Calor Industrial

Tintas e Revestimentos – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

Marcelo Fairbanks
22 de janeiro de 2013
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    Química e Derivados, Bunker para testar tinta intumescente sob fogo, AkzoNobel International

    Bunker para testar tinta intumescente sob fogo

    A AkzoNobel oferece a linha Interchar de tintas de proteção passiva intumescente para fogo celulósico, com nove produtos diferentes, sendo apenas um deles com base em epóxi e o restante com acrílicos. “Esse epóxi só é indicado quando o ambiente é corrosivo, classe C4 ou pior, na norma ISO”, informou Zenobi. Ele recomenda usar uma camada de acabamento sobre os tipos acrílicos, para proporcionar o selamento contra a água. Esse acabamento não é crítico: em caso de incêndio, ele é consumido rapidamente (burn out).

    A Sherwin-Williams oferece a tinta Firetex M-95 para fogo celulósico, elaborada com base em epóxi, devendo ser protegida por uma camada de acabamento adequada para dar a cor desejada e garantir proteção contra intemperismo. A linha Firetex foi criada pela britânica Leighs Paints, fundada em 1860 e adquirida pela Sherwin-Williams em 2011 (a SW foi fundada em 1866). “Quase todos os prédios de Londres usam tintas de proteção Firetex”, comentou. Silva recomenda preparar cuidadosamente a superfície a ser tratada, aplicando um primer compatível, se necessário. Ele informou que existe um tipo de Firetex específico para aço galvanizado e há fórmulas com base em água disponíveis.

    A Sherwin-Williams desenvolveu com um parceiro tecnológico um programa capaz de calcular rapidamente a área exposta de estrutura metálica e calcular a quantidade de tinta necessária para cobri-la. “Basta que o cliente nos envie a planta digitalizada”, disse Silva.

    Plataformas e refinarias – Na classe de fogo hidrocarboneto, os especialistas apontam duas situações diferentes de aplicação de proteção estrutural: estruturas onshore e offshore. O primeiro grupo é formado por refinarias de petróleo, tanques, esferas, petroquímicas e indústrias que operam com hidrocarbonetos. Nesse caso, o mercado nacional ainda dá preferência aos revestimentos cimentícios.

    “A aplicação de concreto ou argamassa sobre metal é mais barata, mas o epóxi dura mais e protege melhor contra a corrosão, além de representar menos peso aplicado sobre a estrutura”, comentou Silva, da Sherwin-Williams. Segundo ele, a Petrobras está adotando a tendência mundial de substituir o concreto refratário pelo epóxi intumescente. Com o epóxi, as peças podem ser pintadas na fábrica antes da montagem, enquanto o concreto precisa ser aplicado no local, com a construção de formas.

    “De cinco anos para cá, todas as novas construções onshore estão usando tintas intumescentes no setor de petróleo”, comemora Zenobi, da AkzoNobel International. Apenas alguns itens, como válvulas, usam proteções feitas de material flexível. Segundo informou, essas tintas ganharam espaço por atender a situações como ambientes corrosivos e também pela vida útil mais longa dos revestimentos, em comparação com os cimentícios. Nas unidades mais antigas, o concreto predomina.

    Zenobi explica que o concreto piora a proteção anticorrosiva pelo fato de curar por alcalinização. “Porém, com o passar dos anos, o pH do revestimento vai se acidificando e começa a corroer o aço que deveria proteger”, comentou. Além disso, como o isolamento térmico promovido por essa alternativa é derivado da evaporação da água residual, quando há um acúmulo grande de umidade na massa a geração de vapor é tão intensa que racha o revestimento e o derruba.

    Silva, da Sherwin-Williams, aponta casos de esferas de armazenamento de gás cujas pernas metálicas revelaram alto grau de corrosão mesmo estando sob grossa camada de concreto fire proof revestida com elastômero. “O concreto não tem boa aderência ao aço e permite a entrada de água em contato com o metal”, afirmou.

    Química e Derivados, Pistola de alta pressão aplica tinta com rapidez, AkzoNobel International

    Pistola de alta pressão aplica tinta com rapidez

    A abertura do mercado onshore depende de uma aproximação com o cliente final antes mesmo da elaboração do projeto, para apresentar o conceito de proteção. No Brasil, o maior usuário é a Petrobras, cuja norma interna respectiva ao tema é a N-1756, atualmente na revisão C. A revisão B, anterior, nem admitia revestimentos outros que os cimentícios. A norma atual incluiu o item 6.3 para outros tipos de revestimento, que precisam atender às normas API 2218 e Ansi/UL 1709 (ensaios de fogo), estabelecendo que a temperatura média na superfície metálica não pode passar de 538ºC, em nenhum ponto superior a 649ºC. “Essa norma não fala em tempo de proteção, mas, para onshore, usa-se duas horas como padrão”, comentou Zenobi. Ele disse que a norma está em fase de revisão.

    A vantagem é clara. Segundo Silva, da Sherwin-Williams, uma proteção de 50 mm de espessura de concreto pode ser substituída por uma camada de 2 mm de epóxi. A linha Firetex para fogo de hidrocarbonetos destaca os tipos M-90 (duas horas de proteção) e M-93 (três horas). A seleção dos produtos deve levar em conta vários aspectos adicionais, entre eles se há previsão de a estrutura ser atingida por um jato de fogo (jet fire) ou pelas chamas alimentadas por uma poça ou piscina de combustíveis (pool fire). “São situações diferentes que precisam ser bem avaliadas”, comentou.

    A AkzoNobel oferece a linha Chartek, iniciada em 1974 pela Texlon, pioneira em epóxi intumescente, segundo Zenobi. “O Chartek 59 foi criado pela Texlon a pedido da Nasa para proteger a cápsula espacial durante a reentrada na atmosfera terrestre”, informou. A AkzoNobel comprou essa divisão de produtos mais tarde. Para fogo de hidrocarbonetos, a linha compreende os tipos 7, 8 e 1709, todos eles epóxis bicomponentes.



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