Tintas e Revestimentos

Tintas e Revestimentos – Pigmentos de efeito ganham aplicações nas tintas imobiliárias

Marcelo Fairbanks
9 de janeiro de 2013
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    Aplicações inovadoras – O setor automotivo também é um campo aberto para inovações em pigmentos de efeito. Veloso comentou que essa indústria investe continuamente em novos materiais para reduzir o peso dos automóveis e o consumo de combustível. Plásticos de engenharia já substituem o aço em muitas partes, mas é preciso que sua pintura seja igual à das partes metálicas. “Às vezes é preciso incorporar o pigmento ao masterbatch”, comentou.

    Alguns pigmentos de efeito se destacam em aplicações inusitadas. Veloso oferece um pigmento especial para ser adicionado à massa de artigos plásticos diversos que podem ser impressos a laser (carbonização do pigmento) para expor códigos de barra, identificação do material para facilitar a reciclagem e outras informações. “Essas marcações nunca mais se apagam”, afirmou. Suas aplicações vão desde brincos para rastreamento de animais de corte aos teclados de notebooks, passando por lacres de segurança diversos.

    Existem também pigmentos de efeito que agregam funções diversas. Uma delas é a propriedade de cobrir riscos provocados sobre pinturas de chapas (self healing). “Esses pigmentos atuam na matriz polimérica, mas ainda estão em fase de desenvolvimento inicial”, considerou Veloso.

    Um dos produtos em início de comercialização pretende substituir a cromação de peças feita pelas técnicas galvanoplásticas. “É um fluorsurfactante que permite a aplicação de um revestimento capaz de gerar efeito idêntico ao do cromo, porém sem usar metais pesados”, explicou.

    Química e Derivados, Cristine Lopes Camargo, Gerente de vendas da Colormix, Tintas e Revestimentos

    Cristine Lopes Camargo: dourado encapsulado resiste aos rigores do clima

    Cristine, da Colormix, avalia que a produção de tintas consome maior volume de pigmentos de efeito que o setor de plásticos. “Os produtos de alumínio só agora estão entrando na massa dos plásticos, antes da conformação final, geralmente feita por injeção”, afirmou. Até então, o alumínio apresentava problemas de deposição nas linhas de fluxo dos polímeros fundidos. Com isso, era preferível pintar as peças plásticas quando se pretendia aproveitar o efeito visual. Mesmo assim, ela informa que o setor de plásticos consome mais os pigmentos dourado-bronze que o setor de tintas, no qual pontificam os tons de prata.

    Aliás, em geral, os pigmentos dourado- bronze apresentam baixa resistência à umidade, mudando de cor na sua presença. “A Eckart desenvolveu um bronze encapsulado em uma camada de sílica, o Dorolan, que resiste às intempéries e pode ser usado em ambientes externos”, afirmou Cristine. Os pigmentos douradobronze são feitos de ligas de cobre e zinco. Quanto maior o teor de cobre, explica, mais avermelhado o produto.

    Uma outra linha de desenvolvimento diz respeito aos pigmentos para formulações curáveis por radiação ultravioleta (UV). “São produtos específicos, porque o alumínio geralmente reage com o fotoiniciador e também reflete mais a radiação incidente”, comentou a especialista. “Mesmo o pigmento desenvolvido para essa aplicação apresenta cura um pouco mais lenta do que os sem efeito; e deve ser aplicado em baixas doses.” Ela salientou que existem também pigmentos de efeitos com alta solidez à luz UV, usados em aplicações exteriores de vários produtos.

    Também são produzidos tipos específicos de pigmentos de efeito para uso em tintas em pó, capazes de suportar as temperaturas das câmaras de cura sem modificar a aparência final.

    Ao mesmo tempo, o alumínio oferece uma proteção adicional contra a umidade e os efeitos da radiação solar, por refletir grande parte da energia incidente. “Um carro prata reflete tanta luz e calor quanto um branco”, afirmou Cristine. Latas de atum, por exemplo, usam um verniz sanitário interno com pigmentos metálicos food grade para formar uma barreira de proteção para a chapa de aço. As tintas usadas para a pintura de plataformas de petróleo usam pigmentos de alumínio para suportar as condições agressivas em offshore. “Até os botijões de gás usam pigmentos de alumínio”, comentou.

    Pinheiro, da Basf, ressalta que a indústria do petróleo no Brasil não usa pigmentos de efeito porque eles não estão previstos nas normas da Petrobras. “Há outras normas industriais que exigem cores sólidas específicas para aplicações. Nestes casos, é preciso mudar a norma para usar pigmentos de efeito”, comentou. Mas ele concorda com a proteção oferecida por esses produtos. “As estruturas metálicas, por exemplo – mercado que tende a crescer com a proximidade da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016 –, podem aproveitar essa proteção”, recomendou.

    Ele também confirma a boa aceitação desses pigmentos em embalagens de lata (can coating), em coil coating (chapas pré-pintadas) e nas tintas em pó, principalmente as aplicadas em eletrodomésticos. “A chamada ‘linha branca’ está cada vez mais colorida e aceitando efeitos, como o prateado, que se assemelha ao aço escovado”, apontou.

    A Eckart oferece ao mercado um pigmento especial, produzido com ferro carbonilado de alta pureza e moído. A linha Ferricon consegue alcançar o tom pratadólar, com uma variação de cor (flop) de cinza metálico ao preto metálico. Pode formar superfícies homogêneas e brilhantes, com alto poder de cobertura. “Além disso, por conter ferro, esses pigmentos podem ser orientados com o auxílio de um ímã, ou eletroímã, antes da cura completa do revestimento, oferecendo efeitos únicos, com aspecto tridimensional”, explicou a especialista. É um produto novo, ainda não utilizado no país. “Estão sendo estudadas algumas aplicações com clientes.”



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    Um Comentário


    1. Boa tarde, muito bom esse conteúdo.
      Gostaria de saber se consigo aplicar o pigmento em processo de injeção sob pressão
      em alumínio. Esse processo de fundição de alta pressão, trabalha com o alumínio com
      temperatura até 950°C.



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