Tintas e Revestimentos

Tintas: Mercado em recuperação busca pigmentos de qualidade

Hamilton Almeida
6 de julho de 2018
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    O uso de ácido nítrico e de soda cáustica no processo industrial do óxido de ferro é algo “extremamente perigoso do ponto de vista ambiental”. Para se adequar aos novos tempos, a produção do New Red é sustentável. “Isso exigiu investimentos elevados em filtragens e reaproveitamento nos processos industriais”, relata Ferreira.

    Química e Derivados, Ferreira: fábrica na China faz o pigmento inovador New Red

    Ferreira: fábrica na China faz o pigmento inovador New Red

    Caetano, da Colormix, também testemunha que, nos últimos anos, diversas empresas asiáticas foram obrigadas a se adequar às novas legislações ambientais; algumas não conseguiram aprovação do governo e tiveram que reduzir ou encerrar as suas produções. Consequentemente, o aumento da demanda e a redução de produção “tem pressionado os preços de pigmentos neste primeiro trimestre”.

    Heise, da Forscher, está preocupado. “Constantemente somos surpreendidos por medidas governamentais de alto impacto na indústria química como um todo. Não esperamos que esse ciclo seja de curta duração. É difícil avaliar se são efetivamente medidas de cunho ambiental ou estratégias comerciais da China, uma vez que toda a indústria de pigmentos foi transferida para a Ásia (notadamente a China). Pode simplesmente ser uma estratégia de elevação de preços, afinal, montar novas plantas em países europeus ou mesmo nos Estados Unidos é custoso, demorado e a pressão ambiental é muito maior”.

    “Toda a cadeia produtiva de pigmentos orgânicos está sendo seriamente afetada pela redução proveniente da China”, afirma Uehara. “Matérias-primas essenciais para a produção tiveram a sua disponibilidade impactada e alguns Color Index foram afetados por indisponibilidade e aumento de preços. A Clariant tenta amenizar estes fatores por meio de sua estratégia de gestão de fornecedores”.

    “As empresas cada vez mais solicitam produtos que sejam comprovadamente não tóxicos e não agridam o meio ambiente. Apesar de não haver legislação especifica quanto a esse tema no Brasil, há maior conscientização e substituição espontânea”, pondera Caetano.

    Uehara pensa que as regulamentações estão em constante atualização e no Brasil isso não é diferente. “Está em discussão, junto à Abiquim, a diminuição do teor máximo de chumbo em tintas, não só nas imobiliárias, mas em todos os tipos. O tema VOC também está em discussão junto à comissão da Abrafati”.

    “A Clariant trabalha na vanguarda do segmento, estando sempre à frente em relação às novas regulamentações e exigências globais de mercado. Avaliamos e desenvolvemos novas matérias-primas com o intuito de que nossos produtos estejam de acordo com as mais rigorosas regulamentações ambientais, até mesmo as que ainda não são requeridas. Temos metas audaciosas de redução das emissões de resíduos e diminuição do consumo de água para todo o grupo”, complementou.

    Heise argumenta que as regulamentações estão sempre mais exigentes e assim deverão permanecer. “Agora, até o dióxido de titânio entrou na mira dos órgãos regulamentadores; questiona-se a segurança de seu uso. No Brasil, a alfandega endureceu os procedimentos com relação à presença de pragas em paletes de madeira, exigindo o retorno da carga para a origem, não aceitando nem processo de fumigação”.

    Tecnologia – Caetano comenta a existência de um nicho que, atualmente, busca tintas mais tecnológicas, as chamadas tintas inteligentes. Estas, além de proporcionar estética, conferem características funcionais e também têm crescimento expressivo na Europa, Ásia e Estados Unidos e, lentamente, estão sendo introduzidas no Brasil. “Pigmentos que acompanhem estas tendências e tecnologia terão maior utilização em breve”, prevê.

    Ele antecipa que novas tecnologias de aplicação para tintas com efeito espelhado, tintas marítimas não incrustantes sem adição de materiais tóxicos, tintas com altíssima proteção anticorrosiva com menor camada e livres de fosfatos são alguns exemplos de tendências para novas aplicações.

    A Colormix Especialidades trabalha com aditivos poliméricos e reológicos da BYK, pigmentos de alumínios e micas sintéticas da Eckart, micas naturais da Ruicheng, pigmentos orgânicos da DCC para a indústria, Toyo Color para as tintas gráficas, pigmentos inorgânicos da Ferro, além de óxidos de ferro amarelo, vermelho e preto.

    Heise revela que existem alguns estudos relacionados à fabricação de pigmentos que refratam a luz, simulando, por exemplo, as cores de uma asa de borboleta, que ocorre sem a presença de nenhum pigmento ou corante. Simplesmente por efeito físico da luz incidente, refletida e refratada e as interferências entre os comprimentos de onda da luz. “É uma tecnologia que promete a cor sem nenhum composto químico perigoso”, salienta. A Forscher é especializada em pigmentos de alta performance. “Temos a linha mais completa. Alta performance implica propriedades de alta resistência à luz, intempéries, química e à temperatura. Como não somos fabricantes, temos como estratégia buscar sempre inovações, produtores de altíssima qualidade e competitivos”, assinala o diretor.



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    Um Comentário


    1. Luciano moreira da silva

      sou colorista e preparador de tintas gostaria de trabalhar



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