Tintas Marítimas – Estaleiros em plena carga mantêm pedidos em alta

Química e Derivados, Tintas Marítimas, Estaleiros em plena cargaA maré está alta para o segmento de tintas marítimas. O bom momento da indústria naval brasileira, depois de um longo período de estagnação, e as perspectivas amplamente favoráveis para a exploração de petróleo na camada pré-sal geram uma onda de otimismo entre os principais fabricantes dessas tintas especiais, que estão atentos também a outra tendência do mercado: a demanda por produtos mais duráveis e ecologicamente corretos, sem representar riscos ao meio ambiente marinho.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) estima que as vendas de tintas industriais, que englobam as tintas marítimas, atingirão a marca de 186 milhões de litros este ano, com um avanço de 6,5% nos negócios em relação ao desempenho no ano passado. Os números da Abrafati, aliás, são favoráveis para todos os segmentos do setor.

A entidade espera que o volume total de vendas some 1,45 bilhão de litros no ano, o que significaria um crescimento de 6,7% sobre a base de 2010. A expansão prevista para o segmento de tintas industriais é pouco inferior à do de tintas imobiliárias (7%) e supera com folga os índices projetados para tintas automotivas originais (4%) e repintura automotiva (4%).

“Os fatores que têm levado ao crescimento das vendas de tintas são estruturais e não circunstanciais. Por isso, acreditamos em um ciclo duradouro de bons resultados, que em poucos anos nos fará alcançar a marca de 2 bilhões de litros anuais vendidos”, projeta Dilson Ferreira, presidente executivo da Abrafati.

Fernando Macedo, gerente geral da International Paint – Unidade de Tintas Marítimas e Industriais da AkzoNobel, registra o otimismo reinante: “Vislumbramos um grande aquecimento da indústria naval brasileira nos próximos anos. Estamos em uma nova era.” Ele esclarece: “Houve uma descentralização dos polos de construção que estavam concentrados no Rio de Janeiro, em Itajaí-SC e em Santos-SP, e hoje já temos novos estaleiros de grande porte construídos e operando em Recife-PE e Rio Grande-RS, por exemplo, com anúncios de construção em outros estados.”

A International Paint está preparada para esta nova realidade. A unidade da AkzoNobel “atenderá à demanda do mercado com produtos de alta tecnologia e técnicos altamente qualificados”; também vai ampliar a sua rede de distribuição para atender às exigências locais dos novos estaleiros. “Projetamos uma participação crescente neste novo mercado e contamos com alguns contatos que estão em fase de negociação com os estaleiros nacionais”, observa Macedo.

A expansão do mercado em função do comportamento da Petrobras e de outras empresas ligadas ao segmento também é motivo de festa para a Sherwin-Williams, fabricante de tintas que no ano passado aumentou a sua participação nos negócios com a aquisição da Euronavy. “Estamos bastante otimistas, desde que continuem alavancados os investimentos da Petrobras”, pondera o diretor comercial Durival Pitta.

O clima otimista é reforçado por Reinaldo Richter, diretor superintendente da Weg Tintas: “O Brasil vive um ótimo momento no segmento marítimo e offshore e podemos destacar o pré-sal como responsável por manter positivo este índice. Aproveitando a maré, o mercado de tintas marítimas também vive um momento especial. As empresas estão se tornando cada vez mais competitivas e investindo em pesquisa e novas tecnologias.” A maré está tão favorável que, em 2010, a Weg Tintas superou as metas estabelecidas para o ano.

Química e Derivados, Reinaldo Richter, Weg Tintas, Tintas Marítimas
Richter: ótimo momento ficará ainda melhor com o pré-sal

O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), lançado pelo governo federal em 2004 para revitalizar a indústria naval, criou um grande volume de negócios, tornando 2010 o ano da retomada de investimentos no setor. “Estavam programados cinco navios para entrega no ano passado, mas foram lançados dois navios no Estaleiro Mauá e um no Estaleiro Atlântico Sul, além de outras embarcações de apoio a diversos armadores. Os demais serão fabricados em 2011, juntamente com o restante dos 49 navios programados para entrega até 2015”, relata Adauto Riva, gerente técnico de produtos da Renner Protective Coatings. “O primeiro navio do Promef foi pintado com tintas Sherwin-Williams e a nossa intenção é a de continuar investindo em produtos e serviços para que possamos continuar crescendo nesse setor”, adiciona Pitta.

Com mais de oito décadas de atividades no mercado de tintas, a Renner Protective Coatings “está homologada para o fornecimento de revestimentos anticorrosivos para o Promef e oferece produtos certificados que atendem às exigências da IMO (International Maritime Organization)/PSPC, dentre eles os epoxídicos tar free [sem alcatrão], os da linha Revchem, indicados para os revestimentos de interior de tanques e compatíveis com uma imensa quantidade de cargas líquidas (inclusive o etanol) e esquemas de pintura com cura acelerada, para maximizar a produtividade dos estaleiros”, declara Riva.

