Tintas e Revestimentos

Tintas: Empreendedorismo dá o tom do sucesso no pólo catarinense

Fernando C. de Castro
2 de abril de 2004
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    O relacionamento dos papas da tinta no sul catarinense já foi melhor, mas deteriorou com a quebra de um acordo comercial no qual a Anjo se comprometia a permanecer restrita à produção de esmaltes e produtos para repintura automotiva. A Farben ficaria com sua linha moveleira e a Resicolor jamais fabricaria produtos que saíssem do mercado imobiliário. O acerto de cavalheiros parece ter se rompido com a iniciativa da Farben, em 2002, ao entrar no terreno da Anjo. Com isso, Beto Colombo passou a fabricar tintas imobiliárias, alegando que havia sido prejudicado. Os sócios da Resicolor reagiram e passaram a oferecer produtos para a linha automotiva e direcionadas ao mercado de móveis.

    Química e Derivados: Tintas: Arlene - pioneirismo na região foi da Untergen. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Arlene – pioneirismo na região foi da Untergen.

    A despeito de suas rusgas, os empresários do sul catarinense estão bem equipados com relação às tecnologias para desenvolvimento de tintas, vernizes e aromáticos. Laboratórios montados com a gama completa de aparelhos para medir a temperatura das cores, viscosidade, testes forçados em estufas, espectofotometria e testes de blocking são corriqueiros. A Farben sofisticou a área de desenvolvimento ao instalar uma cabine de pintura similar às de seus clientes para testar os produtos nas condições reais da pintura de móveis. O alto nível de automação industrial é outra característica importante. Nesse aspecto, a Anjo parece estar à frente, embora a Resicolor tenha reservado R$ 1,5 milhão em 2004 para ampliar sua produção com tecnologia de ponta. Com tudo isso, o sul de Santa Catarina ocupa lugar de destaque no concorrido mercado brasileiro de tintas e complementos, disputado a tapa por mais de 500 empresas.

    Dinamismo na região atrai novas fábricas

    A dinâmica indústria de tintas do sul catarinense vê nascer novos empreendedores da noite para o dia. Um exemplo disso é a Alpa Química, fundada há sete meses, em Morro da Fumaça. A empresa detém as marcas comerciais Supratelha para revestimentos de telhados e impermeabilizantes. Além disso, lançou há poucos meses a Supralith para tintas imobiliárias acrílicas com distribuição restrita a Santa Catarina. “É umas das mais conceituadas e com maior brilho do mercado”, garante o diretor comercial e sócio no negócio, Alex Teixeira Veneranto.

    Diferente dos pesos pesados da região, que estão investindo no desenvolvimento dos esmaltes sintéticos, ele aposta na tinta a óleo, produzida com resina, também derivada de óleo de soja, porém mais barata. No entender do empresário, existe espaço no mercado porque o produto suporta melhor a dilatação da madeira, além de pesar menos no bolso do consumidor final. Veneranto tem uma explicação para a profusão de fábricas de tintas em Santa Catarina.

    Conforme ele, os próprios fornecedores de matérias-primas estimularam o fenômeno para forçar o crescimento do consumo de resinas, pigmentos, aditivos, catalisadores, solventes diluentes, corantes, entre outros produtos. “Hoje, se você quiser fabricar tinta, a formulação vem por telefone”, revela Veneranto. Com tudo isso, acrescenta, nesses 20 anos, a região de Criciúma já produziu profissionais em nível técnico e superior suficiente para abastecer a indústria com mão-de-obra qualificada. “Não é só aqui. No restante do Estado estão surgindo pequenas empresas”, assegura.

    O empresário credita o crescimento do consumo de tintas, sobretudo as prediais, a uma mudança de mentalidade porque o acabamento deixou de ser visto pelo consumidor final de baixa renda como material voltado apenas à estética dos imóveis. “A tinta fabricada atualmente não define apenas a cor da parede. Está associada à conservação e valorização do imóvel e à auto-estima de seus moradores”, aposta Veneranto.

    A indústria de tintas, vernizes e solventes do sul catarinense de fato tem espaço para todos. Se numa ponta está sua elite com as marcas Anjo, Resicolor e Farben, na outra surgem empreendedores ao sabor da aventura. É o caso da Santíner, também de Morro da Fumaça. A empresa é tocada por seis pessoas de uma mesma família e mais meia dúzia de empregados. Opera na fabricação de esmaltes sintéticos industriais, tíners e solventes. Flávio Humberto Salvan, um dos donos do pequeno negócio, conta como tudo começou. Segundo ele, há três anos, um fornecedor de agentes químicos prometeu ajudá-los a encontrar compradores, se eles se dispusessem a produzir tíners e esmaltes sintéticos.

    A família que havia se retirado dos negócios com olaria vinha fabricando material de limpeza e aceitou o desafio. Atualmente, processa 45 mil litros de esmaltes industriais em 40 cores diferentes a cada mês. Salvan não vê segredo em formular tintas para o mercado no qual a Santíner pretende crescer. Tanto é que ele apesar de não ter curso superior de química manipula as fórmulas com a ajuda de um técnico do ramo com curso profissionalizante.

    “O produto é barato. Serve muito mais para proteger da corrosão e como fundo. Tem gente que não faz questão de aparência em máquinas industriais ou em implementos agrícolas”, apregoa. A Santíner vem encontrando compradores em Mato Grosso7, Mato Grosso do Sul, Rondônia e no norte do Rio Grande do Sul. “Minha família não está muito interessada em transformar a fábrica em uma grande empresa. Queremos o suficiente para viver bem e poder pescar no final de semana”, simplifica Salvan.



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