Tintas e Revestimentos

Tintas e Revestimentos – TiO2: Mercado instável abre espaço para consolidação de negócios em TiO2

Marcelo Fairbanks
25 de setembro de 2013
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    Há alguns anos, o processamento de resíduos metalúrgicos, chamados de slag, ofereceram à indústria mundial uma alternativa mais econômica de matéria-prima. Segundo Marino, mesmo esses resíduos apresentaram majoração de preços, perdendo atratividade. A fábrica de Camaçari foi adaptada para usar slag em substituição de parte do minério, produzido em minas da própria empresa. “O uso de slag permite economizar eletricidade e gerar menos resíduos, mas a vantagem do baixo preço desse material acabou, hoje estamos economizando slag”, explicou.

    Mas o mercado mudou em 2012. Os sinais de que a economia europeia não se recuperaria e de baixa atividade dos EUA funcionaram como uma ducha gelada nos setores consumidores de TiO2, como tintas, plásticos e papéis. “Os clientes mantinham estoques elevados, para até seis meses, na expectativa de desabastecimento, ou como proteção contra a elevação de preços; eles começaram a desovar esses estoques no primeiro trimestre de 2012”, comentou Marino. Com vendas fracas, os preços despencaram significativamente no segundo semestre, ao final da temporada de pintura de casas no hemisfério norte.

    “Ao final de 2012, a indústria estava estocada em produto final e matérias-primas e, novamente, com capital de giro curto”, informou o diretor comercial. “Mas, desta vez, houve uma redução do nível de atividade, o setor está rodando em média com 60% e 80% de utilização da capacidade. Com isso, os estoques estão sendo reduzidos.”

    A média de preços atual, segundo Marino, é de US$ 2.800/t, com variações regionais. Nos EUA, a média tende a subir para US$ 3.200, mas na Europa e na América Latina os preços são significativamente menores. A Ásia começou a sentir os efeitos da perda de fôlego da economia chinesa e apresenta preços baixos. A China, aliás, exerce um papel duplo no cenário global do dióxido de titânio. Ela é grande consumidora e também grande produtora, embora ninguém saiba quantificar sua produção efetiva. “Eles possuem uma grande quantidade de fábricas, de vários tamanhos e qualidades, não há uma estatística confiável”, afirmou. No passado, a produção chinesa desequilibrava os mercados mundiais, mas começou a atuar com mais estabilidade de alguns anos para cá. Segundo Marino, a China passa por grandes transformações e uma delas diz respeito à adoção de padrões ambientais mais rígidos. Isso tem pressionado os seus custos.

    Marino estima a capacidade mundial de produção do insumo em 5,5 a 6 milhões de t/ano, das quais cerca de 2 milhões no território chinês. “Ainda há muito espaço para racionalizações na China”, identificou. Isso quer dizer: fusões, aquisições e fechamento de plantas.

    Além das mudanças chinesas, o mercado global também se acomodou ao cenário. “Na década de 1990, havia um grande excedente de produção que foi sendo cortado ano a ano”, considerou Marino. A Cristal, por exemplo, fechou duas fábricas importantes, em Le Havre (França) e Baltimore (EUA), tirando de operação quase 300 mil t/ano. Segundo Marino, essas unidades eram obsoletas e tinham custos elevados de produção. Outras companhias também desativaram unidades de produção, especialmente na Europa. A capacidade atual de produção da companhia é de aproximadamente 800 mil t/ano, a segunda maior do mundo, com tecnologias sulfato e cloreto.

    Mesmo assim, o setor está longe de encontrar um ponto de equilíbrio. “Os custos estão elevados no mundo todo. Produzir a US$ 2.800/t é inviável, ou o preço do produto final sobe ou caem os preços das matérias-primas”, salientou. Houve anúncios de aumento de preços de TiO2 para o segundo semestre de 2013 da parte de alguns fabricantes, mas ainda não foram efetivados.



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