Tintas e Revestimentos

Tintas: Revestimento protege saúde do consumidor

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2003
    -(reset)+

    A instalação de laboratórios modernos apóia o desenvolvimento de produtos e a verificação do atendimento às normas sanitárias. Dotado de cromatógrafos e fotocolorímetros avançados, pode identificar e quantificar a emissão de substâncias voláteis no interior das latas revestidas, fator importante para evitar prejuízos ao sabor e odor dos produtos embalados. Spiess salienta que todos os ingredientes usados para os vernizes em contato direto com alimentos são aprovados pelo Food and Drugs Adminstration (FDA) norte-americano. “Os vernizes são certificados pelo Instituto Adolpho Lutz, mediante ensaios que se prolongam por até quatro anos”, afirmou.

    Como parte da estratégia global do grupo, e reflexo da taxa cambial, a unidade brasileira produz quase todas as tintas e boa parte das resinas que comercializa para a região. “Como em todas as tintas, há ingredientes importados, como aditivos e pigmentos”, explicou Spiess.

    Para a PPG, presente no mercado nacional desde 1996, por meio de importações, tendo recebido a fábrica de Cajamar-SP ao comprar mundialmente o negócio de tintas para embalagem da Courtaulds, em 1998, o segmento de vernizes internos para alimentos tem por base os epóxi-fenólicos, com espaço para poliéster-acrílicos, já usados para revestir latas de palmito exportadas para o Oriente Médio. “O poliéster isoladamente resiste menos ao meio ácido, exigindo combinação com o epóxi”, afirmou Walmir Pires. O mais comum é o epóxi-fenólico em mono ou dupla camada, esta substituível por verniz sanitário óleo-resinoso (resina fenólica modificada com óleo de tungue). “Temos encontrado nichos de negócios na confecção de latas destinadas a embalar produtos exportados para a Europa, que não aceitam BADGE [bis-hidroxifenil propano]”, comentou. Nesses produtos, os fabricantes se esforçam para obter aplicação uniforme, cuidar da cura ideal e confeccionar a embalagem.

    Bellizia, da Revest, concorda que os vernizes epóxi-fenólicos apresentam bom desempenho e são mais econômicos, mas acredita que poderá, em breve, oferecer uma alternativa melhor para o mercado de alimentos. “Estamos desenvolvendo um verniz poliéster-fenólico, que já está em fase de análise prévia pela Anvisa”, comentou. Esse verniz já é usado há vinte anos na Europa, mas ficou de fora do Brasil nesse período porque o País segue, desde a Segunda Guerra, padrões norte-americanos. “Só a partir da década de 80 é que Basf e International apresentaram ao Brasil produtos de linha européia, mais avançados”, disse. Em comparação com o epóxi-fenólico, o poliéster-fenólico suporta mais a acidez, é menos agressivo, e pode ser formulado com maior teor de sólidos – até 50% no verniz e 62% no esmalte, contra 30% no epóxi-fenólico.

    Fornecedora de insumos para a indústria de tintas, a Degussa recomenda o uso de poliésteres de alto e médio peso molecular para can coating.

    Para a parte interna das latas, de aço ou alumínio, a empresa indica a linha de poliésteres saturados lineares Dynapol, produzida na Alemanha, de alto peso molecular, com ligações intermoleculares feitas de poliuretano ou melamina. “O FDA recomenda o uso de melamina”, observou Elias Nahssen de Lacerda, chefe de produto da linha de tintas e resinas da empresa. A preferência pelo alto peso molecular se explica pelo menor número de ligações entre moléculas, considerados pontos mais vulneráveis do filme formado.

    “A legislação suíça, uma das mais rigorosas do mundo, vai proibir o uso de epóxi na parte interna até o final do ano”, comentou Lacerda. Os resíduos de bisfenol-A também são criticados em âmbito internacional, acusados de disruptores endócrinos. O uso de isocianatos como endurecedores é seguro, segundo Lacerda. “Usamos poliisocianatos cicloalifáticos, derivados da isoforona (linha Vestanat, em especial o tipo B 1358A)”. São produtos bloqueados, até a chegada à estufa, onde são desbloqueados pela temperatura de 180ºC, com tempo de cura de 10 minutos.

    Algumas embalagens de alimentos exigem a aplicação de ceras para impedir que o alimento fique aderido às paredes. “Os produtos cárneos para o exterior precisam apresentar essa característica, chamada meat release, uma exigência dos consumidores”, comentou Lacerda, mencionando a linha de ceras Vestowax.

    A linha interna de soldagem pode dispensar proteção, como no caso dos óleos comestíveis, que usam aço estanhado. Nas demais, essa faixa interna recebe uma camada protetiva especial, geralmente com o mesmo material do revestimento. Essa região estreita não é pintada antes para não interferir com a soldagem, nem ser queimada por ela.

    Aparência melhorada – Do lado de fora das latas, a preocupação com a aparência precisa ser compatível com as linhas produtivas, cada vez mais velozes. Latas para a indústria geral e as para alimentos geralmente são do tipo três peças (tampa, fundo e lateral). A lateral é pintada interna e externamente nas chapas planas, posteriormente dobradas e soldadas, recebendo em outras etapas o fundo e a tampa, por recravamento.

    O desenho das embalagens obriga a produzir dobras, ondulações e expansões na superfície lateral, exigindo que o revestimento acompanhe as deformações, sem prejuízo de brilho ou cor. “Em geral, quando as paredes da lata são retas e paralelas, recomendamos esmalte de base branco feito com acrílico”, afirmou Walmir Pires, da PPG. Desenhos mais complicados exigem tintas à base de poliéster.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *