Tintas e Revestimentos

Tintas – Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

Domingos Zaparolli
19 de outubro de 2007
    -(reset)+

    Ensaios cíclicos– Conforme informa Gnecco, a principal tendência para o futuro é a realização de ensaios cíclicos, que combinam a exposição a mais de um agente agressivo. “Os ensaios cíclicos são os que mais se aproximam das condições reais. Sendo assim, os resultados são mais coerentes e confiáveis e obtidos em tempos menores do que com a exposição real”, afirma o especialista.

    Química e Derivados, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Câmara de xenônio aplica luz na faixa do UV e infravermelho

    Um ensaio cíclico tradicional é o de Prohesion, originalmente desenvolvido para o teste de tintas de manutenção industrial. Gnecco explica que a solução de eletrólito usada no ensaio de Prohesion é muito mais diluída do que a da tradicional névoa salina. A composição da solução utiliza 0,05% de cloreto de sódio (NaCl) e 0,35% de sulfato de amônia [(NH4)2 SO4]. Os agentes agressivos são os íons (Cl- ) e (SO4 -). O pH da solução deve estar entre 5,0 e 5,4 e a coleta de névoa entre 0,5 e 1,5 ml/h.

    Em compensação, o ar de atomização não é saturado com água. As placas pintadas ficam posicionadas em um ângulo15 a30 graus em relação à vertical. A secagem é realizada com ar quente a 35ºC e completada por ar à temperatura ambiente do laboratório. O ciclo do ensaio é de duas horas, sendo uma de exposição à nevoa de eletrólito e uma hora de secagem.

    Uma evolução é o ensaio cíclico, que une o teste de corrosão com o de intemperismo. O ensaio consiste de ciclos de uma semana de exposição pelo sistema Prohesion, alternada por uma semana de exposição à luz ultravioleta UVA e à condensação, em ciclos de oito horas, com quatro horas de luz, à temperatura de 60ºC, e outras quatro de condensação sem luz, à temperatura de 50ºC. A duração típica do ensaio é de duas mil horas.

    Laboratórios independentes – Os fabricantes de tintas e mesmo os consumidores institucionais que desejam avaliar a qualidade e as características das tintas adquiridas podem recorrer a laboratórios independentes para a realização de ensaios artificiais ou adquirir os equipamentos.

    Entre os laboratórios que realizam ensaios para terceiros de intemperismo com câmara de ultravioleta e corrosão em câmara de névoa salina estão os paulistas Falcão Bauer, o Instituto Mauá de Tecnologia, o paranaense Lactec e os laboratórios do SENAI Lençóis Paulista e SENAI Mário Amato,em São Bernardodo Campo.

    O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), tambémem São Paulo, informa Zehbour Panossian, chefe do Laboratório de Corrosão e Proteção, além dos ensaios em câmaras ultravioleta e de névoa salina, também realiza ensaios de exposição à umidade e ao gás SO2. Segundo Panossian, um ensaio de intemperismo na câmara de UV, com base na norma ASTM G-154, com a exposição dos corpos-de-prova pintados em ciclos alternados de exposição à radiação UV e à condensação, apresenta um custo de R$ 60,00 dia por amostra.

    Fornecedores de equipamentos para a realização de ensaios, como o brasileiro Bass e os norte-americanos Q-Lab e Atlas, também realizam ensaios para terceiros, os dois últimos em sites no Brasil e, principalmente, no exterior. Os três fornecedores realizam desde os ensaios convencionais aos artificiais mais sofisticados, como os cíclicos.

    Química e Derivados, Carlos Maciel, Diretor da Bass, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Maciel: tecnologia adequada ao poder aquisitivo local

    Segundo Carlos Maciel, diretor da Bass, a realização de ensaios em laboratórios terceirizados só é vantajosa para quem o faz de forma esporádica. “Em termos gerais, um equipamento de ensaio desse tipo tem durabilidade de dez anos. Se a empresa realiza ensaios contínuos, ela consegue amortizar o custo do equipamento em aproximadamente dois anos”, diz o executivo.

    A Bass foi fundada em 1982 e, segundo Maciel, é atualmente a maior fabricante de equipamentos para ensaios no mercado latino-americano. No portfólio da empresa neste segmento de mercado estão câmaras para ensaios acelerados de corrosão, com névoa salina, umidade, ensaiosem câmaras Kesternich, com gás SO2 , equipamentos para ensaios de intemperismo com luz ultravioleta e com xenônio, equipamentos para ensaios cíclicos, além de câmaras de gravelômetro, para batida de pedra e de teste de poeira.

    Um equipamento para ensaio de névoa salina, informa Maciel, apresenta um custo na faixa de US$ 5 mil a US$ 7 mil. Valor que ele avalia ser aproximadamente 30% mais barato que um equipamento similar importado. Já os equipamentos para ensaios com luz ultravioleta saem, segundo Maciel, na faixa de 10% a 20% mais baratos que os importados. Estes, nos Estados Unidos, custam por volta de US$ 10 mil. Mas o comprador brasileiro ainda tem de arcar com transporte e os impostos locais. “Nossa característica é de oferecer equipamentos com bom nível tecnológico, mas compatíveis às características do mercado brasileiro, que tem menor poder aquisitivo”, afirma o executivo.

    Os dois principais fabricantes globais de equipamentos para ensaios, os norte-americanos Q-Lab, antiga Q-Panel, e Atlas, atuam no Brasil por meio de representantes comerciais. O diretor da Emite, László Tauszig, consultor de intemperismo que presta serviços para os representantes da Q-Lab no País, afirma que os equipamentos modernos, produzidos no exterior, para ensaio de intemperismo possuem vantagens que compensam seu custo mais elevado. A principal é o dispositivo de controle de irradiação ultravioleta por meio de um sensor.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *