Tintas e Revestimentos

Tintas: Empreendedorismo dá o tom do sucesso no pólo catarinense

Fernando C. de Castro
2 de abril de 2004
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    Química e Derivados: Tintas: Zanatta era office-boy e hoje produz tintas moveleiras. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Zanatta era office-boy e hoje produz tintas moveleiras.

    Os outros 20% da produção Farben estão direcionados para tintas acrílicas, poliuretânicas e epóxi base água para o mercado imobiliário e os esmaltes sintéticos de reparação automotiva, mercado no qual a empresa ingressou recentemente. Tíners, solventes e massas plásticas também fazem parte da lista de produtos da empresa. Um dos pontos fortes da Farben no mercado de tintas é a rede de distribuição com 200 representantes e ação redobrada nas principais regiões do país. Além disso, consegue exportar cerca de 8% de sua produção para o Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e México. De acordo com Jayme Zanatta, sua empresa mantém ainda uma rede de assistência técnica como suporte aos distribuidores. No seu entender, a tinta direcionada à indústria de móveis exige agilidade no caso de ocorrer defeitos com alguma das formulações.

    A Resicolor, de Siderópolis, a dez quilômetros de Criciúma, tem como carro-chefe uma gama variada de tintas imobiliárias com destaque para a linha completa de acrílicas e esmaltes sintéticos, algo em torno de 10 milhões de litros por ano, nos cálculos de seu diretor-administrativo e co-proprietário, Jaime Dal Farra.

    Nos últimos dois anos, peitou de frente as líderes do mercado nacional, Renner e Suvinil, ao lançar um sistema tintométrico, o Resicolor System para manipulação de cores personalizadas em pontos de vendas. Somente no Rio de Janeiro, são oito máquinas para a produção de mais de mil cores.

    Os equipamentos podem custar desde R$ 25 mil até R$ 50 mil para o dono da loja de material de construção. Segundo o diretor industrial da Resicolor, José Moreno, em Santa Catarina, a marca ocupou fatias de mercado da Renner. Segundo ele, o grupo gaúcho teve problemas com dezenas de revendas ao investir nos centros de pintura exclusivos. Com isso, diversas lojas deixaram de comprar seus produtos, abrindo espaço para o crescimento da Resicolor. Mas os tentáculos da empresa já encostaram no Rio Grande do Sul, no Centro-Oeste brasileiro, o Norte, o Sudeste e os principais mercados do Nordeste do país, em especial a Bahia e Pernambuco.

    Química e Derivados: Tintas: Moreno (esq.) e Dal Farra - desenvolvimento próprio de sistema tintométrico desafia as multinacionais. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Moreno (esq.) e Dal Farra – desenvolvimento próprio de sistema tintométrico desafia as multinacionais.

    A Resicolor fabrica 14 itens no segmento imobiliário: inseticidas, esmaltes sintéticos, tintas a óleo, acrílicas, impermeabilizantes elásticos, esmaltes acrílicos semibrilho e fosco, removedor de ferrugem, tíners, tintas para piso e uma linha fosca. Na área industrial, oferece revestimento rodoviário para demarcação de estradas com diluente redutor, repintura automotiva de segunda linha, vernizes e redutores para móveis, esmaltes para máquinas industriais e implementos agrícolas completam a lista. Nessas linhas de produtos, a Resicolor processa mais 2 milhões de litros ano, perfazendo 12 milhões de litros na grade completa de produtos da marca.

    Tinta em pasta – Arlene do Amaral é a diretora-executiva da Cristal Color, empresa focada na produção de tintas imobiliárias e especialidades para a linha industrial, com a produção anual de aproximadamente 5,4 milhões de litros em 2003 e com perspectiva de processar 7,5 milhões em 2004. A empresa fabrica três linhas básicas em poliuretano, epóxi e os vernizes. O carro-chefe são as tintas acrílicas e os impermeabilizantes de nome comercial Pró-telha.

    Em 2003, a Cristal Color apresentou uma nova versão de tinta em pasta em diversas cores fosca ou semibrilho. Dispensa selador e com no máximo duas demãos a operação de pintura é finalizada. Sua qualidade é garantida pela forte presença de titânio e resinas. “Mudamos o paradigma da pintura que normalmente levava quatro demãos. Trata-se de uma tinta de alta performance.

    A grande indústria a cada ano coloca mais água na tinta. Água o consumidor tem em casa”, provoca a diretora-executiva. Arlene garante: a novidade vem encontrando boa aceitação em todo o país, principalmente nos mercados de São Paulo e da Bahia. O preço da tinta em pasta é o mesmo da líquida. Mas com 16 litros do produto – quantidade da lata grande da marca Cristal Color – é possível obter 22,5 litros quando a água é adicionada, contra os 18 litros do galão da tinta convencional.

    A Cristal Color produz ainda vernizes de alta resistência às substâncias químicas e abrasivas. No ano passado, atendeu a um pedido de 272 mil litros, desse produto, encomendados para a cobertura dos equipamentos e pisos da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, no Paraná.

    Segundo a diretora-executiva, esse verniz é impermeabilizante e resiste ao tráfego de tratores e caminhões. A empresa atua com força em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Vem ocupando espaço também na área de exportação com vendas a diversos países da América Latina. Começou a prospectar o mercado africano.

    Trocando farpas – A emergente indústria de tintas, vernizes e solventes aromáticos do sul catarinense é motivo de disputas paroquiais e troca de farpas entre seus principais representantes. No entender do presidente da Anjo, sua iniciativa em fabricar tintas foi pioneira na região: “No Brasil nada se cria tudo se copia”, dispara. “O Beto Colombo fala muito. Ninguém gosta dele em Criciúma e até as árvores por aqui sabem que a Untergen foi a primeira fabricante de tintas da região”, devolve o químico José Moreno, da Resicolor. Arlene do Amaral também contesta o big boss da Anjo: “A primeira fábrica de tintas da região foi a Untergen, nos anos 80, sendo reaberta com o nome de Cristal Color em 1998. Os primeiros químicos formados para atender a indústria foram formados aqui. O químico da Resicolor saiu daqui, os da Anjo também, assim como os da Farben. Tudo começou aqui”, assegura a executiva.



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