Tintas e Revestimentos – Produtores globais de espessantes sintéticos montam operação local

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Linha industrial pede uretânicos

Assim como outras opções am­bientalmente mais interessantes, e que muitas vezes nem utilizam es­pessantes, caso das tintas em pó e de cura por radiação ultravioleta, as tintas à base de água seguem sendo crescentemente demandadas para utilizações industriais, como observa o consultor Luís Mota. “Algumas tintas industriais à base de água necessitam de espessantes e neste segmento os mais utilizados são os uretânicos”, informa.

Fabiana Manzano, da Dow, confir­ma a prevalência dos uretânicos nas tintas industriais base água (naquelas confeccionadas com solvente muitas vezes nem há espessantes, pois as resinas conferem alguma viscosida­de). Os uretânicos, diz Fabiana, “são os indicados para tintas industriais porque não comprometem o flash rust do filme”.

Flash rust, explica, é a corrosão estabelecida no intervalo entre o preparo da superfície e a aplica­ção e cura total do revestimento. “Quando se pinta com revesti­mentos base água sem aditivos contra o flash rust, em poucos minutos podem aparecer pontos de corrosão”, explica. “Os modifi­cadores uretânicos não interferem nesse processo e, por isso, são os mais indicados para revestimentos industriais”, destaca a gerente da Dow.

Embora menor que o segmento imobiliário, o das tintas industriais também apresenta oportunidades de expansão para os produtores de espessantes: “Com o fortalecimen­to dos sistemas aquosos, existe um potencial ainda a ser explorado es­pecialmente nas tintas industriais”, aponta Katia, da Dow.

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Minerais permanecem na disputa

Química e Derivados, Carlos Russo, Diretor técnico da Adexim-Comexim, Tintas e Revestimentos
Carlos Russo, Diretor técnico da Adexim-Comexim

A grande maioria dos fabricantes de espessantes e aditivos de reologia garante já haver em praticamente todas as tintas comercializadas no Brasil, mesmo nas mais simples, ao menos uma dose mínima de um espessante orgânico, seja ele celulósico ou as­sociativo. Mas Carlos Russo, diretor técnico da Adexim-Comexim, afirma: embora alguns de seus clientes combi­nem os produtos de sua empresa com outros de base acrílica ou celulósica, outros utilizam em suas tintas apenas os espessantes da linha Comgel, fabri­cados pela Adexim-Comexim à base de atapulgita.

Já o consultor Luís Mota diz que esse minério, assim como outros similares, tem algumas características espessantes, mas não é comumente usado para conferir viscosidade a tintas. Ajuda, por exemplo, a evitar a sedimentação e a separação de água, porém consegue basicamente conferir uma característica de “viscosidade falsa”, denominada tixotropia: “Com a atapulgita em repouso, a viscosidade da tinta é alta; sob agitação, ela cai muito”, justifica.

Segundo Mota, atualmente, os mi­nerais como a atapulgita são utilizados principalmente em tintas econômicas e em complementos, como massas e texturas.

Porém, de acordo com Russo, a atapulgita funciona muito bem como espessante de tintas e tem seus di­ferenciais favoráveis, além do preço mais acessível: “Por ser inorgânica, não constitui alimento para bacté­rias. Também ajuda na eliminação de respingos na aplicação e de sinérese [formação de uma lâmina de água na parte superior da tinta contida em uma embalagem] durante a estocagem”, detalha.

Espessantes com atapulgita, pros­segue, são hoje usados principalmente em tintas imobiliárias econômicas, em primers para uso industrial, em vedantes e em impermeabilizantes. A Adexim- Comexim comercializa produ­tos derivados de atapulgita desde o final da década de 60, e hoje importa esse minério da China.

Atualmente, diz o diretor da Adexim- Comexim, é possível fornecer atapulgita reduzida a partículas com escala mi­crométrica, mais facilmente incorpo­ráveis às tintas. Essa evolução tem, obviamente, um custo, acentuado por ser esse um minério muito duro, cuja moagem se torna dispendiosa. “Não há muitas empresas dispostas a acei­tar custos maiores nesses produtos”, destaca Russo.

Ele garante que os espessantes à base de atapulgita são opções hoje muito consideradas pela indústria de tintas: “Tivemos um período de estabi­lidade em 2011, mas em 2012 temos crescido mensalmente.”

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