Calor Industrial

Tintas e Revestimentos – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

Marcelo Fairbanks
22 de janeiro de 2013
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    O Chartek 7 é o mais versátil, podendo suportar até duas horas em pool ou jet fire, oferecendo intumescência de cinco a oito vezes a camada inicial, com aplicações também em corpos de esferas, vasos de pressão e outros. O Chartek 8 suporta uma hora de pool fire a 400ºC, com a vantagem de constituir uma camada única inicial de até 7,2 mm sem malha de reforço. Sua expansão chega a 18 vezes a espessura inicial. Os tipos 7 e 8 são mais adequados para uso offshore, contando com certificação Norsok M-501. O tipo 1709 tem certificação UL 1709, suportando pool fire por quatro horas, com intumescência de 18 vezes. “Temos tintas com intumescência até 70 vezes para fogo celulósico”, comentou Zenobi.

    Offshore exige mais – Plataformas e navios usados na exploração e produção de petróleo e gás natural offshore (longe da costa) carregam um risco adicional considerável, exigindo critérios mais rígidos de prevenção e de reação ao fogo. A proteção passiva de estruturas metálicas precisa atender a esses requisitos.

    Gabriel Zenobi, da AkzoNobel International, aponta diferenças marcantes entre os mercados onshore e offshore, ambos para fogo de hidrocarbonetos. “As instalações offshore não contam com normas de proteção no desenho, o que vale são os certificados das classificadoras, como Lloyds, DNV, ABS e outras”, comentou. Enquanto as classificadoras cuidam dos projetos, os fornecedores de tintas precisam oferecer produtos certificados que supram as necessidades apontadas por elas. “As classificadoras aprovam cada tinta e em cada situação diferente de aplicação; é preciso investir tempo e dinheiro para conseguir isso.” E cada alteração ou adaptação de formulação pede nova aprovação.

    Isso se explica pelas exigências das companhias seguradoras, interessadas em manter as operações no mais alto nível de segurança. “As medidas de prevenção acabam se refletindo na redução de sinistros e, indiretamente, no valor dos prêmios de seguro”, explicou Silva, da Sherwin-Williams. Dessa forma, a oferta de tintas intumescentes para offshore precisa começar pelas companhias seguradoras.

    Apesar de as exigências das classificadoras muitas vezes superarem os requisitos das normas usuais para onshore, a aceitação das tintas intumescentes nas plataformas offshore é mais fácil. “A redução do peso sobre a estrutura é facilmente percebida nas plataformas, bem como a melhor proteção anticorrosiva”, afirmou Silva.

    A aplicação das tintas também é vantajosa, podendo ser feita em instalações adequadas (paint shops) antes da montagem final. Os fabricantes pedem que seja feito o preparo adequado da superfície a proteger, jateando-a até quase o metal branco, proporcionando ancoragem suficiente para um primer (quando necessário) e a camada de tinta intumescente. O preparo mecânico manual é aceito apenas para pequenas áreas. “O primer precisa ser compatível com a tinta que o recobrirá e também com a aplicação, porque ele não pode descolar do substrato sob alta temperatura”, considerou. A International testa ambos antes de recomendá-los. Segundo Zenobi, a cotação é geralmente feita do conjunto completo, incluindo ou não o acabamento.

    A AkzoNobel inaugurou em 2011 um centro de excelência na Inglaterra que conta com um moderno laboratório de produtos contra fogo. “Lá se consegue simular curvas de fogo para cada ensaio específico de cada norma, com controle computadorizado, podendo testar o produto também com carga sobre a viga, para avaliar o comportamento do revestimento com deformação”, informou Zenobi.

    A linha Chartek, para fogo de hidrocarbonetos, só é vendida para empresas qualificadas para a sua aplicação, realizada normalmente por meio de pistolas. “Como a tinta é viscosa, é preciso usar um equipamento de alta pressão”, explicou Zenobi. A camada mínima aplicada de tinta intumescente é de 2 mm, mas ela tem tixotropia baixa, permitindo produzir camadas de 5 mm em uma única demão. Ele explicou que essas tintas também podem ser aplicadas com colher de pedreiro e espátula, mas essa operação não é recomendada por apresentar baixa produtividade.

    A linha Firetex, da Sherwin-Williams, conta com uma lista de primers pré-aprovados, para uso quando necessário. Os acabamentos, idem. Segundo Silva, o preparo da superfície, no caso do aço, é o convencional.

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