Tintas e Revestimentos

Tintas: Revestimento protege saúde do consumidor

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2003
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    Segundo explicou, nas embalagens para alimentos, a demanda se concentra nos esmaltes acrílicos e vernizes de cobertura epóxi-éster. A camada intermediária, voltada para embelezamento, é suprida por fornecedores ligados às tintas gráficas, podendo usar até linhas alquídicas convencionais.

    Química e Derivados: Tintas: Lata nacional de três peças com easy open.

    Lata nacional de três peças com easy open.

    Alexandre Spiess, da ICI, observa que os acrílicos proporcionam melhor cobertura de superfície que os poliésteres, com bom desempenho. Porém, os poliésteres apresentam aparência final superior, além de resistir mais ao repuxo. Nas tintas de impressão, a ICI atua apenas na Europa, com produtos de alto poder de tingimento, indicados para embalagens de alta qualidade.

    A Revest investiu na linha dos poliésteres para todas as camadas, inclusive as tintas gráficas, de modo a atender clientes em processos exigentes em resistência e beleza. “Tínhamos produtos já aprovados para isso quando os clientes começaram a demandá-los”, explicou Bellizia.

    Do ponto de vista de proteção ambiental, a empresa se diferencia por desenvolver linhas de altos sólidos, em vez dos produtos de base aquosa, preferidos pelos maiores fornecedores do mercado. “Adotamos sistemas de baixa cura, com temperaturas entre 100 ºC e 110 ºC, com economia de energia para os usuários”, afirmou.

    Instalada no distrito industrial de Araçariguama-SP, a Revest ocupa instalações construídas em 1988, capazes de fabricar, por mês, um milhão de kg de resinas, 30 t de vedantes (emulsão de borracha de látex de petróleo), 400 t de esmalte e 400 t de vernizes. “Cada cliente exige uma formulação específica, para funcionar bem no seu equipamento e nas suas condições climáticas”, explicou.

    “Desenvolvemos nossas próprias formulações, sem copiar nada de ninguém.” Atualmente, a empresa desenvolve, em escala laboratorial, a incorporação de PET reciclado em algumas formulações, tanto contribuindo para a proteção ambiental, quanto para a redução de custos.

    Para indústria geral, Bellizia confia na resistência química dos epóxis para assegurar a resistência da embalagem. Para aerossóis inseticidas, por exemplo, eles conseguem suportar a presença de xileno e também dos ingredientes ativos. “Já fizemos revestimentos para tambores para ácido sulfúrico de alta concentração, usando epóxi especial, além de tintas para revestir pilhas”, comentou. A única ressalva de Bellizia é atuar em segmentos de mercado que ofereçam preços compensadores. “Se não tiver preço adequado, é melhor sair”, disse, citando como exemplo as tampinhas de garrafas, após a decisão da AmBev de verticalizar sua produção.

    A Degussa recomenda, para a parte externa de latas, os poliésteres Dynapol hidroxilados, de médio a alto peso molecular, endurecidos com isocianatos. “No esmalte base, os poliésteres superam os acrílicos por apresentar melhor balanço de dureza e flexibilidade, além de não sofrer amarelecimento mesmo em alta temperatura”, explicou Lacerda. O verniz externo precisa ter elevada resistência e pode ser formulado como epóxi-éster. “O mercado ainda vê o poliéster como um produto caro, mas estamos provando que a diferença no produto acabado é pequena”, explicou.

    Lacerda admite que, nas aplicações para indústria geral, os acrílicos, embora com desempenho inferior, possam ser usados com bom custo-benefício, o mesmo não se dando nas linhas de alimentos, ou de embalagens mais nobres. Caso seja necessário aumentar a adesão do poliéster ao substrato metálico, a Degussa oferece resinas de adesão, feitas de poliésteres funcionais específicos, que interagem bem com o Dynapol e também ao material de embalagem. “É possível ampliar a resistência química e ao processo, em especial nas esterilizações”, explicou. Também são oferecidos aditivos para promover a flexibilidade do material e facilitar a incorporação de pigmentos. “O Oxiéster T1136 é um poliéster 100% sólido e linear com hidroxilas funcionais”, comentou. A linha da Degussa abrange também solventes (isoforona, decaidronaftaleno), aditivos Tego (da recém-incorporada Theodore Goldschmidt), sílicas, negro-de-fumo e dióxido de titânio (da Kronos). As ceras Vestowax também podem ser usadas na camada externa das latas, para aumentar o deslizamento das embalagens nas linhas de produção, evitando paradas.

    Tampas e tubos – O mercado de tampas ganhou atratividade com o uso crescente das linhas “abre fácil”, que dispensam o auxílio dos abridores. “Um fabricante nacional, a Rojek, criou e patenteou um sistema mais seguro e prático que o disponível no exterior”, afirmou Spiess, da ICI. Essas tampas admitem pintura decorativa externa e também se sujeitam às normas oficias de vernizes e plastissóis para a parte interna.

    Bellizia, da Revest, estuda a possibilidade de lançar um esmalte de flutuação para as tampas. Trata-se de esmalte base capaz de eflorescer na tinta de impressão aplicada sobre ele, conferindo bom acabamento mesmo sem a aplicação do verniz final. Já existem alguns tipos dessas tintas sendo aplicadas a tubos para produtos pastosos, em geral, feitos de alumínio. “Para funcionar bem, a chapa precisa esquentar rápido, o que é conseguido facilmente com o alumínio, mas também pode ser feito nas tampas de aço”, explicou.

    Há também um nicho de mercado nas tampas de aço para potes de vidro com boca larga, tipicamente usados em palmito, picles, azeitonas e conservas. Chamada twist open, essa tampa precisa suportar grande esforço mecânico de abertura e fechamento e, usualmente, é revestida com tinta de poliéster.



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