A Renner Protective Coatings tem participação ativa na área de manutenção marítima. Está presente nas obras dos módulos da Plataforma P-55, em plataformas na Bacia de Campos e Macaé, dentre outras. Também atua em obras novas, que consomem um volume significativo de tintas e revestimentos anticorrosivos, como na construção da usina de ondas. A empresa possui certificações e homologações que atendem às normas da IMO/PSPC. “Com isso, é a única fornecedora de capital 100% nacional que consegue espaço para disputar o mercado internacional de tintas para o segmento naval”, acrescenta.

Futuro garantido – Tudo indica que a maré alta vai ter longa duração. O horizonte é “promissor pelo menos para os próximos cinco anos. A AkzoNobel/International tem atingido suas metas projetadas de crescimento e de retorno financeiro”, revela Macedo. Riva, da Renner Protective Coatings, vai além: “A previsão é de que o mercado continue em fase ascendente durante os próximos dez anos. Para 2011, pretendemos alcançar crescimento superior a dois dígitos, participando dos projetos do Promef 1, de outros armadores e de diversas obras em execução em todo o território brasileiro.” Para isso, a empresa mantém uma linha de pesquisa bastante ativa e uma equipe técnica especializada que atua em todo o Brasil.

Química e Derivados, Adauto Riva, Renner Protective Coatings, navios, tintas marítimas, estaleiros
Riva: até 2015 serão produzidos 49 navios por estaleiros nacionais

Por sua vez, a Sherwin-Williams acredita tanto no “contínuo crescimento” desse setor que promete seguir investindo em equipes, treinamentos, produtos e logística. Cauteloso, Richter, da Weg, afirma que 2011 é um ano com “boas perspectivas”, afinal “os investimentos no pré-sal impulsionam o crescimento do mercado”. Obviamente, faz parte dos planos da Weg aproveitar essas oportunidades. “A grande preocupação para o período é o índice de conteúdo local, que tem gerado dúvidas nos players do mercado”, revela.

Novos contratos também fazem parte do cotidiano da AkzoNobel. Os serviços nos navios dos estaleiros Mauá, Eisa Ilha e STX já estão sendo feitos com o sistema certificado pela IMO/PSPC para tanques de lastro, o que os deixa em conformidade com a norma IMO MSC 215 (82) PSPC e sem a necessidade de remoção do shop primer de zinco, proporcionando “aumento significativo de velocidade de processo, redução de custo de produção, além de proteger o meio ambiente, diminuindo os resíduos”.

Para os armadores brasileiros, os benefícios desta normatização vêm em dobro, pois ampliam as condições de durabilidade para, no mínimo, quinze anos para os tanques de lastro; e a indústria naval nacional fica dispensada de importar estes revestimentos, como salienta Macedo. “Além de adquirir os produtos no mercado nacional diretamente da fábrica da International Paint no Brasil, em São Gonçalo-RJ, tanto os estaleiros como os armadores poderão contar com a confiabilidade e o pronto atendimento local, e ainda ter o apoio de uma equipe técnica qualificada para acompanhar os projetos”, comentou.

Segundo Macedo, as empresas estão cada vez mais conscientes quan­to à diminuição da emissão de poluentes e focadas em proteger os trabalhadores. “Por isso, a demanda por produtos ecologicamente corretos tem sido cada vez maior”, afirma. Para o gerente, um dos principais desafios da AkzoNobel/International é continuar desenvolvendo produtos menos tóxicos ao ser humano e ao meio ambiente. A empresa é signatária do Coatings Care, um programa de comprometimento e responsabilidade da indústria de tintas mundial para a melhoria contínua dos aspectos relacionados ao meio ambiente, saúde e segurança. “Um bom exemplo é a iniciativa da empresa de descontinuar a fabricação de produtos à base de alcatrão de hulha desde janeiro de 2006”, lembra o gerente geral.

Química e Derivados, Fernando Macedo, AkzoNobel International Paint, tintas marítimas
Macedo: novos polos de construção impulsionam a indústria naval

Outro desafio da AkzoNobel/International é manter o desenvolvimento e a certificação de produtos que precisam atender à nova legislação da IMO. Assim, os navios construídos desde julho de 2008 têm o fator durabilidade sensivelmente ampliado com os novos padrões para pinturas marítimas estabelecidos pela norma IMO/PSPC. Esta norma, adotada em dezembro de 2006, estabeleceu novos padrões para pinturas marítimas, visando uma durabilidade de no mínimo quinze anos para navios acima de 500 GT (gross tonnage) e cascos duplos de graneleiros de 150 m ou mais de comprimento.

Macedo considera que a AkzoNobel/International saiu na frente ao estabelecer um amplo programa de ensaios para testar seus produtos e esquemas de pinturas. Atualmente, possui 87 sistemas aprovados mundialmente. “Possuímos o certificado Type Approval das maiores classificadoras. É composto pelos seguintes produtos: Interplate 855 (shop primer de zinco) e pelos primers Intershield 300 e Interbond 808 (primer/acabamento epóxi)”, diz.

[box_light]Leia também: Bom desempenho favorece o uso de tintas ecológicas[/box_light]

[box_light]Saiba mais: Pintura se adapta a uso seguro[/box_light]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.