Tintas e Revestimentos

Tintas: Mercado em recuperação busca pigmentos de qualidade

Hamilton Almeida
6 de julho de 2018
    -(reset)+

    Química e Derivados, Mercado em recuperação busca pigmentos de qualidade, mas encontra oferta global restrita - Tintas e Revestimentos

    Os fornecedores de pigmentos para a indústria de tintas estão na expectativa de que a economia brasileira mude de rumo em 2018. Após amargar um período recessivo, o setor se prepara para crescer e enfrentar os desafios das regulamentações cada vez mais exigentes e das novas tecnologias que estão chegando em um momento em que a China reduz a produção de matérias-primas, gerando instabilidade.

    Química e Derivados, Caetano: tintas inteligentes exigem avanço nos pigmentos

    Caetano: tintas inteligentes exigem avanço nos pigmentos

    “Acreditamos que, a partir deste ano, vai ocorrer uma recuperação de consumo nas principais áreas de tintas”, declara Marcelo Caetano, gerente técnico de pigmentos e preparações pigmentárias da Colormix Especialidades. “O maior consumo irá refletir no aumento de vendas dos pigmentos orgânicos e estimular projetos que ficaram on hold, como a substituição de pigmentos com metais pesados”.

    “Para 2018, há um otimismo moderado para os pigmentos orgânicos”, classifica Milton Yoshio Uehara, gerente técnico de coatings da Clariant América Latina. “Há expectativa de retomada da economia e, consequentemente, do consumo no país, porém fatores relacionados com o cenário político e econômico fazem com que o futuro ainda não esteja muito claro”.

    Representante do portfólio de pigmentos da Basf Colors & Effects, a IMCD também aposta na tendência de recuperação, mesmo com as incertezas que o ano traz. “A situação macroeconômica tem mostrado melhorias e sinais de recuperação’, informa Eider M. Amorim Junior, diretor do negócio de pigmentos da distribuidora.

    Na ótica da Forscher, o mercado de pigmentos orgânicos deverá experimentar um crescimento, em 2018, de 8% a 10% nos valores de importação. “Há dois fatores de impacto a considerar: o crescimento do PIB e a forte alta de preços dos pigmentos orgânicos clássicos pela falta de matérias-primas. Muitos pigmentos tiveram aumentos superiores a 20% em dólar. A tendência é de alta por pelo menos mais uns 6 meses. Se esses aumentos perdurarem por um tempo maior, é possível que o crescimento em valor seja maior do que os estimados 10%”, analisa o diretor Harry Heise. “Com relação aos volumes, estimamos que haverá uma manutenção de consumo, ou até uma redução, por causa das elevações nos preços”.

    Química e Derivados, Amorim oferece pigmentos para linha automotiva, da Basf/Landa

    Amorim oferece pigmentos para linha automotiva, da Basf/Landa

    “A construção civil não engrenou, continua andando de lado. Há falta de investimentos em infraestrutura e o ramo imobiliário não ganhou velocidade”, lamenta o gerente executivo de vendas da unidade de pigmentos inorgânicos da Lanxess, Givanildo Ferreira. Com razão, pois o desempenho das tintas em geral (e o da empresa) depende do crescimento do imobiliário, o grande propulsor de consumo de matérias-primas e de tintas (80% do volume).

    Outras áreas, como as de tintas industriais ou protetivas e marítimas, também sofrem com o baixo desempenho ou estagnação dos negócios e, na opinião de Ferreira, “não têm contribuído para o avanço do segmento”. Já o automotivo, no qual é relativamente menor a participação da companhia, vem exibindo recuperação com base no comportamento das exportações.

    Ele avalia que o crescimento setorial deste ano será modesto, da ordem de 1,5%, índice que a Lanxess deverá acompanhar. Difícil, entretanto, é fazer previsões com um prazo maior. “Tudo está conectado com a economia e a política. O Brasil precisa de um novo presidente que tenha compromisso com um programa de investimentos e de incentivo à indústria. Precisa haver uma retomada na construção civil, motor para muitas divisões da economia e fonte de geração de renda e de emprego. O que está movimentando o segmento de tintas, atualmente, são as reformas. Somente a construção de novos imóveis é que fará a indústria ter um giro mais rápido”.

    Heise considera difícil fazer qualquer estimativa, “especialmente no Brasil, onde a instabilidade política e a complexidade fiscal têm afastado investimentos e causado fechamento de fábricas tradicionais”. Arriscando um palpite, ele diz que, no médio prazo (5 anos), deve ocorrer um crescimento no consumo de pigmentos da ordem de 2% a 3% ao ano. No longo prazo (10 anos), a tendência a restrições ambientais, pressão de preços e outros fatores farão que se experimente uma substituição por produtos incolores ou fabricados com tecnologias novas e mais ecológicas.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *