Tintas e Revestimentos: Resinas inovam para agregar funcionalidades

Martins comentou que os metacrilatos melhoram as propriedades dos demais monômeros usados na formulação das resinas. O MMA, um material duro, é relacionado com alta resistência, embora também possa reduzir a flexibilidade do filme seco. “O butilmetacrilato deixa a formulação mais amigável, é preciso saber combinar bem os monômeros”, explicou.

Em geral, os fabricantes de tintas OEM discutem com a indústria química o desenvolvimento de novos monômeros, alternativas para aplicações específicas e a inclusão de materiais renováveis. “O programa Inovar-Auto, do governo federal, incentiva a produção automotiva, mas exige contrapartidas em termos de redução de custos e aumento de desempenho dos carros mediante inovações”, comentou. Por isso, alguns fornecedores das montadoras chegaram a consultar a companhia para verificar a possibilidade de monômeros especiais contribuírem para a formação de superfícies mais lisas, a ponto de reduzir o atrito das superfícies com o ar. “Convenhamos, essa contribuição seria irrelevante”, considerou Martins. Mas outras demandas, como a redução de emissões veiculares e o uso de ingredientes renováveis nas formulações, podem ser aprimoradas.

Segundo Martins, as montadoras de instalação mais recente no Brasil já incluíram linhas de pintura com sistemas base água. As unidades de produção mais antigas continuam usando sistemas solventes, pela dificuldade de adaptação, que exigiria reconstruir todo o setor de pintura.

No segmento de repintura, a adoção de sistemas de base água está sendo lenta. “As oficinas estão acostumadas com os solventes e não gostam muito de trocá-lo, embora as tintas aquosas tenham melhorado muito”, comentou Martins. A alternativa mais amigável aceita pelo segmento é o uso de tintas de altos sólidos (com menor teor de solventes). “Temos um lançamento que é a linha Iboma de monômeros de fontes renováveis para produzir resinas indicadas para formulações de altos sólidos”, informou. Esses monômeros são feitos apenas na Alemanha e a capacidade de produção dessa fábrica foi ampliada neste ano. A linha Iboma está sendo apresentada agora ao mercado brasileiro.

A Reichhold oferece resinas para o segmento de repintura, com destaque para poliésteres insaturados para a produção de massa de reparação, acrílicos para sistemas poliuretânicos e poliésteres para base coats. “O Brasil ainda tem uma cultura de base solvente muito forte, mas há grande número de solicitações para usar mais tintas base água na repintura”, comentou André Oliveira. A companhia ainda está pesquisando as resinas para uso em sistemas aquosos, mas já possui forte posição no fornecimento de resinas para sistemas de altos sólidos, bem-aceitos pelo mercado nacional.

A Galstaff do Brasil, subsidiária da companhia italiana que atua em mais de 60 países, fornece poliésteres insaturados para a fabricação de massas de reparação automotiva e também os saturados para formulações de tintas bicomponentes. “Ainda há quem use a velha massa plástica, um poliéster com PET catalisado com peróxido, com desempenho inferior”, comentou Mario Fernando de Souza, diretor da Galstaff do Brasil. A empresa oferece resinas para sistemas de repintura com altos sólidos e baixa liberação de compostos orgânicos voláteis (VOC). “No futuro, poderemos ter base água, mas essa alternativa ainda é fraca aqui no Brasil”, comentou.

Química e Derivados, Evonik, Ana Sturaro: poliésteres podem substituir epóxis na parte interna das latas
Ana: poliésteres podem substituir epóxis na parte interna das latas

Embalagens – Um setor que não sentiu a crise foi o relacionado a embalagens, especialmente as latinhas para acondicionar bebidas e alimentos. A expectativa de aumento de negócios nesse setor é grande, principalmente pela realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014.

A Evonik oferece poliésteres de base solvente para revestimentos externo e interno de latas para alimentos e bebidas, dentro da linha Dynapol. “A linha de poliéster é tradicional, bem conhecida no mercado, mas está sempre com novas formulações”, explicou Ana Sturaro, chefe de produto de resinas poliéster e metacrílicas para a América do Sul.

Uma grande expectativa de mercado diz respeito às restrições quanto ao uso de epóxis na parte interna das latas, substância que contém bisfenol-A (BPA). “Já há uma grande demanda na Europa para substituir o epóxi da parte interna das latas, mesmo sem existir uma restrição legal para isso”, comentou Ana. A França, informou, adotou voluntariamente a retirada dos epóxis, a partir de 2015 (era para ser em 2014, mas houve uma dilação de prazo). “É preciso ver o custo/benefício das alternativas, o poliéster é seguro e pode ser usado para isso”, afirmou.

Ana comenta que 2012 foi um ano fraco para bebidas, por ter começado com um verão de baixas temperaturas. Em 2013, ao contrário, as temperaturas subiram e as vendas foram elevadas. Em alimentos, a concorrência das latas com vidros e plásticos segue acirrada.

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