Tintas e Revestimentos

Tintas e Revestimentos – Produtores globais de espessantes sintéticos montam operação local

Antonio C. Santomauro
18 de agosto de 2012
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    Segundo ele, embora tanto espessantes de poliuretano quanto acrílicos sejam qualificados como associativos, eles atuam de maneira distinta: “O poliuretano age de maneira independente, não influi na ação do surfactante, enquanto o acrílico precisa de equilíbrio para não influir”, compara Brito.

    Também na Coatex, os uretânicos se destinam apenas à base água. E, de acordo com Medeiros, no quesito sustentabilidade, os es-pessantes dessa empresa têm hoje outro grande diferencial: são já totalmente ‘APEO free’, ou melhor, livres de alquilfenóis etoxilados, comuns nas gerações anteriores de espessantes acrílicos, mas hoje em processo de banimento na Europa. “Seguiremos essa diretriz europeia nos espessantes produzidos no Brasil, e isso deverá ser mais um diferencial no mercado local”, ele destaca.

    De acordo com Francisco Diniz, gerente de aplicações técnicas da fabricante nacional Denver Resinas, a eliminação de alquilfenóis etoxilados é crescentemente demandada. “Alguns de nossos espessantes já foram reformulados para atender a essa tendência, e o restante se encontra em processo de desenvolvimento e substituição”, comenta.

    E também na Denver a oferta de espessantes hoje atende apenas tintas com base água, às quais disponibiliza tanto produtos acrílicos Hase quanto combinações entre acrílicos e uretânicos (Heurase). “Essas duas tecnologias podem ser utilizadas em todos os tipos de formulações de tintas à base de emulsão, mas, por questões de custo/benefício, os formuladores de tintas optam pelo uso de Hase em tintas econômicas e standards, e também nas massas e texturas”, destaca Diniz. “Os espessantes do tipo Heurase têm sido empregados em formulações de produtos da linha premium”, ele acrescenta.

    Novas possibilidades – Diversos motivos levam os produtores de agentes de reologia a visualizar amplo potencial de expansão de seus negócios. Fabiana, da Dow, inclui nesse conjunto a expansão do uso dos produtos uretânicos, e a consolidação de nichos, como as tintas aptas a elevadas diluições. Segundo ela, “a Dow vê esse mercado como chave, com grande potencial de crescimento, pois hoje se busca muito a diferenciação no mercado de tintas, e os modificadores conferem diferenciação”.

    Medeiros, da Coatex, também cita a expansão dos uretânicos como uma das principais alternativas de expansão do mercado de espessantes. Há, porém, outras: “No Brasil ainda se usam os espessantes celulósicos; pouco, pois os espessantes sintéticos baratearam muito. Mas eles ainda são usados, e podemos crescer ocupando esse espaço”, ele destaca.

    Além disso, prossegue Medeiros, em determinadas tintas – especialmente da classe das econômicas –, as dosagens ainda são baixas, e sua elevação pode gerar mais negócios para as empresas do setor. Para ele, “no Brasil, o mercado de espessantes pode crescer até acima do crescimento vegetativo”.

    Já a Evonik, observa Brito, oferece seus aditivos uretânicos no mercado brasileiro há apenas cinco anos, e por isso ainda não tem aqui um volume de vendas muito significativo. “Mas vem crescendo a aceitação de nossos produtos, e vem crescendo todo esse mercado, pois cresce o próprio mercado das tintas imobiliárias”, ele ressalta.

    E na Denver Resinas, afirma o gerente de vendas Edson Luiz Cimadon, este ano os negócios com espessantes devem ser cerca de 10% superiores àqueles realizados em 2011.

    Química e Derivados, Edson Luiz Cimadon, Gerente de vendas da Denver Resinas, Tintas e Revestimentos

    Edson Luiz Cimadon: preço baixo mantém altas as vendas dos acrílicos

    Atualmente, revela Cimadon, cerca de 95% dos negócios da Denver no mercado de espessantes são realizados com produtos acrílicos. E, para ele, exceto se ocorrer sensível redução dos custos das matérias-primas dos uretânicos, não deve haver por enquanto alterações significativas nessa participação: “Com os preços atuais, fica difícil substituir uretânicos por acrílicos, até porque o que mais cresce atualmente é o segmento das tintas econômicas”, argumenta Cimadon.

     

    Necessidades e especificidades – A evolução da tecnologia dos espessantes uretânicos está ampliando novamente a competitividade da tinta como material de cobertura de fachadas externas de grandes edifícios, como salienta Medeiros, da Coatex. Sem contar com garantia extensa para a resistência das tintas, até há pouco tempo as construtoras privilegiavam outras soluções para fachadas, como argamassa mais cerâmica ou tijolo aparente, mas o PU, ao gerar filmes mais duráveis, devolveu esse mercado para as tintas.

    E com uma boa reologia, afirma o gerente da Coatex, além de conferir viscosidade e influir em características como o índice de respingamento e durabilidade do filme, pode também solucionar questões capazes de afetar a aparência da tinta nas latas; por exemplo: o surgimento de sobrenadantes (separação de fases), depósito de sólidos, aparência floculada, pigmentos coloridos ascendendo ao topo, e mesmo odor repugnante.

    Mas o desempenho do espessante está muito relacionado à qualidade da resina. Se esta for de boa qualidade, o desempenho reológico é potencializado: “Temos um acrílico Hase que funciona tão bem quanto um PU; e na Europa, essa é uma solução real, dada a maior quantidade do binder (emulsão) nas tintas de baixo PVC [conteúdo volumétrico de pigmentos]”, diz Medeiros. “No Brasil, tintas desse gênero ainda estão limitadas a nichos”, compara.

    Katia, da Basf, lembra ser possível associar vários produtos na busca de efeitos específicos para cada tipo de tinta. Quando há, por exemplo, maior preocupação com questões relacionadas à estabilidade durante o transporte e a armazenagem, os espessantes do tipo argila ou modificadores de reologia com atuação em baixas taxas de cisalhamento são os mais indicados. “Quando se buscam outras propriedades durante a aplicação, como redução de respingos, melhor transferência e  nivelamento, são indicados produtos que modificam o perfil reológico da tinta para adequar o comportamento em altas taxas de cisalhamento”, finaliza Katia.

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    Principais grupos de espessantes e suas características. Clique para ampliar



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