Tintas e Revestimentos

Tintas: Revestimento protege saúde do consumidor

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2003
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    Química e Derivados: Tintas: Latas para bebidas usam verniz especial.

    Latas para bebidas usam verniz especial.

    A disputa maior está ligada ao fornecimento de revestimentos para as tampinhas de garrafas de bebidas, dotadas de tecnologia inversamente proporcional ao tamanho das peças. “É uma aplicação de alto risco, com elevadas exigências de selagem, mas, ao mesmo tempo, de baixo preço”, comentou Spiess, da ICI. Segundo ele, a face externa é tratada com epóxi-éster, embora a companhia tenha aprovado alguns vernizes acrílicos para a aplicação. Na parte interna, predominam os organossóis (PVC modificado com monômeros menos viscosos, sem os plastificantes convencionais). “Vendemos mais no Chile, mas fornecemos pouco dessas linhas no Brasil”, afirmou.

    Também chamada rolha metálica, a tampinha exige adaptação dos fornecedores de revestimentos. “A base característica da parte interna é feita de organossóis, mas eles precisam ser formulados conforme as necessidades locais”, explicou Walmir Pires, da PPG, fornecedora de tintas para a AmBev, que passou a fabricar ela mesma suas tampinhas, gerando uma reorganização do segmento. O revestimento base precisa aderir bem ao PVC, material que compõe o disco de vedação da tampinha. Segundo Pires, a PPG é líder no mercado norte-americano nesses produtos, oferecendo grande variedade de formulações, de modo a atender às exigências dos muitos fabricantes de tampinhas e dos clientes finais.

    No segmento de tubos para pastas (colas, dentifrícios e outros), a exigência de alta flexibilidade é marcante, para suportar a conduta dos consumidores de aproveitar até a última gota do produto embalado. “Na parte interna, os epóxi-fenólicos dão conta, mas, por fora, recomendamos usar poliuretano, muito flexível”, afirmou Spiess, da ICI. No Brasil, a empresa não atua fortemente nessa área, embora tenha experiência internacional, comprovada por deter aproxidamente 45% do mercado europeu. Antes do PU, os acrílicos eram recomendados, e Spiess menciona o fato de seus concorrentes divulgarem o uso de poliésteres.

    Elias de Lacerda, da Degussa, recomenda usar PU ou poliésteres, ambos de alto peso molecular, nessa aplicação, para suportar as dobras durante o uso, sem quebrar ou descolar o revestimento, que também precisa suportar a abrasão. “Esse segmento já teve melhores dias, antes de as embalgens plásticas dominarem a área de dentifrícios”, afirmou. Os tubos metálicos são, em maioria, feitos de alumínio, dispensando tratamento interno. Tanto o poliéster de base, quanto o componente do verniz final, apresentam secagem rápida, por volta de cinco minutos. “O esmalte de base cura a 80ºC, enquanto o verniz precisa de 165ºC”, explicou.

    Bebidas embaladas – Embora também sejam acondicionadas em embalagens metálicas, de aço (com paredes extrafinas) ou alumínio, esse segmento de mercado apresenta características específicas, que se refletem nos sistemas de pintura. A começar pelo tipo de lata, nesse caso composto de duas peças, o corpo e a tampa. Diferente das anteriores, essas são pintadas após a estampagem.

    Alexandre Spiess comenta que a linha de produção das embalagens é muito veloz, exigindo compatibilidade por parte do fornecedor de tintas. A lata conformada recebe, primeiro, a pintura externa, sendo curada em estufa contínua, para depois receber, simultaneamente, os vernizes interno e externo, na forma de spray. “São vernizes diferentes; o interno, nossa especialidade, é um epóxi-acrílico”, informou.

    A ICI possui quatro fábricas em todo o mundo para produzir esse verniz. No sítio de Utinga, há uma unidade dedicada exclusivamente a ele, abastecendo toda a América do Sul. “Essa unidade é totalmente dedicada ao verniz para inside spray, não há contato com nenhuma outra linha, mesmo para alimentos”, enfatizou. Também as operações de transporte exigem veículos exclusivos. Isso é feito para impedir qualquer tipo de contaminação, fator importante tanto do ponto de vista sanitário, quanto do de aplicação. Trata-se de verniz muito específico, a aplicar em processo de alta velocidade e em camada fina, onde qualquer alteração, por mínima que seja, prejudica o desempenho do produto. “Nós controlamos toda a cadeia produtiva do verniz, desde as matérias-primas, até a película seca, oferecendo assistência técnica total”, disse.

    Diferente do mercado industrial e de alimentos, o setor de bebidas é povoado por pequeno número de clientes, que atuam mediante contratos de fornecimento muito rígidos. “A pressão sobre os preços é muito forte, pois é preciso concorrer também contra outros materiais, como os recipientes plásticos e o vidro”, explicou Spiess. Essa pressão de custo se reflete sobre toda a cadeia produtiva, mas há motivos para alimentar boas expectativas quanto ao futuro das bebidas em lata, tanto de aço como de alumínio. “Tanto assim que todas as grandes produtoras mundiais desse tipo de embalagem já se instalaram no País”, afirmou.

    Nos últimos meses, a disputa pelos fornecimentos de inside spray foi acirrada entre a ICI e a Valspar, segundo Walmir Pires, da PPG, que assistiu de longe à disputa. “Tradicionalmente, somos fortes nos vernizes para a parte externa das latas, tanto de alimentos, quanto de bebidas”, comentou. Mesmo assim, ele não vê muitos motivos para comemorar. Com ajuda das taxas de câmbio elevadas desde o ano passado, que só arrefeceram em maio deste ano, a PPG passou a produzir, desde junho de 2002, em Cajamar-SP o verniz externo para latas de bebidas, a partir de componentes importados. “Quase 80% do custo da tinta é atrelado ao dólar, mesmo nos insumos feitos no Brasil”, disse. A empresa apostou na expansão do mercado de bebidas enlatadas da ordem de 10% em 2002, mas esse mercado cresceu apenas 5%.



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