactada pelo aumento dos custos de matérias-primas, especialmente do minério. Mesmo que a situação do minério pareça estar melhorando, ao longo dos últimos dois trimestres todos os principais produtores relataram resultados negativos”. Quanto aos preços, ela não aponta nenhum grande aumento, como o ocorrido entre 2010 e o primeiro quadrimestre de 2012, mas sim uma tendência de melhora estável.

    Camila salienta que a Evonik segue fornecendo aos fabricantes brasileiros de tintas, plásticos e papel os pigmentos de última geração, como Kronos 2360, 2500 e 2800. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento foram mantidos para continuar introduzindo grades state-of-the-art nestas aplicações que exigem elevada qualidade e competitividade. “Nós temos minas próprias de ilmenita na Noruega, e também fabricamos sais de ferro e produtos químicos à base de ferro ecologicamente corretos, oxicloreto de titânio e sulfato de titanila, entre outros desenvolvimentos”, afirmou Miguel Cedillo, diretor de vendas da Kronos Worldwide.

    Camila explicou que nem a Kronos nem a Evonik tiveram relação com os movimentos pela redução no imposto de importação do TiO2. Mas ela admite que os produtores estrangeiros ganharam alguma competitividade, de cerca de 10%, com a medida, embora limitada a uma cota preestabelecida.

    Regina Schwab, da Braschemical, avalia 2013 como um ano difícil para o mercado brasileiro, com vendas retraídas desde abril. “A demanda das tintas imobiliárias está enfraquecida e os chineses estão chegando ao mercado com muita força”, avaliou. Como ainda há clientes estocados, fica difícil montar um planejamento coerente para os próximos meses.

    A Braschemical tem encontrado mais facilidade para vender dióxido de titânio para o setor de plásticos. “É um mercado que valoriza mais os aspectos técnicos, aceitando produtos especiais para alto desempenho”, comentou. Esse mercado é suprido com um portfólio que abrange até oito diferentes itens, compatíveis com diferentes polímeros e com graus variados de resistência à luz e de estabilidade térmica. Isso inclui produtos aprovados para contato direto com alimentos, úteis para a confecção de pratos descartáveis, por exemplo. “Também temos alguns tipos mais standard, como o RFK 2 e o RKV 2, este também usado para tintas”, informou.



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