Tintas e Revestimentos: Resinas inovam para agregar funcionalidades

Química e Derivados, Evonik, Flávio Martins: monômeros metacrílicos para uso imobiliário e automotivo
Martins: monômeros metacrílicos para uso imobiliário e automotivo

O mercado brasileiro de tintas imobiliárias é considerado como muito conservador pelo chefe de produto para a América do Sul e Central de performance polymers da Evonik, Flávio Martins. “Existem monômeros metacrílicos avançados para formulações de tintas decorativas e eles são muito usados no exterior, mas o Brasil ainda está reforçando o uso dos acrílicos e faz modificações com monômeros de estireno e vinila”, salientou.

Ele percebe que a tendência atual do mercado brasileiro é a de reforçar a posição dos monômeros acrílicos, até porque está sendo montada uma fábrica para a produção do ácido acrílico e de acrilatos no Brasil. “A maior disponibilidade de resinas acrílicas puras pode abrir espaço para a introdução dos metacrilatos como comonômeros, uma opção muito comum na Europa e nos Estados Unidos”, considerou. Martins defende o uso do metracrilato de metila pelas vantagens que ele oferece ao produto final, especialmente quanto à resistência e à durabilidade do filme seco.

Daqui a dois anos, a Evonik deve inaugurar uma fábrica para 120 mil t/ano de metacrilato de metila (MMA) em Mobile (Alabama, EUA), unindo duas grandes vantagens: a disponibilidade de gás natural barato e a tecnologia inovadora de produção Aveneer, criada por ela mesma, com baixa emissão de carbono e elevada eficiência, dispensando o ácido sulfúrico como catalisador. “Vamos nos tornar mais competitivos ainda”, disse Martins. Dessa forma, poderá ficar mais fácil oferecer aos clientes a possibilidade de incluir o MMA nas suas formulações.

Imobiliária renovada – O segmento das tintas decorativas imobiliárias, o maior em volume no Brasil, segue ampliando a participação de resinas acrílicas (puras ou modificadas) em suas formulações. Um dos pontos que estão sendo considerados para desenvolvimento tecnológico nessa área consiste na inclusão de funcionalidades que extrapolam os benefícios típicos dessas tintas.

“Começamos a oferecer no Brasil um conceito desenvolvido nos Estados Unidos e na Ásia de resinas capazes de controlar a poluição do ar”, afirmou Franco Faldini, da Dow. Ele explicou que essa resina consegue capturar o formaldeído presente nos ambientes pintados com ela, operando como catalisador do processo de neutralização da substância. “Trata-se da Formashield, uma plataforma tecnológica de especialidades funcionais que pretendemos destacar durante o próximo encontro da Abrafati”, comentou. Essa plataforma foi lançada nos EUA há dois anos para redução de formaldeído (formaldehyde abatement).

A Dow também atua há alguns anos com as resinas da linha Evoque. São materiais que potencializam o uso do dióxido de titânio, garantindo sua distribuição uniforme no filme e, desse modo, permitem reduzir a quantidade aplicada nas formulações sem reduzir seu poder de cobertura. “Essa foi a aplicação inicial do Evoque, agora queremos mostrar como ele pode melhorar as propriedades das tintas, em resistência a manchas e a ciclos de lavagem, além de formar uma película com superfície muito lisa, impedindo a fixação da poeira, uma chuva consegue retirar o pó das áreas expostas”, comentou. Antes considerada um insumo premium, a linha Evoque está sendo usada até nas tintas mais econômicas, segundo Faldini.

O executivo comentou que a linha Evoque é formada basicamente por acrílicos puros, mas são introduzidos modificadores para reduzir custos. No Brasil, o mercado favorece o uso de estireno para isso. No México e em Porto Rico, a preferência recai nas modificações feitas com vinila.

A companhia também pretende expor na Abrafati a linha EZ (lê-se “easy”) de resinas acrílicas puras para tintas para interiores. Ela apresenta baixo odor e baixo VOC, resiste bem às manchas e é hidrorrepelente naturalmente.

O esperado início da fabricação local de ácido acrílico não deve alterar o perfil das emulsões empregadas atualmente, segundo Faldini. “O mercado já usa uma quantidade muito grande de acrilato de butila, especialmente com modificações; e eu não acredito que aconteça um aumento muito grande do uso das acrílicas puras”, afirmou. Ao mesmo tempo, ter ácido acrílico disponível localmente poderá permitir a diversificação de resinas.

Para ele, a produção de resinas para tintas na América Latina é competitiva em relação aos demais produtores. Em geral, ela é feita em fábricas novas (América Latina) ou renovadas (Brasil). No país, há alguns entraves, a começar pelo preço do acrilato de butila, que paga taxa de importação elevada. “A produção de resinas no México é mais barata do que é aqui”, comparou.

Faldini comenta a pulverização do mercado de fabricantes de tintas, com ampla diversidade geográfica. “O Brasil é muito grande, fica muito caro transportar água de São Paulo para o Nordeste, por exemplo, isso incentiva a produção regional”, comentou. A Dow conta com laboratório de aplicação e desenvolvimento no país, capaz de introduzir algumas modificações nas resinas para melhor atender às solicitações dos clientes. “Fazemos isso em Jacareí-SP e no México”, comentou. Em São Paulo há um laboratório para aplicações técnicas.

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