Tintas – Maior permanência em casa estimulou reformas

Tintas - Maior permanência em casa estimulou reformas e elevou as vendas da linha imobiliária - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos

Tintas – Maior permanência em casa estimulou reformas e elevou as vendas da linha imobiliária – Perspectivas 2021

Era para ter sido um desastre, mas o resultado de 2020 surpreendeu a indústria brasileira de tintas ao apresentar elevação de 3,5% no volume vendido sobre o ano anterior, somando mais de 1,6 bilhão de litros. Esse percentual foi até superior ao divulgado pelo setor no início de 2020, quando se projetava uma evolução entre 2,5% e 3% para o ano.

O aumento no volume total de vendas precisa ser detalhado para que se evidencie o impacto da pandemia de Covid-19. As tintas imobiliárias registraram aumento de 5,1%, mas a venda de produtos para a fabricação de automóveis despencou 28%, e as linhas de repintura automotiva e de indústria geral apresentaram estabilidade de negócios (veja tabela).

Tintas - Maior permanência em casa estimulou reformas e elevou as vendas da linha imobiliária - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos

Há muito não se via um salto tão grande (66 milhões de litros) na venda das tintas imobiliárias. “Com a pandemia, as pessoas passaram a ficar mais tempo em suas casas, até para trabalhar, e isso incentivou reformas e adaptações de ambientes, puxando a venda de tintas decorativas”, comentou Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati). Investimentos em construção civil também contribuíram, aproveitando o crescente interesse de investidores no mercado imobiliário em desfavor das aplicações financeiras de renda fixa.

Cornacchioni atribuiu uma parcela importante do crescimento das vendas de tintas imobiliárias às ações da rede de distribuição e varejo. “Além de forte atuação nas promoções comerciais, a cadeia produtiva se alinhou para conseguir que o governo federal incluísse o varejo de materiais de construção no rol das atividades essenciais, impedindo seu fechamento no período crítico da pandemia”, salientou.

Nem tudo foram flores, porém. O setor enfrentou dificuldades pontuais para se abastecer de insumos desde abril de 2020. “Houve uma parada geral em abril, houve retomada e as cadeias de suprimentos estão voltando aos poucos ao normal”, informou. Ainda segue em estado crítico o fornecimento de embalagens metálicas e plásticas, um problema percebido em escala mundial. “O setor de embalagens está melhorando, em breve estará tudo funcionando bem.”



Por sua vez, o mercado de tintas automotivas originais foi duramente impactado em 2020. A demanda por carros despencou no segundo trimestre e as montadoras suspenderam a produção na tentativa de reduzir custos. Passado o impacto da primeira onda da doença, as fábricas retornaram para suprir uma demanda que ficou represada por meses. Nesse momento, verificou-se que a cadeia produtiva seguia instável, faltavam peças para completar as unidades em produção, atrapalhando a operação. “Com todos esses problemas, as montadoras voltaram a funcionar com força, mas verificamos uma redução de 27% nas vendas de tintas para pintura original”, comentou Cornacchioni.

Dados da Anfavea mostram que a produção de veículos leves no Brasil caiu de 2,8 milhões de unidades em 2019 para 1,9 milhão em 2020, uma redução de 32%.

As instabilidades econômicas e os bloqueios impostos à circulação de pessoas levaram a reduzir o número de deslocamentos e o uso dos carros. “Além disso, o mercado de carros usados ficou meio parado, tudo isso acabou por desestimular o consumo de tintas de repintura automotiva, segmento cujas vendas ficaram no mesmo nível das de 2019”, considerou.

Nas tintas industriais, alguns nichos tiveram boa evolução, como o voltado para a produção de itens hospitalares e medicinais. Outros, porém, tiveram atividade reduzida. “Ao todo, as vendas de tintas industriais também empataram com as do ano anterior”, afirmou.

O crescimento de 3,5% nas vendas físicas totais foi considerado auspicioso pelo setor, muito embora as tintas imobiliárias tenham valor unitário mais baixo que as automotivas, sendo necessário verificar o impacto econômico real desse comportamento de mercado. Comparado ao PIB, que caiu 4,05% em 2020 (conforme estimativa recente do Banco Central), o dado merece comemoração.

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