Tintas e Revestimentos – Produtores globais de espessantes sintéticos montam operação local

Química e Derivados, Katia Braga, Gerente de formuladores e aditivos da Basf, Tintas e Revestimentos
Katia Braga: avança a consolidação da linha de espessantes

Na Basf, conta Katia, a oferta de espessantes e agentes de reologia inclui, além das linhas acrílicas e uretânicas, argilas comercializadas com a marca Attagel.

A vez do PU – No atual mercado de espessantes e agentes de reologia para tintas, prevalecem de maneira quase absoluta os produtos denominados associativos, cabendo àqueles qualificados como celulósicos – onipresentes antes do surgimento dessa nova categoria – apenas alguns nichos mais específicos.

Embora a tecnologia dos uretânicos pareça ganhar espaço no conjunto dos associativos, o grande volume de negócios ainda pertence aos acrílicos, entre os quais se destacam, de maneira muito acentuada, aqueles confeccionados com a tecnologia Hase, capaz de lhes conferir características hidrofóbicas (ver quadro com os diferentes tipos de espessantes).

Normalmente, explica o especialista Luís Manuel Mota, da consultoria LM Coatings Adviser, o monômero base dos espessantes acrílicos é o acrilato de etila, reagido com outros monômeros funcionais, que lhes conferem as características de viscosidade (alto ou baixo cisalhamento), e fazem parte do know-how de cada fabricante (que normalmente resguarda as informações relativas a esse monômero). “São também acrílicos, mas com radicais que lhes conferem funcionalidade, e fazem interação com o polímero”, especifica Mota.

Mas os fabricantes de agentes de reologia olham agora de maneira muito atenta para os uretânicos. E o PU desses espessantes, esclarece Mota, difere daquele das tintas poliuretânicas (mais empregado em aplicações industriais). No espessante, ele detalha, o PU é fornecido em um único componente; e nas tintas poliuretânicas há dois componentes que reagem durante o processo de cura: um contém um polímero com grupos hidroxílicos e o outro, um catalisador com grupos NCO.

Aptos a conferir maior resistência química às tintas, os espessantes uretânicos ainda são utilizados basicamente em produtos premium, mas Mota prevê: embora sejam mais caros, eles serão crescentemente aproveitados. “Nem todas as tintas premium usam uretânicos, e eles talvez passem logo a aparecer mesmo nas tintas standard”, pondera o consultor.

Medeiros, da Coatex, também projeta maior uso dos produtos elaborados com PU, que, segundo ele, “melhoram sobremaneira a construção e o nivelamento do filme”. Mas, em determinados casos, ele ressalta, pode ser interessante recorrer aos acrílicos; por exemplo, em mercados nos quais a aparência cremosa da tinta na lata constitui um diferencial valorizado pelos consumidores. “Um bom acrílico proporciona isso”, ele diz.

Química e Derivados, Luís Manuel Mota, Especialista da consultoria LM Coatings Adviser, Tintas e Revestimentos
Luís Manuel Mota: mercado tende a usar mais os aditivos uretânicos

Há, porém, diz Mota, também uretânicos capazes de conferir essa característica de cremosidade na embalagem. “A razão de se usar mais acrílicos é basicamente o custo, em geral ele custa metade do preço do uretânico”, enfatiza.

Já os celulósicos, comenta Mota, são hoje menos usados porque geram tintas produtoras de maiores quantidades de respingos, em comparação àquelas formuladas com espessantes associativos, quando aplicadas com rolos. “Eles são hoje mais comuns nas tintas econômicas e em complementos, como as massas”, ressalta.

Fabiana, da Dow, também fala em uso mais intenso dos celulósicos na produção de massas. E nesse segmento do mercado de espessantes, a empresa hoje trabalha mais com linhas à base de HEC (hidroxietilcelulose), em detrimento da CMC (carboximetilcelulose). “Espessantes celulósicos apresentam baixa sensibilidade a surfactantes, conferindo ao filme boa resistência à água; contudo, não contribuem com os mesmos benefícios gerados pelos modificadores uretânicos e acrílicos na melhoria da aplicação da tinta, como nivelamento e eliminação de respingos”, compara.

No mercado do HEC, a Dow terá agora um novo concorrente: os produtos da Samsung Fine Chemicals, que a partir deste ano serão representados no mercado brasileiro pela M.Cassab. Até por seu preço mais elevado – relativamente ao CMC ou mesmo aos espessantes acrílicos –, esses produtos se destinam aos nichos mais focados em performance, avalia William Chiossi, gerente das áreas de tintas, resinas & construção civil, óleos & lubrificantes da Unidade de Negócios de Química Industrial do grupo M.Cassab. “Mas vêm crescendo todos os segmentos de tintas base água nos quais entra o HEC como espessante, com destaque para tintas spray e texturas”, especifica Chiossi.

Evolução sustentável – Avaliados no quesito desempenho, os uretânicos – formulados há mais de uma década – representaram a última grande evolução da tecnologia dos agentes de reologia. Agora, observa Luís Mota, essa tecnologia evolui mais acentuadamente em características relacionadas à sustentabilidade. “Quando surgiram, os uretânicos eram sempre em base solvente, e agora podem ser usados diluídos em água”, exemplifica.

E essa diluição em água, predominante no segmento das tintas imobiliárias, nas quais eles realizam a maior parte de seus negócios (ver box sobre tintas industriais), está no foco principal dos produtores de espessantes e agentes de reologia.

A Evonik, por exemplo, disponibiliza espessantes apenas da linha uretânica e exclusivamente para tintas base água. “Desenvolvemos produtos somente para tecnologias ecologicamente corretas, como base água, utravioleta e altos sólidos”, afirma Sérgio Brito, gerente da unidade de negócios coatings & additives (linha Tego), da Evonik (empresa cujos espessantes são comercializados com a marca Tego Viscoplus).

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