Tintas e Revestimentos

Tintas: Revestimento protege saúde do consumidor

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2003
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    As palestras foram selecionadas de modo a abordar todos os principais aspectos que envolvem a fabricação e comercialização de tintas, incluindo temas ambientais. O congresso também prevê a realização de três sessões plenárias, iniciadas por Juan Marcos Saavedra, presidente para a América Latina da ICI Paints, que abordará temas atuais do negócio de tintas. No segundo dia, o vice-presidente da Rohm and Haas e diretor da unidade de negócios de coatings, Alan Barton, discorrerá sobre a cadeia de valor na fabricação e comercialização das tintas, apontando para a necessidade de o setor inovar conceitos para reverter a situação de baixa rentabilidade observada tanto pelos fabricantes de tintas, quanto pelos seus fornecedores. Barton advoga investir em tecnologia e inovação de produtos, além de promover esforços de marketing para adaptar-se às novas necessidades dos consumidores finais. No terceiro dia, o publicitário, professor e consultor Roberto Menna Barreto falará sobre criatividade do ponto de vista de gestão de negócios e pessoas.

    Outra forma de participação consiste nas sessões de pôsteres. “Os trabalhos relevantes, porém não selecionados para palestras, serão divulgados nesse formato”, comentou Ferreira. Nesse caso, cada trabalho ficará exposto em um pôster, colocado em local de grande circulação. Em um horário predeterminado, afixado no cartaz, um representante da empresa ficará à disposição de interessados para oferecer mais explicações e iniciar contatos.

    Paralelamente ao congresso, será realizada a 8ª Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas, que ocupará área de 19 mil m², 50% maior que a de 2001, abrigando mais de 200 estandes. “Como conseguimos mais espaço, os estandes e corredores de circulação serão maiores, mais confortáveis, e também poderão ser oferecidos mais serviços aos visitantes”, afirmou Ferreira. Até maio, já havia sido vendida área igual à da realização anterior, demonstrando o forte interesse das empresas na exposição, já consagrada mundialmente, segundo avaliação de expositores como Degussa, Bayer e Rohm and Haas, principalmente por se tratar de evento muito bem focado no setor.

    Expectativas para 2003 – Com faturamento anual estimado de US$ 1,5 bilhão e responsável por aproximadamente 16 mil empregos diretos, a fabricação de tintas no Brasil alimenta boas expectativas de crescimento ainda neste ano. Dilson Ferreira justifica o otimismo pelas condições macroeconômicas que levaram à valorização do real e ao controle da inflação, permitindo ampliar as exportações de produtos, como automóveis, autopeças e móveis. Contribuem também a queda nas cotações do petróleo e de seus derivados, entre os quais a nafta petroquímica, e o anúncio da liberação de verba oficial de R$ 5,3 bilhões para a construção civil. “Esse setor é grande consumidor de tintas, e também absorve grande contingente de mão-de-obra, com forte efeito multiplicador sobre a economia nacional”, comentou.

    Aspectos preocupantes, porém, permanecem. “A economia mundial entrou em recessão, e se refletirá no Brasil”, considerou. As taxas elevadas de juros também prejudicam o setor, porque as indústrias financiam seus cientes, mediante a concessão de prazos para pagamento. As vendas de bens móveis e imóveis tende a declinar com o alto custo do capital.

    Em 2002, o setor de tintas apresentou aumento de volume produzido da ordem de 1,7% sobre o ano anterior, embora tenha apresentado redução de faturamento dolarizado entre 15% e 20%. Para 2003, o setor espera crescer percentual igual à elevação do PIB acrescida de 1%.

    Segundo Ferreira, o setor já envida esforços para promover o crescimento de vendas ao mercado interno. A primeira iniciativa consiste no reforço das verbas de propaganda junto aos consumidores, acompanhada pelo lançamento de novas linhas de produtos, voltadas para nichos de mercado, visando vários níveis econômicos.

    Depois do Plano Real, em 1994, verificou-se um crescimento significativo das tintas mais econômicas (segunda e terceira linha), em especial no segmento imobiliário (decorativas). Fabricantes de grande porte passaram a disputar mercado com pequenos produtores. Porém, com a perda de poder aquisitivo da população de renda mais baixa, esses produtos entraram em fase de estabilização. Isso motiva os fabricantes a diferenciar seus produtos.

    Ferreira discorda dessa avaliação e afirma que as linhas populares mantém suas vendas e que o lançamento de novos produtos, com mais valor adicionado, se deve ao fato de as empresas terem identificado o desejo dos consumidores por produtos mais sofisticados, capazes de conferir efeitos diferenciados às superfícies pintadas. “A qualidade das tintas também vai aumentar”, afirmou.

    A par desses movimentos, a Abrafati atua em dois fronts distintos: o combate à sonegação fiscal e a campanha pela qualidade das tintas. “Todos os participantes do mercado precisam pagar os mesmos impostos, para não haver competição desleal”, afirmou. A postura ética nos negócios, que condena também a corrupção, segundo Ferreira, reflete um anseio da sociedade, manifestado até na eleição do presidente Lula.

    No tocante à qualidade, a Abrafati já conta com um laboratório (no Senai) que está trabalhando na elaboração de normas de qualidade mínimas para o setor. “Queremos identificar parâmetros para traçar uma linha divisória abaixo da qual um produto já não mais possa ser classificado oficialmente como tinta”, disse. Atualmente não há nenhum controle sobre a composição e o desempenho das tintas. Muitas delas apresentam preços muito baixos, mas, em compensação, não satisfazem à expectativa dos consumidores. “Isso prejudica a imagem de toda a indústria de tintas”, ponderou.



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