Tintas e Revestimentos

Tintas – Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

Domingos Zaparolli
19 de outubro de 2007
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    Química e Derivados, Celso Gnecco, Gerente técnico da Sherwin-Williams Sumaré, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Gnecco: câmaras servem para comparar produtos

    É usual que as placas pintadas expostas ao ensaio de névoa salina sofram um corte, de0,5 mmde largura no meio da placa, no sentido longitudinal. Observa-se o avanço da ferrugem sob a película de tinta a partir da incisão, formação de bolhas e o destacamento da tinta na região adjacente ao corte intencionalmente provocado. Quanto mais efi ciente for a tinta ou o sistema de pintura, menor será o avanço da ferrugem. O tempo de ensaio é determinado de acordo com o objetivo pretendido.

    Nos ensaios de umidade, segundo Gnecco, simula-se a condição de extrema umidade, porém sem poluição e sem sais. As condições no interior da câmara durante o ensaio são de 100% de umidade relativa do ar (atmosfera saturada) e temperatura de 37oC a 43ºC. O ensaio é conduzido em ciclos contínuos de 24 horas. A água evapora do fundo aquecido da câmara e se condensa nos corpos-de-prova e nas paredes, gotejando e retornando ao fundo da câmara. Neste ensaio é comum aparecerem bolhas na pintura por causa do fenômeno de osmose.

    Química e Derivados, Zehbour Panossian, Chefe do Laboratório de Corrosão e Proteção, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Panossian: IPT tem estrutura para realizar ensaios

    Para avaliar o impacto sobre a tinta da atmosfera de uma região industrial altamente poluída com gás anidrido sulfuroso (SO2), também chamado de dióxido de enxofre, utiliza-se a câmara conhecida como Kesternich. O SO2 é produzido na queima de combustíveis que contêm compostos de enxofre (ex: óleo combustível e diesel). O SO2, em presença de alguns metais, comuns nas ligas do aço, e em presença de umidade e oxigênio, se transforma em ácido sulfúrico (H2SO4). Assim são produzidas as chamadas chuvas ácidas em ambientes industriais.

    A câmara Kesternich, informa Gnecco, tem volume de300 litros. Com2 litrosde gás SO2 , a concentração deste gás no interior da câmara durante as 8 horas em que permanece fechada é de 6.666,66 ppm. Essa é uma condição muito agressiva, pois em uma região industrial como Capuava, por exemplo, a concentração em um dia muito poluído não chega a 0,5 ppm.

    O ensaio é realizado em ciclo de 24 horas, sendo 8 horas com a câmara fechada, com injeção de2 litrosde gás SO2 em temperatura de 37ºC a 43ºC e umidade relativa do ar de 100% (atmosfera saturada) e 16 horas de câmera aberta e desligada, nas condições ambiente.

    Ultravioleta e infravermelho – A luz ultravioleta (UV) é danosa para polímeros e pigmentos. O sistema mais tradicional de ensaios para luz ultravioleta é realizado em uma câmara com uma bandeja em sua parte inferior, onde a água é aquecida. Na câmara, há oito lâmpadas que emitem luz UV-B ou UV-A e as placas pintadas ficam junto à parede da câmara, de maneira que a face principal fique virada para o interior, exposta à luz e à umidade. O ar do ambiente passa pela face oposta e resfria cerca de 5 graus a menos que a temperatura do interior da câmara, provocando a condensação na face principal.

    Segundo a explicação de Gnecco, no espectro eletromagnético, a faixa de radiação ultravioleta vai de250 a400 nanômetros (nm). Nesta região, são encontrados três tipos de radiações ultravioleta: a UV-A (315 a400 nm), que causa alguma degradação nos polímeros, consegue atravessar a janela de vidro; a radiação UV-B (280 a315 nm), responsável pela maior parte dos danos aos polímeros, é absorvida pela janela; e a radiação UV-C (abaixo de 280 nm), encontrada na radiação solar somente no espaço, é filtrada pela camada de ozônio na atmosfera. Nos ensaios, são evitadas radiações abaixo de 280 nanômetros, por se tratar de energia não-natural e, portanto, não significativa.

    Química e Derivados, László Tauszig, Diretor da Emite, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Tauszig: câmara UV atual avalia desgaste das lâmpadas

    Os ensaios são realizados por meio da alternância automática entre ciclos de luz e condensação, assim como de temperatura. A câmara funciona de tal maneira que os ciclos se repetem 24 horas por dia, 7 dias por semana. As reações fotoquímicas começam quando as lâmpadas UV são ligadas. O grau de reações fotoquímicas é proporcional ao tempo de exposição ao UV e à temperatura. O ciclo com 4 horas de UV a 70ºC e mais 4 horas de condensação a 40ºC é uma combinação típica.

    O ensaio foi concebido levando-se em conta três conceitos: 1°) Para simular os efeitos da luz do sol, é necessária somente a faixa de comprimento de onda da região do ultravioleta e não todo o espectro da luz solar. Os melhores resultados são obtidos reproduzindo-se somente os comprimentos de onda mais curtos: o UV-A ou o UV-B; 2°) A maneira mais apropriada para simular o ataque da umidade é com condensação a quente em uma temperatura elevada; 3°) Os efeitos do UV e da condensação são acelerados pela elevação da temperatura de ensaio.

    O ensaio de intemperismo artificial, também conhecido como weatherometer, avalia o impacto das luzes ultravioleta e infravermelha. Como diz Leandro de Santis, da Panambra, a luz infravermelha é fonte de estresse térmico, ou seja, calor, que pode gerar impactos negativos na pintura, como trincas e fissuras.

    Gnecco explica que o ensaio de intemperismo artificial é realizado em uma câmara contendo um suporte no qual são afixadas as placas pintadas. O suporte gira uma rotação por minuto em torno de uma lâmpada de gás xenônio de 6.500 W.

    As placas pintadas ficam expostas às radiações ultravioleta e infravermelha e à pulverização de água em ciclos de 2 horas, sendo 102 minutos de luz e 18 minutos de luz e água. Durante a exposição à luz somente, a temperatura das placas pintadas com tinta negra pode chegar a 63ºC. A água pulverizada sobre as placas é desmineralizada e entra na câmara à temperatura ambiente, o que faz com que a temperatura das placas sofra uma redução brusca. A umidade relativa do ar no interior da câmara varia de 30%, durante os 102 minutos de luz, até próximo de 100%, durante os 18 minutos de pulverização com água.



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