Tintas e Revestimentos

Tintas em Pó – Melhor afinidade com substratos favorece crescimento das vendas

Hamilton Almeida
14 de outubro de 2011
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    Os insumos – A questão crucial é que muitos insumos são importados. “Por conta do crescimento do mercado asiático, nos últimos anos os insumos têm aumentado significativamente os seus preços em dólar, enquanto que as vendas no mercado brasileiro são realizadas em reais”, reclama Richter.

    Cohen reforça: “Os custos das matérias-primas estão sempre aumentando. Acredito que houve um acréscimo de 10% no último ano.” Há fornecedores locais das resinas, mas os fabricantes de tintas em pó dizem que é compensador importar as matérias-primas.

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    Cohen: consumo nacional se concentra em tintas híbridas e de poliéster

    Campos relata que 2010 e este ano são marcados por grandes aumentos nos custos dos principais insumos da cadeia petroquímica, o que impactou na produção das tintas em pó. “O fortalecimento do real ajudou a amenizar este impacto na cadeia como um todo, porém o fato é que estamos pagando muito mais do que no passado”, afirmou.

    “Outro detalhe importante é que certos insumos são utilizados não só na indústria de tintas, mas também na indústria têxtil, plástica e outras. Um crescimento muito alto na demanda desses segmentos reflete diretamente no preço e na disponibilidade das matérias-primas”, declara Richter.

    Freitas, da AkzoNobel, resume: “As principais famílias de matérias-primas apresentaram incrementos muito elevados, com destaque para o titânio (TiO2).” Cohen confirma e fala em escassez mundial do óxido de titânio.

    O maior esforço, segundo Freitas, tem sido a manutenção de determinadas linhas de produtos que, em função do aumento do consumo e a consequente escassez de algumas matérias-primas, apresentam variações muito significativas nos custos e preços finais.

    Há algum tempo, esse mercado sofreu com a entrada de tintas em pó ruins e de qualidade inferior provenientes da China. “Os produtos chineses têm avançado no mercado nacional não só nas tintas em pó, mas também nas matérias-primas. Em ambos os casos, os produtos são, em sua maioria, de qualidade duvidosa, o que é comprovado em análises específicas”, aponta Sanches, da Reichhold.

    “A qualidade e a garantia de um produto constante e confiável é a arma que temos contra este tipo de ataque ao nosso mercado”, dispara Preto. “O mercado está cada vez mais exigente e ávido por produtos de alta qualidade”, reconhece Richter. “Mesmo assim, os produtos chineses de baixa qualidade e custo têm atrapalhado o mercado.”

    Preto diz acreditar muito no investimento em tecnologia e nas aplicações especiais. “Hoje, os processos líquidos de várias camadas para atingir alta espessura e resistências físicas e químicas requeridas para aplicações anticorrosivas já podem ser substituídos por tinta em pó com maior facilidade de aplicação e custos mais baixos. O crescimento deste mercado é o resultado de muita pesquisa e desenvolvimento.” Ele considera esse crescimento como um prêmio para quem insiste nesse trabalho e fica protegido contra o ataque de produtos não confiáveis.

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    Preto: boas para peças metálicas de peso médio

    Cohen, da Protech, também reconhece a presença de produtos de qualidade inferior no mercado e lamenta que o consumidor brasileiro se limite a comparar preços: “Os clientes nem sempre são fiéis e alguns só enxergam o preço e não a performance e a qualidade das tintas em pó.”

    Ele conta um exemplo disso: “Desenvolvemos tinta em pó com acabamento cromado. Embora essa opção compense mais do que mandar cromar a peça, o cliente só quis saber da questão preço e a nova tecnologia não foi aproveitada. É difícil convencer o cliente a adquirir produtos com maior tecnologia quando ele só tem foco no preço”, lamenta.

    Enquanto os fabricantes de tintas em pó se queixam do custo dos insumos, Gustavo Oliveira, business manager para a América Latina da Lubrizol Performance Coatings, se defende: “O desequilíbrio entre a demanda e a oferta de algumas matérias-primas essenciais para o segmento tem sido a grande causa do aumento de custos em âmbito mundial.” E acrescenta: “A Lubrizol tem buscado minimizar esse impacto para seus clientes por meio de várias iniciativas. É uma questão, entretanto, que preocupa toda a indústria e é de difícil resolução a curto prazo.”

    Edson Sanches, gerente de vendas da Reichhold, concorda que as resinas e os pigmentos geram os maiores impactos no custo final das tintas em pó “devido ao percentual elevado utilizado nessas formulações”. As oscilações de preço ocorrem de forma periódica porque “a maioria das matérias-primas sofre a variação dos preços internacionais, seja por sua composição (derivados de petróleo, para as resinas) ou pela disponibilidade”.

    A Lubrizol possui unidades produtivas espalhadas em várias regiões do mundo, divididas por especialidade/tecnologia. A produção é exportada para diversos mercados, por conta das necessidades dos clientes. No segmento de tintas em pó, a empresa conta com um amplo portfólio de aditivos para obtenção e incremento de diversas propriedades, tais como: fosqueamento, texturização, resistência ao risco, agentes antiestáticos, nivelantes, desgaseificantes e dispersantes. “Destacamos, principalmente, os modificadores de superfície Lanco, com funcionalidades de PE, PP, PTFE, amida, compostos de PE-PTFE e composições especiais”, afirma Oliveira.


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