Tintas e Revestimentos

Tintas: Revestimento protege saúde do consumidor

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2003
    -(reset)+

    Bellizia explica que os sistemas óleo-resinosos exigem aplicação em camada espessa sobre as chapas. “Isso tira o brilho do verniz final e prejudica a qualidade da impressão que sai borrada”, disse. Usando poliésteres, tanto no esmalte base, como nas tintas de impressão e verniz final, foi possível reduzir muito a espessura de camada, obtendo melhor resultado final. Com isso, o consumo de tinta acaba sendo menor, compensando, em parte, o custo superior.

    Química e Derivados: Tintas: Pires - não é hora de ampliar o share, mas a rentabilidade.

    Pires – não é hora de ampliar o share, mas a rentabilidade.

    A procura por revestimentos adequados reflete a busca por maior economia e qualidade. “O aço pode representar até 80% do custo da embalagem, e qualquer redução de espessura da chapa representa uma economia brutal”, comentou Walmir Pires, da PPG. Isso deveria incentivar o uso maior de revestimentos mais modernos.

    “O maior cliente de embalagens metálicas para alimentos usa folhas-de-flandres estanhadas de alta qualidade, com rótulo de papel”, afirmou. Mesmo esse cliente, quando compra embalagens de terceiros, já dá abertura para o uso de chapas finas revestidas.

    “Ao contrário da Europa, o Brasil usa aço em 90% das embalagens e apenas 10% de flandres, este direcionado para óleo de soja e tintas”, comentou Alexandre Spiess, da ICI Packaging. No óleo de cozinha, a situação dos revestimentos é pior. Segundo Spiess, esse cliente pode usar aço com uma camada de estanho, que impede o contato direto com o ferro (componente do aço), elemento capaz de alterar a cor e o sabor do produto. Além disso, boa parte desses óleos adotou embalagens transparentes, feitas de PET. “As latas de tintas também são estanhadas, mas levam revestimento interno de epóxi PVA para aumentar a resistência aos ingredientes químicos e à corrosão”, explicou, ressaltando que as tintas atuais são, em maioria, de base aquosa. No Brasil, as linhas de pintura decorativa feitas à base de látex PVA e acrílicos usam revestimentos sem adição de pigmentos. Nos Estados Unidos, segundo o diretor, revestimentos pigmentados são aplicados para dar mais resistência às embalagens, em especial nas linhas de manutenção marítma.

    Proteção interna – A parte interna das latas exige tratamento cuidadoso, de modo a garantir proteção tanto ao produto embalado, quanto ao aço da embalagem. No caso dos alimentos, a preocupação é maior, tanto que os revestimentos precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Falhas do verniz podem permitir a contaminação do produto embalado, além de facilitar a proliferação de bactérias, entre as quais as do gênero Chlostridium, produtores da toxina botulínica. “As embalagens feitas no Brasil estão entre as melhores do mundo”, afirmou Bellizia. “Tanto que, nos últimos 50 anos, foram registrados menos de quatro casos de botulismo em alimentos e, em nenhum deles, a lata foi a culpada.”

    Dominam o segmento de vernizes internos para latas de alimentos os epóxi-fenólicos. No entanto, cada produto precisa ser avaliado, podendo exigir complementos de formulação ou aplicação de uma camada superior, de modo a garantir a proteção. O pH ácido dos molhos de tomate exige cuidados, bem como os pescados. Não raro surgem problemas. Bellizia cita o ocorrido quando do lançamento dos molhos de tomate prontos (temperados). “O fabricante precisou recolher milhões de latas porque o verniz interno descolou do susbtrato, e ninguém sabia o motivo”, contou. O primeiro problema foi convencer o cliente a revelar a composição, ainda que apenas qualitativa, do produto, então considerado um segredo. Quando foi informado da presença de cebola no molho, a situação ficou esclarecida. “A cebola, quando cozida, libera uma substância que ataca o verniz epóxi-fenólico”, explicou. O problema foi solucionado incorporando pasta de alumínio e zinco à formulação do verniz.

    A necessidade de aplicar uma camada dupla depende menos do verniz, e mais do processo de aplicação. “Mesmo feita com cuidado, a aplicação deixa alguns pequenos pontos mais frágeis, que podem dar origem à corrosão”, explicou Spiess, da ICI. No Brasil, por razões de custo, os vernizes óleo-resinosos são muito usados. “No exterior, a preferência recai na segunda camada feita com o mesmo epóxi-fenólico”, comentou. Há preferências regionais, segundo o diretor comercial. O mercado de pescados e mariscos enalatados no Chile prefere incorporar alumínio ao verniz epóxi-fenólico, demanda pouco usual no Brasil.

    Química e Derivados: Tintas: Lacerda - Suiça proibirá o uso de epóxi dentro das latas.

    Lacerda – Suiça proibirá o uso de epóxi dentro das latas.

    A ICI Packaging brasileira atende ao mercado sul-americano, desde 2002, substituindo fornecimentos feitos pelas subsidiárias do grupo nos EUA e na Europa, com participação muito forte no Chile e no Peru, além de iniciar trabalho na Venezuela, que não era atendida pela companhia. A fábrica aproveitou parte da antiga unidade da Coral (comprada pelo grupo ICI na década de 90) no bairro de Utinga, Santo André-SP, que passou por profunda reforma e atualização de equipamentos. Desde janeiro de 2000, o sítio foi dedicado totalmente à fabricação de tintas para embalagem, contando com grande capacidade produtiva, estimada em 27 milhões de litros por ano. “Estamos operando com um só turno, por volta de 10 milhões de litros/ano”, explicou o diretor de operações Cláudio Conde. A fabricação de resinas opera com três turnos, podendo produzir 18 milhões de litros/ano, aproveitando o parque de dez reatores modernizados.

    Praticamente metade da área da antiga produtora de tintas imobiliárias e industriais da Coral (hoje instalada como ICI Paints próxima do pólo petroquímico paulista) foi desmobilizada e devolvida ao proprietário. A área remanescente absorveu investimentos de US$ 10 milhões, aplicados desde o ano 2000.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *