Tintas e Revestimentos

Tintas Imobiliárias – Programas sociais incentivam consumo no NE

Jose Valverde
18 de novembro de 2010
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    O colega da Akzo Nobel apenas concorda: o mercado regional cresce mais, em relação à média do país. Apenas quando instigado, refere-se à influência do programa habitacional Minha Casa Minha Vida: “Com certeza influencia, sim”, diz poupando o entusiasmo.

    Padrões de tintas – Os executivos das três fábricas consideram lógico que no atual estágio de desenvolvimento social o mercado majoritário no Nordeste ainda seja o nicho das tintas econômicas, que agregam pouco valor em relação às outras opções, das linhas standard e premium.

    Abraão Souza avalia que o consumo das tintas econômicas ainda representa 60% do total – um volume em termos percentuais bem superior à média do restante do país, entre 32% e 35%. “O mercado nordestino sem dúvida é mais econômico, em comparação ao das demais regiões – e essa, sem dúvida, é a maior diferença”, analisou. Para ele, o hábito de morar muito tempo em casas inacabadas persiste, e quando, finalmente, a primeira pintura ocorre, é sempre com uma tinta econômica. “Só depois se descobre que tintas standard e premium oferecem um desempenho bem mais alto”, disse. Ressalva, entretanto, que há uma indecifrável exceção, um paradoxo: no Piauí, o consumo da linha premium é mais elevado do que o dos tipos econômicos. “É difícil entender”, rende-se Costa. “É um ponto fora da curva.” O fato é que no Piauí, um dos dois ou três estados de renda mais baixa, o interesse em manter bem apresentada a casa extrapola em relação ao restante da região.

    Concorda Frederico Gonçalves, da Akzo Nobel, que o maior consumo na região ainda corresponde a um mix da linha econômica, para ele com vendas em torno de 65%; mas pondera: já estaria sendo percebida certa tendência a um consumo maior das tintas standard e premium. Em sua empresa, os produtos standard já apresentam maior expansão comercial em confronto com os econômicos. Como consequência, a Akzo Nobel já teria alcançado a liderança regional na faixa premium. Alan Souza apenas ressalva: a Iquine “está mais focada no padrão standard”.

    Preferências regionais – Entre as especificidades do consumo nordestino, Alan Souza aponta a “cultura das cores mais fortes”, as notadas nos próprios casarios coloniais, como os de Olinda (Pernambuco) e Pelourinho (Bahia). “Os tons tropicais brasileiros prevalecem”, ressalta. Essa cultura exclui quase completamente o uso de tinta branca nas fachadas, onde a preferência pictórica é voltada, principalmente, para o vermelho e amarelo fortes, carregados na pigmentação.

    Frederico Gonçalves atribui ao clima, quase sempre ensolarado, essa crescente procura por cores mais “fortes e vibrantes”, principalmente para usos externos. Ressalva, porém, que nos ambientes internos a predominância do branco persiste. “Ainda é uma escolha frequente, pois possibilita o aproveitamento melhor da luminosidade”, explicou.

    Abraão Souza ressalta que o mesmo Piauí, onde o consumo das tintas premium é o mais acentuado no Nordeste, é também onde a cultura das cores fortes, apesar de presente em todos os estados da região, disseminou-se mais intensamente. Cores fortes usadas nas fachadas que ele associa a flores e frutas tropicais.

    Entretanto, as três fábricas não produzem tintas especialmente “colorizadas” para a região. As fórmulas de cores são as mesmas das demais regiões. A incidência mais prolongada de sol e das chuvas também não são motivo para mudanças e adaptações. “Não há nenhuma tinta diferenciada para o Nordeste”, resume Abraão Costa. “A norma brasileira é a mesma para todas as regiões.”

    Na Bahia e Pernambuco, sabe-se que algumas fábricas costumam doar as tintas de coloração sempre fortes usadas na renovação das pinturas dos sobrados que formam os casarios históricos. Essas doações seriam associadas à intenção dos doadores em disseminar a preferência por tais colorações, ou seja, investir no “efeito vitrine”.

    Além de provocar maior impacto visual, induzindo à preferência por cores mais pigmentadas, os fabricantes levam em conta que elas são as mais afetadas pela ação das intempéries e, portanto, também são as mais propensas à renovação da pintura a intervalos mais curtos. Abreviar o tempo para a nova pintura é detalhe importante nas estratégias de marketing. Alan Souza reconhece que a propriedade de se degradarem em tempo menor é fator favorecedor da renovação e do incremento das vendas.

    Instigado, Abraão Souza admite que telhados pintados de tintas branco-reflexivas, como os das casinhas vistas na ensolarada costa do Mar Egeu, poderiam reduzir em até quatro graus célsius a temperatura interna nos dias nordestinos mais ensolarados, mas não há tal percepção no mercado.

    Segundo o gerente da fábrica da Akzo Nobel, outra peculiaridade regional é a opção ainda alta por tintas a óleo (base solvente), indício de certa resistência ou desconfiança ao uso de esmaltes à base d’água. Seria, segundo ele, um atavismo associado à preferência do pintor, que ainda não se rendeu aos apelos e benefícios ambientais. “Neste aspecto, no Nordeste ainda somos um mercado muito tradicional”, resume Gonçalves.

    Alan Souza destaca outra particularidade regional, também admitida pelos outros dois executivos: a maior procura por tintas de secagem mais rápida. Tal preferência seria mais notada na Bahia, o maior estado consumidor de tintas no Nordeste. Decorreria da circunstância de a secagem em 30 minutos evitar que o pintor permaneça de braços cruzados, esperando o tempo passar, para começar a segunda demão. A secagem acaba, explica Souza, quando o solvente se evapora e o odor residual estiver atenuado. Ele propagandeia: “A opção que a Iquine oferece para isso é o esmalte de secagem rápida Dialine, o líder na região.”



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