Tintas e Revestimentos: Resinas inovam para agregar funcionalidades

A Galstaff tem nas latas de três peças um de seus melhores mercados no Brasil. “No caso das latas de duas peças, os fabricantes de tintas e vernizes formulam suas próprias resinas”, explicou Mario Fernando de Souza. A empresa de origem italiana oferece uma vasta linha de resinas para latas, exceto o epóxi-fenólico. “Mas temos um poliéster com benzoguanamina com excelentes propriedades e com a vantagem de ser isento de BPA”, afirmou. Embora não existam normas brasileiras que vedem o uso de epóxis nas embalagens, algumas empresas já o substituíram por decisão própria.

Indústria geral – Embora a atividade industrial no Brasil esteja passando por alguns percalços, há vários negócios em forte atividade, demandando tintas para proteção e/ou acabamento, como a indústria moveleira e também a construção naval.

“Temos forte participação no mercado de madeira, com poliuretanos mono e bicomponentes, ureia e resinas para cura por ultravioleta”, comentou Souza, da Galstaff. A linha UV está recebendo um novo fotoiniciador rápido que não sofre amarelecimento, segundo informou. Para ele, o uso de madeira em estruturas e fechamentos imobiliários tem pouco crescimento, porém a fabricação de móveis segue avançando.

A Galstaff do Brasil trabalha com 60 itens em seu portfólio, mantendo estoque local para atendimento rápido aos clientes. “Nós diversificamos nossa atuação no país, isso nos exigiu investir para formar um estoque, que controlamos de perto”, comentou. Isso implica um risco, determinado pelas variações cambiais. “Na verdade é um risco administrável, porque todos os concorrentes também são obrigados a importar resinas ou componentes, pois pouca coisa é feita no Brasil”, considerou. “Estamos aumentando nossas vendas entre 10% e 15% todos os anos”, afirmou.

Oliveira, da Reichhold, avalia como muito diversificado o mercado industrial. Ele cita a fabricação de produtos da chamada linha branca (eletrodomésticos como geladeiras e fogões) como um grande cliente, sempre em crescimento e com incentivos fiscais recentemente renovados e ampliados. “Fornecemos poliésteres carboxilados e polihidroxilados especiais, usados nas formulações de tintas em pó, muito usadas nesse segmento”, comentou.

Muitos produtos pintados com essas resinas seguem normas internacionais de qualidade, caso dos perfis estruturais e dos revestimentos de coil coating, revestimentos que suportam conformação mecânica posterior.

Já para o segmento de manutenção industrial, a oferta de resinas da Reichhold é mais ampla: epóxis modificados, alquídicas modificadas, fenólicas, esmaltes sintéticos comuns e poliuretano. “É um mercado muito variado, temos mais negócios nas tintas fabricadas sob certas normas, como a da Petrobras, e em tanques de plástico reforçado”, avaliou Oliveira. Segundo ele, as expectativas de negócios para esses segmentos eram mais animadoras do que o realizado.

A Dow Coatings tem nas linhas de epóxi seu principal produto para a área industrial. “É uma resina com aplicações técnicas definidas, dificilmente sofrem mudanças, mas há uma tendência de desenvolver epóxis de base água e produtos específicos para algumas aplicações críticas, como a indústria de óleo e gás”, comentou Faldini. As resinas epóxi de base água estão em fase final de desenvolvimento e apresentam o mesmo desempenho das linhas com solvente, mas com melhores indicadores de saúde, segurança e meio ambiente.

Também no campo industrial, a Dow oferece resinas para a formulação de tintas de demarcação viária com base em acrílicos. “São tintas modernas, de base água, com secagem rápida e alto desempenho, capazes de reduzir o custo do sistema aplicado e de melhorar a adesão das esferas de vidro refletivas”, afirmou Faldini. Mas a adoção de tintas mais sofisticadas nessa aplicação depende da conscientização do poder público, que contrata os serviços.

A Evonik oferece resinas metacrílicas da linha Degalan para a fabricação de tintas protetivas e marítimas, usadas em situações diversas, como na construção de navios e estádios de futebol. “Essas resinas são altamente resistentes às intempéries, sem sofrer amarelecimento, sendo indicadas para cascos de navios”, considerou Ana Sturaro. As resinas Degalan operam como ingrediente fundamental das formulações dessas tintas, com função anticorrosiva.

Segundo Ana, há outras aplicações para essas resinas, entre elas na indústria de couro sintético. “Essas resinas metacrílicas entram na fase final do acabamento para conferir mais durabilidade aos produtos finais, que podem ser bolsas ou calçados”, comentou.

Página anterior 1 2 3 4 5

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios