Tintas e Revestimentos: Resinas inovam

Resinas inovam para agregar funcionalidades

O mercado das resinas para tintas acompanha fielmente o desempenho destas, o qual apresenta variações conforme o segmento de aplicação desejado.

Em 2012, por exemplo, as vendas de tintas decorativas imobiliárias ficaram aquém das expectativas setoriais, mas a demanda das linhas de repintura automotiva e de embalagens apresentou crescimento.

Essa correlação também se reflete no estabelecimento de prioridades dessa cadeia produtiva.

Quando um mercado tende a apresentar desempenho superior, aumenta o volume de inovações e de benefícios proporcionados pelos produtos. De outra forma, configurada a tendência de estagnação, as ofertas se relacionam mais com a coluna dos custos.

Os números apresentados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) evidenciam uma acomodação de mercado.

O volume produzido de tintas e vernizes em 2012 foi praticamente idêntico ao do ano anterior, mas o faturamento em dólares caiu quase 5%, considerando o resultado geral do setor. Os dados da entidade mostram uma retração de 2 milhões de litros no volume produzido de tintas automotivas para montadoras (OEM) em 2012, fato notável quando se sabe que essa categoria de tintas usualmente representa 4% do volume total do setor, mas 7% de seu faturamento. A linha imobiliária, detentora de 80% do volume produzido no país, ficou estável nesse quesito, mas apresentou queda de vendas dolarizadas de quase 5%. Ainda assim, responde por 63% do faturamento setorial (vide tabela). A Abrafati espera alcançar crescimento geral de 3% neste ano.

Química e Derivados, Dow, Franco Faldini: resina consegue neutralizar formaldeído
Faldini: resina consegue neutralizar formaldeído

“Tivemos um ano desafiador em 2012”, avaliou Franco Faldini, diretor de marketing da Dow Coating Materials para a América Latina.

A falta de investimentos em infraestrutura prejudicou a venda de produtos para tintas industriais, enquanto as linhas automotiva e imobiliária cresceram muito pouco. “Nesse quadro, as resinas não alcançaram aumento significativo de vendas”, explicou.

Faldini salienta que os fornecedores de materiais de construção indicam um aumento no volume de negócios em 2013. “Notamos que a velocidade de lançamentos imobiliários em São Paulo caiu, isso acende o sinal amarelo para o futuro, mas ainda existe demanda firme pelos próximos 18 meses, ligada aos investimentos em curso”, observou. Daqui a dois anos, caso essa tendência não seja revertida, o mercado de tintas imobiliárias deverá se voltar mais para as atividades de reforma.

José Marcos Qualiotto, gerente de serviços técnicos da área de dispersões e pigmentos para coatings da América do Sul da Basf, considerou apenas como moderados os resultados do segmento decorativo no primeiro semestre de 2013, com demanda fraca por essas tintas. “Acreditamos em uma recuperação no segundo semestre, como resultado da manutenção esperada dos níveis de emprego e de renda no país, facilidade de obtenção de crédito, aceleração de investimentos governamentais de infraestrutura, parada da época de chuvas e da esperada redução do IPI sobre os materiais de construção”, afirmou.

André Oliveira, gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, confirma a desaceleração do setor de construção. “O segmento imobiliário não cresceu em 2012, mas permaneceu em um patamar elevado que está sendo mantido neste ano”, avaliou. Mesmo assim, ele identifica oportunidades de negócios ligadas à diferenciação dos produtos e à redução de custos, ambas influenciando a demanda por resinas.

Além das pressões tecnológicas, Oliveira aponta variações de demanda regionais. “O Nordeste ainda apresenta crescimento nas linhas decorativas imobiliárias, mas há muita oferta, exigindo reduzir custos para garantir as vendas das tintas”, afirmou.

Além disso, ele cita a influência positiva do Programa Tintas de Qualidade, da Abrafati. “O mercado das linhas decorativas imobiliárias passou a exigir o atendimento dos padrões de qualidade que se tornaram norma oficial, isso orienta os formuladores a usar resinas melhores em quantidades certas, com custos viáveis”, afirmou. Outra tendência de mercado está relacionada à sustentabilidade, ainda dependente de uma atualização cultural. “Não há normas sobre sustentabilidade no Brasil, mas as linhas industriais já valorizam esse critério”, comentou.

Com ele concorda Qualiotto, da Basf. “Os fabricantes brasileiros de tintas decorativas continuam focados em dispersões acrílicas e estireno-acrílicas, mas o aumento do poder aquisitivo da população, a proteção dos trabalhadores e questões ambientais exigem produtos mais sustentáveis”, considerou. Isso se reflete, por exemplo, no baixo odor, característica que já define a escolha dos consumidores. Como os custos subiram muito desde 2012, é preciso conciliar a oferta dessas características, aliadas à resistência à abrasão e ao baixo VOC, com a manutenção da competitividade, segundo comentou.

O mercado brasileiro de tintas imobiliárias é considerado como muito conservador pelo chefe de produto para a América do Sul e Central de performance polymers da Evonik, Flávio Martins.

Química e Derivados, Evonik, Flávio Martins: monômeros metacrílicos para uso imobiliário e automotivo
Martins: monômeros metacrílicos para uso imobiliário e automotivo

“Existem monômeros metacrílicos avançados para formulações de tintas decorativas e eles são muito usados no exterior, mas o Brasil ainda está reforçando o uso dos acrílicos e faz modificações com monômeros de estireno e vinila”, salientou.

Ele percebe que a tendência atual do mercado brasileiro é a de reforçar a posição dos monômeros acrílicos, até porque está sendo montada uma fábrica para a produção do ácido acrílico e de acrilatos no Brasil. “A maior disponibilidade de resinas acrílicas puras pode abrir espaço para a introdução dos metacrilatos como comonômeros, uma opção muito comum na Europa e nos Estados Unidos”, considerou. Martins defende o uso do metracrilato de metila pelas vantagens que ele oferece ao produto final, especialmente quanto à resistência e à durabilidade do filme seco.

Daqui a dois anos, a Evonik deve inaugurar uma fábrica para 120 mil t/ano de metacrilato de metila (MMA) em Mobile (Alabama, EUA), unindo duas grandes vantagens: a disponibilidade de gás natural barato e a tecnologia inovadora de produção Aveneer, criada por ela mesma, com baixa emissão de carbono e elevada eficiência, dispensando o ácido sulfúrico como catalisador. “Vamos nos tornar mais competitivos ainda”, disse Martins. Dessa forma, poderá ficar mais fácil oferecer aos clientes a possibilidade de incluir o MMA nas suas formulações.

Imobiliária renovada – O segmento das tintas decorativas imobiliárias, o maior em volume no Brasil, segue ampliando a participação de resinas acrílicas (puras ou modificadas) em suas formulações. Um dos pontos que estão sendo considerados para desenvolvimento tecnológico nessa área consiste na inclusão de funcionalidades que extrapolam os benefícios típicos dessas tintas.

“Começamos a oferecer no Brasil um conceito desenvolvido nos Estados Unidos e na Ásia de resinas capazes de controlar a poluição do ar”, afirmou Franco Faldini, da Dow. Ele explicou que essa resina consegue capturar o formaldeído presente nos ambientes pintados com ela, operando como catalisador do processo de neutralização da substância. “Trata-se da Formashield, uma plataforma tecnológica de especialidades funcionais que pretendemos destacar durante o próximo encontro da Abrafati”, comentou. Essa plataforma foi lançada nos EUA há dois anos para redução de formaldeído (formaldehyde abatement).

A Dow também atua há alguns anos com as resinas da linha Evoque. São materiais que potencializam o uso do dióxido de titânio, garantindo sua distribuição uniforme no filme e, desse modo, permitem reduzir a quantidade aplicada nas formulações sem reduzir seu poder de cobertura. “Essa foi a aplicação inicial do Evoque, agora queremos mostrar como ele pode melhorar as propriedades das tintas, em resistência a manchas e a ciclos de lavagem, além de formar uma película com superfície muito lisa, impedindo a fixação da poeira, uma chuva consegue retirar o pó das áreas expostas”, comentou. Antes considerada um insumo premium, a linha Evoque está sendo usada até nas tintas mais econômicas, segundo Faldini.

O executivo comentou que a linha Evoque é formada basicamente por acrílicos puros, mas são introduzidos modificadores para reduzir custos. No Brasil, o mercado favorece o uso de estireno para isso. No México e em Porto Rico, a preferência recai nas modificações feitas com vinila.

A companhia também pretende expor na Abrafati a linha EZ (lê-se “easy”) de resinas acrílicas puras para tintas para interiores. Ela apresenta baixo odor e baixo VOC, resiste bem às manchas e é hidrorrepelente naturalmente.

O esperado início da fabricação local de ácido acrílico não deve alterar o perfil das emulsões empregadas atualmente, segundo Faldini. “O mercado já usa uma quantidade muito grande de acrilato de butila, especialmente com modificações; e eu não acredito que aconteça um aumento muito grande do uso das acrílicas puras”, afirmou. Ao mesmo tempo, ter ácido acrílico disponível localmente poderá permitir a diversificação de resinas.

Para ele, a produção de resinas para tintas na América Latina é competitiva em relação aos demais produtores. Em geral, ela é feita em fábricas novas (América Latina) ou renovadas (Brasil). No país, há alguns entraves, a começar pelo preço do acrilato de butila, que paga taxa de importação elevada. “A produção de resinas no México é mais barata do que é aqui”, comparou.

Faldini comenta a pulverização do mercado de fabricantes de tintas, com ampla diversidade geográfica. “O Brasil é muito grande, fica muito caro transportar água de São Paulo para o Nordeste, por exemplo, isso incentiva a produção regional”, comentou. A Dow conta com laboratório de aplicação e desenvolvimento no país, capaz de introduzir algumas modificações nas resinas para melhor atender às solicitações dos clientes. “Fazemos isso em Jacareí-SP e no México”, comentou. Em São Paulo há um laboratório para aplicações técnicas.

Como fatores para impulsionar o mercado, ele apontou a sustentabilidade e a funcionalidade dos produtos. “Já em 2013, deveremos ter uma norma para limitar a emissão de VOC em tintas imobiliárias, isso vai mexer com o mercado”, salientou. As linhas industriais acabarão seguindo esse paradigma. Nas funcionalidades, “a ideia é melhorar a vida dos consumidores finais”, explicou.

A Reichhold oferece para aplicações imobiliárias a sua linha Beckosol Acqua de resinas alquídicas de baixo VOC e fabricadas com materiais de origem natural renovável, indicadas para a produção de esmaltes sintéticos. A linha utiliza insumos como óleos vegetais e glicerina, dependendo de cada caso, sempre com base aquosa, totalmente isenta de VOC.

“Temos também a linha de altos sólidos alquídicos Beckosol, com média de 80% de sólidos, ou seja, com baixíssimo teor de solventes orgânicos”, considerou André Oliveira. Formuladores de tintas que operam com esse tipo de resina em alta concentração têm mais flexibilidade para desenvolver produtos. Mesmo assim, Oliveira informa que a Reichhold ainda mantém a fabricação de resinas com 50% de sólidos, porém restrita a clientes específicos. “A tendência é usar maior teor de sólidos ou base água”, confirmou.

Embora a linha de acrílicos não seja o core business da companhia, a Reichhold fornece alguns itens de alta qualidade. Além disso, mantém a linha Arolon, lançada há três anos, de acrílicos modificados de alta dureza em base aquosa, indicados para esmaltes. Essas resinas podem ser usadas para fazer tintas para madeira, metais e aço-carbono, disputando espaço com produtos de base solvente.

A Reichhold mantém em Mogi das Cruzes-SP um centro de tecnologia capaz de atender às solicitações de clientes. “Oferecemos soluções completas, entregando opções de formulação prontas, com as resinas que desenvolvemos”, explicou. Segundo Oliveira, muitas vezes os clientes aceitam as sugestões ou as usam como orientação para as suas próprias formulações. “O setor decorativo imobiliário é o que nos demanda mais desenvolvimentos”, comentou. Segundo ele, a resina influencia mais no brilho e na resistência mecânica da película e menos na redução do dióxido de titânio (opacificantes) consumido. “Resina não faz milagres”, observou.

As inovações da Basf estão ligadas à ideia de limpeza das superfícies pintadas. “O Col.9 DS 1200 X, por exemplo, é uma nanodispersão que alia as características de uma dispersão acrílica com um material inorgânico (sílica) e, com ela, é possível formular tintas para exteriores que deixarão evidentes o aspecto de limpeza e a aparência de pintura nova por muito mais tempo”, explicou Qualiotto.

Por sua vez, o Acronal DS 6282 X foi desenhado para tintas interiores que permitam fácil limpeza. “Esta dispersão dificulta a penetração de substâncias como vinho e café no filme de tinta seco e torna fácil a limpeza, sem que a superfície ganhe ou perca brilho por causa do atrito”, salientou.

Química e Derivados, tintas_tabela_demanda_esfriou_em_2012Automóveis novos e usados – O setor automotivo compreende duas realidades distintas: a fabricação de carros novos e o mercado de repintura da frota circulante. São dois mundos diferentes. Os fornecedores de tintas para pintura original são poucos e grandes, geralmente fabricam suas próprias resinas. Já o segmento de repintura é pulverizado e heterogêneo. Há produtores dessas tintas de todos os tamanhos e graus de qualidade, bem como em diferentes regiões geográficas. Muitos deles compram as resinas de que necessitam para formular suas tintas.

“O mercado de repintura está em fase de transformação, muitos fabricantes de tintas, geralmente os mais novos no mercado, que compravam resinas prontas, adquiriram reatores e estão produzindo-as em casa”, comentou Martins, da Evonik. Segundo ele, não se trata de mera questão de custo, mas da possibilidade de incluir alguns “segredos” na composição e diferenciar suas tintas das da concorrência.

A Evonik fornece monômeros metacrílicos para a produção de tintas automotivas originais e de repintura. “Estamos mais habituados a lidar com o segmento OEM, que demanda alta tecnologia, mas a repintura está avançando”, considerou Martins. Ele explicou que os metacrilatos entram em todas as camadas da pintura original, exceto o e-coat (tinta eletroforética de proteção anticorrosiva). A linha de produtos inclui o metil, isobutil e n-butil metacrilatos e hidroxilados, usados na composição da resina dessas tintas.

“Quanto mais a tecnologia avança, mais se usam os metacrilatos”, afirmou. Os monômeros da Evonik são produzidos nas fábricas da China, Alemanha (duas linhas) e Estados Unidos (duas) e comercializados no Brasil por venda direta a grandes clientes (Indent) ou mediante atendimento com estoque local, para volumes menores.

Martins comentou que os metacrilatos melhoram as propriedades dos demais monômeros usados na formulação das resinas. O MMA, um material duro, é relacionado com alta resistência, embora também possa reduzir a flexibilidade do filme seco. “O butilmetacrilato deixa a formulação mais amigável, é preciso saber combinar bem os monômeros”, explicou.

Em geral, os fabricantes de tintas OEM discutem com a indústria química o desenvolvimento de novos monômeros, alternativas para aplicações específicas e a inclusão de materiais renováveis. “O programa Inovar-Auto, do governo federal, incentiva a produção automotiva, mas exige contrapartidas em termos de redução de custos e aumento de desempenho dos carros mediante inovações”, comentou. Por isso, alguns fornecedores das montadoras chegaram a consultar a companhia para verificar a possibilidade de monômeros especiais contribuírem para a formação de superfícies mais lisas, a ponto de reduzir o atrito das superfícies com o ar. “Convenhamos, essa contribuição seria irrelevante”, considerou Martins. Mas outras demandas, como a redução de emissões veiculares e o uso de ingredientes renováveis nas formulações, podem ser aprimoradas.

Segundo Martins, as montadoras de instalação mais recente no Brasil já incluíram linhas de pintura com sistemas base água. As unidades de produção mais antigas continuam usando sistemas solventes, pela dificuldade de adaptação, que exigiria reconstruir todo o setor de pintura.

No segmento de repintura, a adoção de sistemas de base água está sendo lenta. “As oficinas estão acostumadas com os solventes e não gostam muito de trocá-lo, embora as tintas aquosas tenham melhorado muito”, comentou Martins. A alternativa mais amigável aceita pelo segmento é o uso de tintas de altos sólidos (com menor teor de solventes). “Temos um lançamento que é a linha Iboma de monômeros de fontes renováveis para produzir resinas indicadas para formulações de altos sólidos”, informou. Esses monômeros são feitos apenas na Alemanha e a capacidade de produção dessa fábrica foi ampliada neste ano. A linha Iboma está sendo apresentada agora ao mercado brasileiro.

A Reichhold oferece resinas para o segmento de repintura, com destaque para poliésteres insaturados para a produção de massa de reparação, acrílicos para sistemas poliuretânicos e poliésteres para base coats. “O Brasil ainda tem uma cultura de base solvente muito forte, mas há grande número de solicitações para usar mais tintas base água na repintura”, comentou André Oliveira. A companhia ainda está pesquisando as resinas para uso em sistemas aquosos, mas já possui forte posição no fornecimento de resinas para sistemas de altos sólidos, bem-aceitos pelo mercado nacional.

A Galstaff do Brasil, subsidiária da companhia italiana que atua em mais de 60 países, fornece poliésteres insaturados para a fabricação de massas de reparação automotiva e também os saturados para formulações de tintas bicomponentes. “Ainda há quem use a velha massa plástica, um poliéster com PET catalisado com peróxido, com desempenho inferior”, comentou Mario Fernando de Souza, diretor da Galstaff do Brasil. A empresa oferece resinas para sistemas de repintura com altos sólidos e baixa liberação de compostos orgânicos voláteis (VOC). “No futuro, poderemos ter base água, mas essa alternativa ainda é fraca aqui no Brasil”, comentou.

Embalagens – Um setor que não sentiu a crise foi o relacionado a embalagens, especialmente as latinhas para acondicionar bebidas e alimentos. A expectativa de aumento de negócios nesse setor é grande, principalmente pela realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014.

A Evonik oferece poliésteres de base solvente para revestimentos externo e interno de latas para alimentos e bebidas, dentro da linha Dynapol.

Química e Derivados, Evonik, Ana Sturaro: poliésteres podem substituir epóxis na parte interna das latas
Ana: poliésteres podem substituir epóxis na parte interna das latas

“A linha de poliéster é tradicional, bem conhecida no mercado, mas está sempre com novas formulações”, explicou Ana Sturaro, chefe de produto de resinas poliéster e metacrílicas para a América do Sul.

Uma grande expectativa de mercado diz respeito às restrições quanto ao uso de epóxis na parte interna das latas, substância que contém bisfenol-A (BPA). “Já há uma grande demanda na Europa para substituir o epóxi da parte interna das latas, mesmo sem existir uma restrição legal para isso”, comentou Ana. A França, informou, adotou voluntariamente a retirada dos epóxis, a partir de 2015 (era para ser em 2014, mas houve uma dilação de prazo). “É preciso ver o custo/benefício das alternativas, o poliéster é seguro e pode ser usado para isso”, afirmou.

Ana comenta que 2012 foi um ano fraco para bebidas, por ter começado com um verão de baixas temperaturas. Em 2013, ao contrário, as temperaturas subiram e as vendas foram elevadas. Em alimentos, a concorrência das latas com vidros e plásticos segue acirrada.

A Galstaff tem nas latas de três peças um de seus melhores mercados no Brasil.

química e derivados, PU, tintas
Souza: PU reveste substratos difícies, como vidro e plástico

“No caso das latas de duas peças, os fabricantes de tintas e vernizes formulam suas próprias resinas”, explicou Mario Fernando de Souza.

A empresa de origem italiana oferece uma vasta linha de resinas para latas, exceto o epóxi-fenólico. “Mas temos um poliéster com benzoguanamina com excelentes propriedades e com a vantagem de ser isento de BPA”, afirmou. Embora não existam normas brasileiras que vedem o uso de epóxis nas embalagens, algumas empresas já o substituíram por decisão própria.

Indústria geral – Embora a atividade industrial no Brasil esteja passando por alguns percalços, há vários negócios em forte atividade, demandando tintas para proteção e/ou acabamento, como a indústria moveleira e também a construção naval.

“Temos forte participação no mercado de madeira, com poliuretanos mono e bicomponentes, ureia e resinas para cura por ultravioleta”, comentou Souza, da Galstaff. A linha UV está recebendo um novo fotoiniciador rápido que não sofre amarelecimento, segundo informou. Para ele, o uso de madeira em estruturas e fechamentos imobiliários tem pouco crescimento, porém a fabricação de móveis segue avançando.

A Galstaff do Brasil trabalha com 60 itens em seu portfólio, mantendo estoque local para atendimento rápido aos clientes. “Nós diversificamos nossa atuação no país, isso nos exigiu investir para formar um estoque, que controlamos de perto”, comentou. Isso implica um risco, determinado pelas variações cambiais. “Na verdade é um risco administrável, porque todos os concorrentes também são obrigados a importar resinas ou componentes, pois pouca coisa é feita no Brasil”, considerou. “Estamos aumentando nossas vendas entre 10% e 15% todos os anos”, afirmou.

Oliveira, da Reichhold, avalia como muito diversificado o mercado industrial. Ele cita a fabricação de produtos da chamada linha branca (eletrodomésticos como geladeiras e fogões) como um grande cliente, sempre em crescimento e com incentivos fiscais recentemente renovados e ampliados. “Fornecemos poliésteres carboxilados e polihidroxilados especiais, usados nas formulações de tintas em pó, muito usadas nesse segmento”, comentou.

Muitos produtos pintados com essas resinas seguem normas internacionais de qualidade, caso dos perfis estruturais e dos revestimentos de coil coating, revestimentos que suportam conformação mecânica posterior.

Já para o segmento de manutenção industrial, a oferta de resinas da Reichhold é mais ampla: epóxis modificados, alquídicas modificadas, fenólicas, esmaltes sintéticos comuns e poliuretano. “É um mercado muito variado, temos mais negócios nas tintas fabricadas sob certas normas, como a da Petrobras, e em tanques de plástico reforçado”, avaliou Oliveira. Segundo ele, as expectativas de negócios para esses segmentos eram mais animadoras do que o realizado.

A Dow Coatings tem nas linhas de epóxi seu principal produto para a área industrial. “É uma resina com aplicações técnicas definidas, dificilmente sofrem mudanças, mas há uma tendência de desenvolver epóxis de base água e produtos específicos para algumas aplicações críticas, como a indústria de óleo e gás”, comentou Faldini. As resinas epóxi de base água estão em fase final de desenvolvimento e apresentam o mesmo desempenho das linhas com solvente, mas com melhores indicadores de saúde, segurança e meio ambiente.

Também no campo industrial, a Dow oferece resinas para a formulação de tintas de demarcação viária com base em acrílicos. “São tintas modernas, de base água, com secagem rápida e alto desempenho, capazes de reduzir o custo do sistema aplicado e de melhorar a adesão das esferas de vidro refletivas”, afirmou Faldini. Mas a adoção de tintas mais sofisticadas nessa aplicação depende da conscientização do poder público, que contrata os serviços.

A Evonik oferece resinas metacrílicas da linha Degalan para a fabricação de tintas protetivas e marítimas, usadas em situações diversas, como na construção de navios e estádios de futebol. “Essas resinas são altamente resistentes às intempéries, sem sofrer amarelecimento, sendo indicadas para cascos de navios”, considerou Ana Sturaro. As resinas Degalan operam como ingrediente fundamental das formulações dessas tintas, com função anticorrosiva.

Segundo Ana, há outras aplicações para essas resinas, entre elas na indústria de couro sintético. “Essas resinas metacrílicas entram na fase final do acabamento para conferir mais durabilidade aos produtos finais, que podem ser bolsas ou calçados”, comentou.

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